Dasa (DASA3) sobe 20% após balanço indicar geração de caixa acima do esperado


As ações da Dasa (DASA3) subiam 20% nesta sexta-feira (6), a R$ 3,54 às 12h30, após a divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2026. O resultado combinou lucro líquido e geração de caixa acima das expectativas com margens operacionais abaixo das projeções, o que levou bancos a apontarem tanto avanços financeiros quanto riscos ligados à rentabilidade e ao endividamento.

Lucro supera projeções, mas margens decepcionam

A receita líquida da companhia foi de R$ 2,41 bilhões, em linha com o consenso do mercado, mas 3% abaixo da estimativa do Morgan Stanley. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) chegou a R$ 640 milhões, 1% acima do consenso, mas 10% inferior à projeção do banco. A margem Ebitda ficou em 26,6%, 203 pontos-base abaixo do esperado. Um ponto-base corresponde a 0,01 ponto percentual.

O principal destaque positivo foi o lucro líquido das operações continuadas, de R$ 173 milhões. O valor superou em 56% a estimativa do Morgan Stanley e em 73% o consenso. Segundo a avaliação do banco, o resultado foi favorecido por menores despesas financeiras líquidas e por receitas com impostos diferidos.

O Morgan Stanley também avaliou que a geração positiva de caixa pode ajudar a Dasa a reduzir o endividamento com recursos próprios. Ao mesmo tempo, o desempenho operacional abaixo das projeções levou o banco a recomendar cautela sobre a sustentabilidade dos lucros recorrentes, que são aqueles associados às atividades habituais da empresa.

Dívida segue no centro das preocupações

Para o Goldman Sachs, o balanço do trimestre ainda reflete pressão persistente sobre a rentabilidade e um nível elevado de dívida. A dívida líquida da Dasa recuou de R$ 5,6 bilhões no segundo trimestre de 2026 para R$ 5,4 bilhões no terceiro. No mesmo período, a alavancagem — relação entre dívida líquida e Ebitda — caiu de 2,91 para 2,76 vezes, mas continuou em patamar que o banco considera restritivo.

O Goldman Sachs atribuiu a redução limitada da alavancagem à contração de 2,7 pontos percentuais na margem Ebitda. Entre os fatores apontados estão uma composição menos favorável das receitas de diagnósticos, com maior participação de contratos entre empresas, e a pressão sobre a rentabilidade da Rede Americas. Na avaliação do banco, a situação do balanço continua sendo o principal ponto de atenção para a tese de investimento e reduz o peso do crescimento da receita.

O relatório também separa os indicadores da Rede Americas dos números consolidados da Dasa. Na rede, o fluxo de caixa livre foi de R$ 289 milhões e a dívida líquida caiu para R$ 2,7 bilhões. Ainda assim, a alavancagem usada para o cálculo de covenants — cláusulas contratuais relacionadas ao endividamento — subiu de 2,9 para 3,36 vezes, aproximando-se do limite de 3,75 vezes.

Diagnósticos crescem com pressão de custos

No segmento de diagnósticos, a receita aumentou 7,6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O avanço foi inferior aos 9,1% registrados no trimestre precedente, mas ainda considerado razoável pelo Goldman Sachs. A expansão foi apoiada pelo maior volume de exames, pelo crescimento do segmento premium e pelo aumento da carteira de clientes laboratoriais.

A margem Ebitda ajustada da área recuou 0,9 ponto percentual, para 25,6%. O banco relacionou a queda à maior participação das receitas B2B, ou seja, de negócios entre empresas, e aos custos de infraestrutura e modernização. Essa composição menos favorável ajudou a explicar por que o crescimento da receita não se traduziu em melhora das margens.

Na Rede Americas, a margem Ebitda foi de 12,5%. Sem efeitos não recorrentes de R$ 135 milhões, ligados à revisão de recebíveis e à venda do Hospital Santa Lúcia, o indicador teria sido de 16,3%. A receita bruta da rede cresceu 8,2%, impulsionada principalmente pela expansão de 55,9% da operação de oncologia.

XP vê espaço para avanços operacionais

A XP avaliou que a Dasa registrou mais um trimestre de melhora na geração de caixa, apoiada pelos avanços operacionais e pela dinâmica positiva do capital de giro. A equipe da corretora reiterou uma visão construtiva sobre a ação, citando o refinanciamento dos vencimentos de dívida de 2027 e a possibilidade de novas melhorias operacionais.

A XP também apontou que a alavancagem permanece elevada, em 3,5 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. Segundo a análise, uma atividade econômica mais fraca ou a manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo poderiam pressionar a geração de caixa, sobretudo pelo aumento das despesas financeiras. O Goldman Sachs manteve recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 2,80.

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