A China deve importar 110 milhões de toneladas métricas de soja na safra 2026/27, segundo estimativa do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Pequim, divulgada na quarta-feira. A projeção não oficial fica 5 milhões de toneladas abaixo da previsão oficial do órgão americano, que calcula compras chinesas de 115 milhões de toneladas no período.
Projeções apontam volumes diferentes
A estimativa do adido foi publicada pelo Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS, na sigla em inglês), ligado ao USDA. Embora ambas tratem das importações chinesas de soja para 2026/27, a previsão do relatório em Pequim é inferior à projeção oficial do departamento. A diferença equivale a cerca de 4,3% da estimativa oficial.
A China é o maior importador mundial de soja. Por isso, o volume que o país compra influencia o comércio internacional do grão e a disputa entre os países fornecedores. O relatório não detalha as razões para a diferença entre as duas projeções nem apresenta uma revisão da estimativa oficial.
Os números se referem à safra 2026/27. A previsão de 110 milhões de toneladas deve ser entendida como uma estimativa de importação para esse período, e não como um total já realizado. O relatório também informa dados de compras e exportações relacionados ao compromisso chinês de adquirir soja dos Estados Unidos.
Compras dos EUA e tarifa retaliatória
A China retomou as compras de soja americana depois de uma cúpula realizada em outubro de 2025, em Busan, na Coreia do Sul. No encontro, foi firmado um acordo comercial e econômico para suspender determinadas medidas retaliatórias.
Segundo o relatório do adido, empresas estatais chinesas continuam comprando soja dos Estados Unidos conforme o acordo. A tarifa retaliatória de 10% aplicada ao produto americano, por outro lado, leva compradores comerciais a recorrer a fornecedores da América do Sul. O documento não especifica quais países sul-americanos receberam essas compras nem quantifica o volume destinado a cada origem.
Para a safra 2026/27, a China se comprometeu a comprar pelo menos 25 milhões de toneladas métricas de soja dos Estados Unidos. Em 22 de outubro de 2026, os dados de vendas para exportação do FAS indicavam compras chinesas de 15,1 milhões de toneladas para entrega naquele ciclo.
O mesmo relatório informa que as exportações americanas de soja para a China haviam atingido 5,9 milhões de toneladas até aquela data. O dado de vendas para entrega futura e o de exportações realizadas são apresentados separadamente no documento. Assim, os 15,1 milhões de toneladas em compras registradas não devem ser tratados como volume já exportado: o total enviado pelos Estados Unidos era de 5,9 milhões de toneladas.
Farelo e óleo de soja
Além do comércio do grão, o relatório prevê mudanças nas exportações chinesas de óleo de soja. O processamento crescente da soja para produzir farelo, combinado à demanda cada vez menor por óleo de soja, deve levar as exportações chinesas do produto a um recorde de 1,35 milhão de toneladas na safra 2026/27.
O farelo é um dos produtos obtidos no processamento da soja, enquanto o óleo é outro derivado. A previsão do adido relaciona o aumento do processamento e a redução da demanda doméstica por óleo ao crescimento das vendas externas desse produto. O relatório não apresenta, no trecho divulgado, números adicionais sobre a demanda por óleo ou sobre a produção chinesa de farelo.
As estimativas para importação de soja, as informações sobre as compras de origem americana e a projeção para as exportações de óleo descrevem aspectos distintos do mercado chinês na safra 2026/27. A previsão de importação indica o volume total esperado de compras externas do grão; os dados do acordo tratam especificamente da soja dos Estados Unidos; e a cifra de 1,35 milhão de toneladas se refere ao óleo de soja exportado pela China.

