A Arte Oculta da Coerção: Redescobrindo Poderes Persuasivos Esquecidos


A Diplomacia de Trump: Entre Ameaças e Desafios

Na sua segunda gestão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ambiciona grandes conquistas diplomáticas. Prometeu trazer paz tanto para a Ucrânia quanto para Gaza, tem se esforçado para evitar que o Irã desenvolva armas nucleares e busca novos acordos comerciais. Além disso, tem exigido que países da América Latina colaborem mais no combate à migração e ao tráfico de drogas, ao mesmo tempo que pressiona seus aliados a investirem mais em suas próprias defesas. Para alcançar essas metas, muitas vezes ele recorre a estratégias de coerção. Neste mandato, Trump lançou ameaças — tanto econômicas quanto militares — a pelo menos 20 países, incluindo alguns aliados dos EUA.

Entretanto, as tentativas de coercão de sua administração frequentemente enfrentaram obstáculos. A guerra da Rússia na Ucrânia continua, apenas um punhado de acordos comerciais foi fechado e as tarifas impostas pelos EUA permanecem elevadas. As ameaças de anexar Groenlândia e Canadá apenas afastaram parceiros. Recentemente, após a campanha de “pressão máxima” que não conseguiu convencer o Irã a ceder em relação aos seus programas nucleares e de mísseis, Trump partiu para ações militares. Contudo, o Irã se mostrou resiliente, aumentando seu controle sobre o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, e o conflito na região se intensificou.

A Coerção como Estratégia

Coerção é uma estratégia em que um estado utiliza ameaças de punição — como sanções ou ataques aéreos — para alterar o comportamento de outro. Por exemplo, se um país é flagrado construindo um reator nuclear secreto, o estado que reage pode tentar forçar inspeções internacionais, alegando que a destruição da instalação será a consequência se não houver cooperação. Assim, a coerção oferece uma escolha: obedecer ou arcar com as consequências.

Em um cenário ideal, um estado não precisa realmente executar suas ameaças, pois o alvo admite a mudança de comportamento apenas pela perspectiva de punição. No entanto, muitas vezes é necessário demonstrar poder para que a ameaça seja considerada séria. A mobilização de tropas ou a realização de ataques limitados podem fazer parte dessa estratégia. Mas quando um estado utiliza a força bruta para obrigar a conformidade, a coerção falha — por exemplo, bombardear uma instalação nuclear após o alvo ter se recusado a fechá-la voluntariamente.

A Dificuldade de Coagir

A eficácia da coerção depende da credibilidade da ameaça. Os alvos precisam acreditar que, ao ceder, poderão evitar a dor da punição. O economista Thomas Schelling argumenta que não basta ameaçar; é preciso assegurar também que, uma vez cumpridas as exigências, o alvo não será punido.

Um foco excessivo em ameaças prejudica essas garantias. Mesmo um coator sincero enfrenta esse dilema: as ações que visam aumentar a credibilidade das ameaças costumam enfraquecer as garantias. Por exemplo, aumentar a presença militar pode reforçar uma ameaça, mas também transmite a mensagem de que a força será inevitável, diminuindo o tempo disponível para decidir entre atacar ou recuar. Surpreendentemente, estudos mostram que a vantagem militar não garante sucesso na coerção. Uma pesquisa sobre ameaças internacionais entre 1918 e 2001 revelou que estados mais fortes conquistaram o que queriam apenas 36% das vezes, em comparação a uma média de 41% para todos os estados.

Apesar da necessidade de equilíbrio, a ênfase nas ameaças persiste nas políticas dos EUA, desde a era Reagan até a atualidade. Estratégias de segurança nacional frequentemente destacam ameaças muito mais do que garantias. Isso resulta em adversários que assumem que enfrentarão punições incondicionais, como foi o caso de Saddam Hussein no Iraque, que decidiu não cooperar diante da perspectiva de sanções.

O Estilo Beligerante de Trump

Durante seu primeiro mandato, Trump utilizou tanto coerção econômica quanto militar, mas em um contexto mais equilibrado. Na sua segunda gestão, sua estratégia de política externa é marcada pela constante ameaça. Ele tem ignorado componentes de poder brando e diplomacia, optando por intimidar aliados e adversários com sanções e força militar. Essa “extorsão” das nações aliadas, em questões comerciais e territoriais, reflete sua preferência por concessões imediatas em detrimento de parcerias de longo prazo.

Diante da resistência a suas exigências, Trump não hesitou em utilizar a força militar. Não foram raras as operações em países como o Iémen e a Venezuela, que surgiram após falhas de coerção. Essas aplicações diretas de força vieram após a imposição de suas demandas e, ao longo do tempo, aumentaram a crítica tanto nacional quanto internacional em relação à sua postura.

Limitações da Força Militar

Empregar a força militar como primeira resposta revela limitações e pode encorajar adversários. O objetivo da coerção é forçar a mudança sem recorrer à força; no entanto, se um estado precisa efetivamente usar a força, isso pode significar que não conseguiu convencer o alvo da gravidade de suas ameaças.

A recente situação em que os EUA se envolveram no Irã é um exemplo claro dessa falência. A geografia do Irã e suas capacidades militares dificultaram a realização da intenção americana, levando a um novo estágio de hostilidade na região. Por outro lado, operações bem-sucedidas, como a captura de Maduro, demonstraram que ações específicas podem resultar em conformidade, estabelecendo um contraste com a falha no Irã.

O Caminho para a Redefinição

A reputação de Trump como um líder beligerante dificultará suas tentativas de fazer acordos internacionais ao longo de sua presidência. A confiança, uma base crucial nas relações exteriores, foi severamente comprometida, e a fraqueza nas táticas coercitivas provavelmente persistirá mesmo depois que ele deixar o cargo.

Para reverter os danos causados por essa abordagem, futuras administrações precisarão cultivar uma reputação de contenção e restaurar a habilidade diplomática dos EUA. Isto implicará em uma revisão da infraestrutura do Departamento de Estado e na criação de um equilíbrio nas tomadas de decisão que restrinja ações unilaterais excessivas.

A Importância do Equilíbrio

O segredo para uma política de coerção eficaz é garantir que as ferramentas coercitivas sejam eficientes quando realmente forem necessárias. O estilo imperial de liderança de Trump comprometeu a capacidade do país em realizar compromissos credíveis. Portanto, cabe ao Congresso, ao lado de futuros presidentes, restaurar o equilíbrio necessário na política externa.

A decisão não deve ser evitar toda a coerção, mas sim assegurar que as ferramentas coercitivas permaneçam eficazes em momentos críticos. A coerção pode ser poderosa, mas funciona dependendo tanto da capacidade de assegurar quanto da disposição para ameaçar. Agora, mais do que nunca, o mundo observa. Que lições tiraremos da era Trump para moldar uma política externa eficaz no futuro? Opine e compartilhe suas reflexões.

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