As ações preferenciais da Usiminas (USIM5) caíram 8,59%, para R$ 5,00, nesta sexta-feira (30), e lideraram as perdas do Ibovespa. A queda ocorreu após a divulgação de resultados abaixo das expectativas no terceiro trimestre de 2026, em meio à pressão de custos sobre a divisão de aço e a perspectivas de novos desafios para os próximos trimestres.
Relatórios de XP Investimentos, Bradesco BBI, JPMorgan e Morgan Stanley apontaram a divisão de aço como o principal ponto fraco do balanço. Apesar do aumento do volume vendido, os custos cresceram e reduziram as margens. Para o quarto trimestre de 2026 e 2027, os bancos avaliam que a demanda, os preços e os custos ainda podem limitar o desempenho da companhia.
Custos pressionaram a divisão de aço
A XP classificou os resultados do terceiro trimestre como fracos. Em relatório assinado por Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, a corretora afirmou que o Ebitda da divisão de aço ficou abaixo tanto de suas estimativas quanto da projeção anterior da administração da Usiminas, que já era considerada conservadora.
Ebitda é a sigla em inglês para o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador usado para avaliar o desempenho operacional de uma empresa. No segmento de aço, o Ebitda foi de R$ 538 milhões, queda de 21,8% em relação ao trimestre anterior e 18% abaixo da estimativa do JPMorgan.
Segundo o banco, o desvio foi explicado principalmente pela alta dos custos, que avançaram 3,3% na comparação trimestral e ficaram 1% acima de sua projeção. A Usiminas atribuiu a pressão ao encarecimento das placas de aço e do coque, além da desvalorização do real frente ao dólar.
O custo dos produtos vendidos por tonelada, conhecido pela sigla CPV/t, também aumentou em relação ao segundo trimestre. A XP avaliou que a inflação de custos mais do que anulou o benefício do maior volume de aço produzido e vendido. Esse efeito reduziu as margens da divisão, mesmo com a contribuição da chamada alavancagem operacional, que ocorre quando o aumento da produção dilui custos fixos.
O Bradesco BBI também apontou os resultados do aço como a principal decepção. De acordo com a equipe liderada por Rafael Barcellos, os preços efetivamente recebidos pela companhia caíram, apesar dos efeitos residuais de reajustes aplicados no segundo trimestre e de uma composição mais favorável das vendas. Para os analistas, esse movimento indica que a Usiminas concedeu descontos durante o período.
Mineração teve queda nos volumes
Na divisão de mineração, o Ebitda somou R$ 19 milhões. O resultado ficou em linha com a expectativa do JPMorgan de geração praticamente nula de resultado operacional no trimestre. O desempenho foi afetado pela redução de 7,3% nos preços realizados, pelo aumento dos custos — sobretudo com frete — e por uma queda de 18,4% nos volumes.
A XP também vê obstáculos para essa área nos próximos períodos. Além do desempenho fraco do minério de ferro, a corretora citou o aumento dos custos de transporte marítimo como fator que pode pressionar os resultados. Para o quarto trimestre, o Morgan Stanley espera volumes menores de vendas de minério, considerando os preços atuais da commodity e as taxas de frete.
Analistas veem cenário cauteloso
As projeções para o quarto trimestre indicam pressão adicional sobre os lucros em relação ao período anterior, segundo a XP. A corretora manteve cautela para o fim de 2026 e para 2027, diante das taxas de juros elevadas e de um cenário doméstico mais difícil, que podem restringir a demanda e os preços do aço.
O Morgan Stanley avalia que as estimativas para o quarto trimestre divulgadas pela Usiminas podem levar a revisões para baixo nas projeções do mercado. Na divisão de aço, a empresa espera uma queda moderada dos resultados operacionais. O aumento das exportações deve compensar a sazonalidade negativa das vendas domésticas, mas uma composição menos favorável das vendas tende a reduzir a receita líquida por tonelada. Matérias-primas, insumos e energia devem continuar pressionando os custos.
O Bradesco BBI afirmou que os resultados reforçam uma perspectiva cautelosa para 2027, devido à baixa visibilidade sobre uma recuperação dos fundamentos do setor siderúrgico. Entre as instituições citadas, Bradesco BBI, Itaú BBA e Morgan Stanley mantiveram recomendação neutra para as ações, com preços-alvo de R$ 8,50, R$ 8,00 e R$ 8,80, respectivamente. O JPMorgan reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 10,50.