As ações da Vale (VALE3) avançaram 4,01%, para R$ 64,38, no início da semana, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, realizada no domingo (25). O movimento destoou do desempenho de empresas mais sensíveis aos juros e ocorreu em um pregão de forte valorização do dólar e queda do Ibovespa. Para analistas, a alta convive com preocupações sobre os fundamentos operacionais da mineradora e o cenário do minério de ferro.
Lula venceu Flávio Bolsonaro no segundo turno, com 51,79% dos votos. Na sessão em que a Vale subiu, o dólar avançou mais de 8%, enquanto o Ibovespa caiu cerca de 14% e chegou a passar por um circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de uma queda acentuada do índice.
Fundamentos e desempenho das ações
O JPMorgan identificou uma desconexão entre os fundamentos da Vale e o comportamento recente dos papéis, que vinham acumulando queda. Na avaliação do banco, a resolução do acordo relacionado a Mariana eliminou uma das principais incertezas que pesavam sobre a companhia. A instituição também apontou que os negócios seguem apoiados por produção consistente e redução de custos.
A leitura do JPMorgan contrasta com a trajetória recente das ações e com a pressão sobre o mercado de minério de ferro. Na semana anterior, analistas destacaram que a cotação da commodity havia recuado para perto de US$ 90 por tonelada, em meio a um desequilíbrio entre oferta e demanda. Esse cenário ajuda a explicar por que a valorização dos papéis no início da semana não encerra as dúvidas sobre as perspectivas da mineradora.
A alta registrada no pregão veio, portanto, em um contexto de fatores distintos. De um lado, a resolução do acordo de Mariana e os aspectos operacionais citados pelo JPMorgan. De outro, a queda recente das ações e a redução do preço do minério de ferro. O banco apontou esses elementos ao avaliar a diferença entre a situação dos negócios da companhia e o desempenho de seus papéis.
Pressão sobre o minério de ferro
O UBS BB avalia que as ações da Vale ainda não refletem plenamente a deterioração dos fundamentos operacionais e do mercado de minério de ferro. A análise foi feita apesar de os papéis terem caído cerca de 12% desde agosto. Para os analistas da instituição, a desvalorização acumulada não significa que os riscos para a companhia tenham sido totalmente incorporados pelo mercado.
O banco vê o mercado global entrando em uma fase de excesso de oferta. Entre os fatores citados estão o aumento da produção de grandes mineradoras e o avanço do projeto Simandou, na Guiné. Ao mesmo tempo, a demanda global por aço segue fraca, combinação que pesa sobre o equilíbrio entre a oferta e a procura pelo minério.
Esse quadro se soma à cotação próxima de US$ 90 por tonelada mencionada pelos analistas na semana anterior. A avaliação do UBS BB indica que a pressão sobre o preço da commodity e a deterioração operacional continuam entre os riscos considerados para a Vale. Assim, a alta diária dos papéis ocorreu enquanto permaneciam as preocupações com o mercado global de minério e com a distância entre o desempenho das ações e os fundamentos da empresa.