Acelen e Bunge Selam MegaContrato de Óleo de Soja: O que Isso Significa para o Futuro da Agricultura na América do Sul?


Acelen Renováveis e Bunge: Um Marco na Produção de Combustíveis Sustentáveis

A Acelen Renováveis, uma destacada empresa na área de energia pertencente ao Mubadala Capital, acaba de firmar um acordo significativo com a Bunge. Este entendimento, que se estende por cinco anos, prevê o fornecimento impressionante de 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja certificado. Esse insumo será aproveitado na produção de combustíveis de aviação sustentáveis (SAF) e diesel renovável (HVO) em uma biorrefinaria que está sendo desenvolvida na Bahia.

A Importância do Acordo

O contrato estabelece que a Bunge se compromete a fornecer anualmente 300 mil toneladas desse óleo a partir de 2029, ano em que a nova unidade da Acelen está prevista para iniciar suas operações. Este acordo é considerado um marco, pois representa o maior contrato de fornecimento de óleo de soja já firmado pela Bunge na América do Sul. Para o vice-presidente Comercial e de Trading da Acelen, Cristiano da Costa, esse volume contratado equivale a cerca de 30% da matéria-prima necessária para dar início às atividades da biorrefinaria.

Detalhes do Fornecimento

Outro aspecto importante do acordo é que cerca de 60% da matéria-prima já está garantida, proveniente de óleo de cozinha usado (UCO – Used Cooking Oil). Parte desse insumo será fornecida pela Trafigura, e o restante virá de um fornecedor, cuja identidade ainda não foi divulgada. Cristiano destacou que, embora a Bunge seja a única fornecedora de óleo de soja, a Acelen já possui três fornecedores de matérias-primas diferentes, o que resulta em uma diversificação benéfica.

“Temos 10% do fornecimento que deixamos deliberadamente abertos para explorar novas culturas alternativas”, afirma Costa.

Investimentos e Estrutura da Biorrefinaria

Com um investimento superior a 3 bilhões de dólares, a biorrefinaria da Acelen terá uma capacidade anual de produção de 1 bilhão de litros de SAF e HVO. O projeto também contempla o futuro uso do óleo de macaúba, que está em fase de desenvolvimento. Contudo, devido ao ciclo de maturação da palmeira, essa cultura será introduzida apenas gradualmente a partir de 2032.

“Não existe uma solução única… as matérias-primas são complementares”, relata Costa, enfatizando que a demanda prevista deve alcançar um milhão de toneladas por ano.

Certificações e Sustentabilidade

O óleo de soja fornecido pela Bunge poderá vir tanto do Brasil quanto da Argentina, e contará com certificações internacionais de sustentabilidade. Essas certificações incluem padrões da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e do Conselho de Recursos do Ar da Califórnia (CARB), assegurando que o produto atenda a rigores globais de sustentabilidade.

Atualmente, cerca de 88% da produção da biorrefinaria já está comercializada através de contratos de longo prazo, com um forte foco em clientes na Europa e nos Estados Unidos. Para Costa, embora o principal foco inicial seja a exportação, a Acelen está mantendendo diálogos com potenciais compradores no Brasil, especialmente considerando que a demanda por SAF deve crescer com a implementação da nova legislação do Combustível do Futuro no país.

Um Contexto Global de Sustentabilidade

Essa parceria ocorre em um momento em que a demanda global por combustíveis de baixo carbono está em ascensão, impulsionada tanto por metas de descarbonização adotadas por companhias aéreas quanto por políticas governamentais. Para garantir o sucesso desse projeto, tanto Costa quanto Tito Martinho, diretor Comercial da Bunge, reconhecem o maior desafio: garantir um volume substancial de matéria-prima que seja, ao mesmo tempo, certificado.

Martinho lembrou que a Bunge é o maior esmagador de soja no Brasil, e o volume contratual representa aproximadamente 15% de sua capacidade de produção de óleo no país. No entanto, ele ressalta que o maior desafio não é apenas ser um grande player no mercado, mas também conseguir um volume significativo que atenda aos rigorosos padrões de certificação.

“Estamos monitorando cerca de 46 mil propriedades rurais no Brasil e na Argentina para garantir a conformidade com nossos compromissos de sustentabilidade”, explica Martinho, ressaltando os esforços da Bunge nos últimos dez anos para assegurar cadeias de fornecimento totalmente rastreadas.

Reflexão sobre o Futuro Sustentável

Este marco na parceria entre Acelen Renováveis e Bunge não só abre as portas para uma nova era de combustíveis sustentáveis no Brasil, mas também posiciona as duas empresas como líderes no setor. Ao abordar as questões de sustentabilidade, certificação e diversificação de matérias-primas, elas estabelecem um modelo que pode ser seguido por outras organizações.

A implementação de novas tecnologias e práticas sustentáveis é essencial para atender à crescente demanda por produtos ecologicamente corretos, e essa parceria representa um passo significativo nesse direcionamento. Incentivamos você, leitor, a refletir sobre a importância dessas iniciativas e como elas podem moldar um futuro mais verde.

Primeiramente, que tal compartilhar suas opiniões sobre esta nova aliança? Quais outras culturas alternativas você acha que podem ser exploradas para diversificar a produção? A troca de ideias é fundamental para estimular o debate sobre o futuro da nossa energia e sustentabilidade.

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