As ações da Petrobras fecharam em alta superior a 3% nesta terça-feira (15), apoiadas pela valorização do petróleo e por dados preliminares que indicam avanço da produção da estatal em agosto. A perspectiva de crescimento da produção nos próximos anos e um contrato de longo prazo para compra de gás natural liquefeito (GNL) também compõem o cenário observado pelos investidores.
Os papéis ordinários, negociados sob o código PETR3, subiram 3,63%, a R$ 56,23. As ações preferenciais, identificadas como PETR4, avançaram 3,09%, para R$ 50,43. O desempenho refletiu uma combinação de fatores ligados ao mercado internacional de petróleo e à operação da companhia.
Petróleo sobe após ataques a oleoduto
O petróleo encerrou o dia em alta, enquanto investidores avaliavam possíveis impactos sobre a oferta da commodity na Arábia Saudita. As preocupações aumentaram após ataques de forças houthis, do Iêmen, a um importante oleoduto no país. Na terça-feira, o oleoduto Leste-Oeste do reino chegou a ficar fora de operação, sem previsão para o prazo de reparo.
O Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), avançou 2,9%, ou US$ 3,07, e fechou a US$ 108,75 por barril. O West Texas Intermediate (WTI) para outubro subiu 4,38%, equivalente a US$ 4,44, e terminou a US$ 105,83 por barril na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex).
A alta das cotações internacionais ocorre em meio à avaliação dos riscos para a oferta. Para a Petrobras, a valorização da commodity se somou às notícias sobre a produção, que também influenciaram o desempenho das ações no pregão.
Produção avançou em agosto
Dados preliminares da Agência Nacional de Petróleo (ANP) indicam que a produção da Petrobras chegou a 2,92 milhões de barris por dia em agosto. O volume representa alta de 4% em relação a julho. Segundo as informações, o resultado foi impulsionado pelo crescimento de 5% na produção dos campos de Búzios e pela recuperação de Itapu e Marlim.
Os dados ainda não permitem afirmar que esse nível de produção será mantido nos meses seguintes. Analistas do Bradesco BBI, porém, avaliam que o resultado reforça a possibilidade de novas surpresas positivas na produção da estatal.
Em relatório recente, o banco afirmou que o mercado subestima a capacidade de crescimento da Petrobras. Na avaliação dos analistas, a empresa chega ao atual ciclo eleitoral em situação operacional e financeira mais sólida do que em períodos anteriores. O relatório aponta como fatores de suporte o desempenho dos campos do pré-sal, a entrada acelerada de novas plataformas e ganhos operacionais que têm permitido resultados acima do esperado.
Projeções e contrato de gás
Com base nessa perspectiva, os analistas do Bradesco BBI calculam que a produção média de petróleo da Petrobras poderá superar 2,8 milhões de barris por dia em 2027 e passar de 3 milhões de barris diários em 2028. As projeções ficam acima das estimativas reunidas no consenso do mercado. A ressalva sobre a produção de agosto permanece: o resultado de um mês, por si só, não determina que o ritmo será mantido.
Outro movimento recente da companhia foi a assinatura de um acordo de compra e venda de GNL de longo prazo com a Sempra Infrastructure, subsidiária norte-americana da Sempra. O contrato prevê a aquisição de 0,8 milhão de toneladas por ano durante 20 anos. O gás será fornecido a partir do terminal de liquefação de GNL de Port Arthur, no Texas, Estados Unidos.
A Petrobras espera que o acordo reduza sua exposição à volatilidade do mercado à vista, também chamado de mercado spot, e fortaleça a gestão de riscos de seu portfólio de gás natural. A operação acrescenta um componente de longo prazo à estratégia da estatal para o segmento, enquanto as cotações do petróleo e as perspectivas de produção seguem entre os fatores acompanhados pelo mercado.

