Ações mundiais sobem após vitória democrata nos EUA, com incerteza menor


As bolsas globais subiam nesta quarta-feira, após os democratas conquistarem o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato. O resultado trouxe maior clareza política aos investidores e reduziu parte da incerteza que vinha pressionando os mercados, embora também tenha levantado dúvidas sobre as medidas que serão adotadas em Washington nos próximos dois anos.

Ações sobem em Wall Street

Os três principais índices acionários dos Estados Unidos operavam em alta. O Dow Jones Industrial Average avançava 2,05%, o S&P 500 subia 1,72% e o Nasdaq Composite registrava ganho de 2,46%. Serviços de comunicação, bens de consumo discricionário e tecnologia lideravam os avanços.

As ações de energia, por outro lado, tinham o pior desempenho entre os setores, em meio à queda de 2% nos preços do petróleo bruto. Os contratos futuros do Brent também recuavam com força, enquanto investidores acompanhavam as negociações de Washington para encerrar as guerras na Ucrânia e no Irã. A possibilidade de novos impactos sobre a oferta global de petróleo permanecia entre as preocupações do mercado.

A vitória democrata representou um revés para o presidente Donald Trump. O partido conquistou distritos tradicionalmente republicanos, alguns deles considerados conservadores havia muito tempo. A extensão dos ganhos pode ter surpreendido investidores, segundo o relato da sessão.

Para Clayton Allison, gestor de portfólio da Prime Capital Financial, a confirmação do resultado reduziu a incerteza em torno das eleições. “Os mercados detestam incertezas e, embora grande parte do resultado já tivesse sido precificada com antecedência, a confirmação disso traz mais certeza aos mercados”, afirmou. Ele acrescentou que a definição também abre questões sobre o que será feito em Washington nos próximos dois anos, mas que os mercados valorizam a resolução de um evento capaz de movimentar os ativos.

Regulação de inteligência artificial no radar

O controle democrata do Congresso também chamou a atenção de investidores para a possibilidade de maior fiscalização sobre a inteligência artificial (IA). Pesquisas de opinião indicaram apoio dos eleitores democratas a um controle mais rigoroso da tecnologia, e o mercado espera que o novo equilíbrio político leve o Congresso a examinar o setor com mais intensidade.

Na Europa, o índice STOXX 600 avançava 1,91%. O indicador tem funcionado como uma proteção contra riscos ligados à inteligência artificial, segundo a notícia. Já o índice global de ações da MSCI subia 1,3%, em um movimento de alta que alcançava diferentes regiões.

Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos também se valorizavam. Investidores consideravam que um impasse político em Washington poderia limitar os gastos do governo. Além disso, uma regulação mais intensa da inteligência artificial poderia desacelerar o crescimento e reduzir a necessidade de aumentos das taxas de juros.

Rendimento dos títulos recua e dólar perde força

O rendimento do título de dez anos do Tesouro americano caía 0,44 ponto-base, para 4,95%, depois de ter recuado até 6 pontos-base e alcançado a mínima de 4,89%. O rendimento é a taxa de retorno associada ao título; quando ele cai, o preço do papel tende a subir. A movimentação pressionava o dólar diante de outras moedas.

O euro avançava 0,40%, cotado a US$ 1,1234, enquanto a libra esterlina subia 0,41%, para US$ 1,3469. Moedas consideradas ativos de proteção também registravam ganhos. O franco suíço valorizava-se 0,35%, a 0,818 por dólar, e o iene japonês avançava 0,07%, para 158,61 por dólar.

O petróleo continuava sujeito a fatores políticos e geopolíticos. Além da queda observada no dia, investidores avaliavam como Washington conduziria as negociações relacionadas aos conflitos na Ucrânia e no Irã. A atenção à oferta global permanecia relevante porque novos ataques nos dois conflitos poderiam afetar ainda mais o fornecimento da commodity.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Quem leu, também se interessou