Fábrica de pás eólicas do CE pede recuperação extrajudicial por dívida de R$ 1,52 bi


A fabricante de pás eólicas Aeris Energy pediu nesta terça-feira (3) recuperação extrajudicial para renegociar R$ 1,52 bilhão em dívidas. O procedimento foi protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, apesar de a empresa ter sede em Caucaia, no Ceará. Segundo a companhia, a medida busca reestruturar os pagamentos e não deve interromper as operações.

O pedido abrange dívidas sem garantias específicas e de longo prazo. Desde o ajuizamento, as cobranças relativas aos créditos incluídos no processo ficam suspensas. A decisão de recorrer ao procedimento foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração da Aeris em reunião realizada em 29 de outubro.

Plano prevê renegociação de dívidas

De acordo com a empresa, o plano estabelece parâmetros para reorganizar os débitos. As negociações podem envolver mudanças nas condições e nos prazos de pagamento, captação de receitas e alteração de garantias. Os novos prazos ainda serão consolidados em uma versão atualizada do plano, que deverá ser apresentada à Justiça para homologação.

A dívida líquida da Aeris somava R$ 1,94 bilhão em junho, valor superior aos R$ 1,52 bilhão incluídos no pedido. Em maio de 2025, a companhia já havia tentado reduzir a pressão do endividamento, ao renegociar aproximadamente 90% do montante, segundo as informações divulgadas.

O balanço de junho também registrou negociações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O principal dessa dívida era de R$ 93 milhões, além de cerca de R$ 25,5 milhões em juros. O documento da companhia não esclarece se essa obrigação está incluída no novo plano de recuperação extrajudicial.

Prejuízo aumentou no primeiro semestre

Os resultados financeiros ajudam a dimensionar a situação da fabricante. O prejuízo passou de R$ 251,2 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 290 milhões no mesmo período de 2026, alta de 15,4% na comparação anual.

Em junho, o capital de giro da companhia estava negativo em R$ 383 milhões. Esse indicador compara recursos de curto prazo disponíveis com obrigações que vencem no mesmo horizonte. Um saldo negativo aponta dificuldade para cumprir compromissos próximos usando os recursos de curto prazo registrados pela empresa.

A Aeris informou que as operações seguirão normalmente durante o processo. O pedido, portanto, trata da negociação de parte das dívidas, enquanto a empresa mantém suas atividades. A efetivação das novas condições dependerá da adesão dos credores e da análise judicial dos requisitos legais.

Como funciona a recuperação extrajudicial

Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia um plano diretamente com os credores e depois pede à Justiça que o homologue, ou seja, que confirme sua validade. O papel do Judiciário é verificar se o acordo e o procedimento respeitam a legislação. Se o plano for homologado, suas condições podem alcançar também credores abrangidos que não tenham concordado com a proposta.

Após o ajuizamento, começa um prazo de 90 dias para que a empresa obtenha apoio de credores que representem mais da metade dos créditos de cada espécie incluída no plano. Para iniciar o procedimento com esse prazo, é necessário contar previamente com a adesão de pelo menos um terço desses créditos. No caso da Aeris, o apoio inicial informado corresponde a 42,18% do valor considerado no cálculo.

Os credores são comunicados e podem contestar o plano em até 30 dias após a publicação de um edital. A Justiça analisa eventuais impugnações e verifica se os requisitos previstos na Lei de Recuperação e Falências, de número 11.101/2005, foram cumpridos.

Depois da homologação, a empresa precisa cumprir os compromissos e os prazos de pagamento definidos no plano. Ao contrário da recuperação judicial, a modalidade extrajudicial não prevê um período geral de dois anos de fiscalização judicial após a homologação. A duração do processo depende das condições acordadas com os credores.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Quem leu, também se interessou