A Argentina poderá colher 62 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27, segundo estimativa não oficial do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Buenos Aires, divulgada em relatório datado de sexta-feira. A projeção supera em 7 milhões de toneladas a previsão oficial do órgão americano e considera a expectativa de um El Niño forte e a umidade abundante nos solos das regiões produtoras.
Milho acima da estimativa oficial
A estimativa do adido para a produção argentina de milho fica cerca de 13% acima dos 55 milhões de toneladas previstos oficialmente pelo USDA para a safra 2026/27. O relatório também calcula que o país exportará 43 milhões de toneladas do grão no período, ante a projeção oficial de 38 milhões.
A diferença entre as duas estimativas de exportação é de 5 milhões de toneladas. Tanto para a produção quanto para os embarques, portanto, o relatório do adido apresenta uma perspectiva mais elevada que a do USDA. As cifras se referem à safra 2026/27 e não representam resultados já confirmados.
O cenário climático é um dos fatores considerados para o plantio. De acordo com o relatório, as previsões apontam para um fenômeno El Niño forte, enquanto os níveis de umidade do solo estão abundantes na maioria das regiões agrícolas. Nesse contexto, os produtores estão ampliando a proporção de milho semeado mais cedo em relação ao plantio tardio.
O documento afirma que, quando o clima está dentro dos padrões normais na principal região produtora de milho, as lavouras plantadas mais cedo costumam render mais do que as semeadas posteriormente. A observação relaciona o calendário de plantio à expectativa de produção, mas o relatório também aponta que as condições climáticas podem influenciar o resultado da safra.
Trigo também tem projeção maior
Para o trigo argentino, o adido estima uma produção de 23 milhões de toneladas em 2026/27. O número supera em 1,5 milhão de toneladas a previsão oficial do USDA, de 21,5 milhões. Nas exportações, a estimativa do relatório é de 17 milhões de toneladas, contra 16 milhões projetados oficialmente pelo órgão americano.
Apesar das projeções superiores, o relatório registra preocupação entre contatos do setor com o clima durante a colheita do trigo. Como grande parte da safra ainda está por ser colhida, a possibilidade de um El Niño excepcionalmente forte levanta dúvidas sobre as condições meteorológicas e o andamento dos trabalhos no campo.
O documento não detalha quanto a colheita poderia ser afetada nem apresenta uma estimativa alternativa para um cenário de clima desfavorável. A projeção de produção de 23 milhões de toneladas deve, portanto, ser lida junto com a ressalva sobre os riscos climáticos ainda presentes durante a colheita.
Diferenças entre as previsões
As estimativas do adido em Buenos Aires são classificadas como não oficiais e ficam acima das projeções oficiais do USDA para as duas culturas e para suas exportações. No milho, a diferença é de 7 milhões de toneladas na produção e de 5 milhões nos embarques. No trigo, é de 1,5 milhão na produção e de 1 milhão nas exportações.
O relatório atribui a perspectiva para o milho à combinação de umidade favorável e maior participação do plantio precoce, mas também ressalta a influência potencial do El Niño. Para o trigo, o principal alerta é a possibilidade de condições desfavoráveis antes do fim da colheita. Assim, os números apresentados para ambas as culturas são projeções para 2026/27, e o próprio documento indica que o clima pode afetar os resultados.