Agências das Nações Unidas alertaram nesta sexta-feira para o agravamento da emergência humanitária em Taiz, no Iêmen, onde forças Houthis cercam a cidade e combatem tropas do governo. O isolamento, que já dura 20 dias, impede a entrada de ajuda e dificulta a circulação de civis. Com estradas bloqueadas, a cidade enfrenta falta de combustível, alimentos e água, enquanto mais de 800 mil pessoas seguem sem acesso a auxílio humanitário.
Bloqueio interrompe a chegada de ajuda
O centro urbano de Taiz permanece isolado em meio aos confrontos na costa oeste do país. As vias de acesso foram cortadas, o que restringe a entrada de suprimentos e também o deslocamento de moradores. Jens Laerke, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, na sigla em inglês), informou que a situação dificulta o fornecimento de combustível e alimentos.
O Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês) estima que mais de 800 mil pessoas em Taiz não conseguem receber assistência humanitária. Funcionários da agência tentam restabelecer o acesso à cidade e, enquanto isso, prestam ajuda a moradores afetados em outras partes do Iêmen, segundo Azfar Deen, responsável regional de comunicações do WFP.
O bloqueio também compromete a entrada de recursos necessários para manter serviços e atender a população. A falta de diesel, por exemplo, afeta os caminhões que abastecem a cidade com água. A maioria dos residentes depende desse tipo de transporte, e a oferta disponível caiu pela metade, de acordo com Laerke.
Transporte de água fica mais caro
Com as estradas fechadas e a escassez crítica de óleo diesel, o custo para transportar água até Taiz praticamente triplicou. A redução do abastecimento e a alta do custo do transporte se somam às dificuldades já enfrentadas pelos moradores para obter suprimentos essenciais.
A dependência dos caminhões-pipa torna o acesso à água especialmente vulnerável às interrupções nas rotas e à falta de combustível. A informação divulgada pelas agências não detalha os preços cobrados nem a quantidade total de água disponível, mas aponta que a oferta na cidade foi reduzida à metade.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também manifestou preocupação com a fome no país. A agência avaliou mais de 168 mil crianças em Taiz e identificou 52 mil casos de desnutrição aguda, incluindo 11,5 mil casos de desnutrição aguda grave.
Suprimentos podem durar três meses
Os mantimentos alocados pelo Unicef para toda a província de Taiz seriam suficientes para manter os serviços essenciais por aproximadamente três meses, afirmou Ricardo Pires, porta-voz da agência. A estimativa, porém, não elimina os obstáculos para que os recursos cheguem às pessoas que precisam de atendimento.
As restrições de acesso e as interrupções nas rotas de abastecimento podem dificultar o transporte de mantimentos pelos parceiros humanitários. Também podem impedir que famílias cheguem com segurança aos locais de tratamento. Assim, a disponibilidade de suprimentos na província não garante que eles possam ser distribuídos regularmente em áreas isoladas.
Conflito amplia deslocamentos
A escalada dos confrontos entre as forças Houthis e o governo, sediado em Áden, ocorreu em setembro e rompeu a trégua estabelecida em 2022. Relatos indicam que, desde agosto, pelo menos 1.574 pessoas morreram e outras 6.939 ficaram feridas no conflito.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) registrou aproximadamente 258.679 pessoas deslocadas entre 7 de junho e 19 de outubro de 2026. A maioria veio das províncias de Taiz e Lahj. Até 17 de outubro, outros 3.836 cidadãos iemenitas chegaram ao Djibuti, fugindo da piora da situação de segurança.
As agências da ONU afirmam que muitas famílias foram deslocadas mais de uma vez. Parte busca abrigo em centros de acolhimento e em comunidades locais que já estão sobrecarregadas, enquanto as restrições de circulação dificultam tanto a chegada de ajuda quanto o acesso dos moradores a serviços e locais de tratamento.