Agropalma Previsão de Crescimento de 20% na Nova Safra Após Impactos do El Niño: O Que Esperar?


### A Agropalma e os Desafios do El Niño na Produção de Óleo de Palma no Brasil

A Agropalma, pioneira na produção de óleo de palma no Brasil, anunciou suas expectativas otimistas para a próxima safra, prevendo um aumento de cerca de 20% em relação ao ano anterior. Esta previsão surge após os impactos adversos do fenômeno climático conhecido como El Niño, que afetaram a companhia em 2023 e 2024, conforme relatado por um diretor da empresa à Reuters.

### Os Efeitos do Clima na Palma de Óleo

Cultivada na exuberante Amazônia brasileira, a palma de óleo exige um ciclo de cultivo que pode levar até duas safras para que os efeitos de mudanças climáticas se tornem evidentes. Esse período de adaptação justifica o aumento projetado para 2026, mesmo sendo este um ano de El Niño. O fenômeno frequentemente resulta em temperaturas mais elevadas e redução das chuvas, colocando em risco a produtividade agrícola.

O El Niño previsto para o ciclo 2026/27 promete ser um dos mais intensos já registrados, o que, segundo especialistas, pode afetar não apenas a produção da Agropalma, mas de outras empresas do setor, especialmente na região do Pará. O Norte do Brasil é frequentemente marcado por condições climáticas mais quentes e secas durante os anos em que o El Niño manifesta seus efeitos.

### Revolução no Entendimento Climático

André Borba, diretor agrícola da Agropalma, compartilha uma perspectiva interessante sobre as mudanças climáticas. Para ele, a terminologia “mudança climática” não traduz a realidade que estamos vivenciando. “Para nós, é mais uma ‘desordem climática’”, ressalta Borba, enfatizando que a transformação observável no regime climático vai além de alterações nas chuvas, envolvendo também variações significativas na temperatura.

### Brasil: Uma Paradoxo Agrícola

Embora o Brasil seja uma nação agrícola incrivelmente rica, ocupa uma posição peculiar na produção de óleo de palma. A maioria da produção de óleo vegetal do país provém da soja, o que torna o Brasil um importador de óleo de palma. Normalmente, a oferta no Brasil gira em torno de 600 mil toneladas anualmente, e qualquer oscilação nesta quantidade pode afetar as importações, que representam aproximadamente 30% do consumo total de 1 milhão de toneladas.

### Safra e Desafios Futuros

A última safra significativa para a Agropalma ocorreu em 2022, um reflexo dos efeitos de eventos climáticos passados. Borba explica que a formação do cacho de frutos da palma coletado em 2026 se inicia dois anos antes. Fatores como estresse hídrico e variações de temperatura podem interferir no desenvolvimento da palma, afetando a produção.

Em 2024, a Agropalma enfrentou desafios significativos devido à falta de chuvas e ao aumento das temperaturas. Esses problemas, por sua vez, foram exacerbados pelo clima adverso do ano de 2023. Apesar das dificuldades, o Brasil possui potencial para triplicar a produção de palma em uma década, utilizando áreas anteriormente desmatadas na Amazônia, impulsionado pela crescente demanda por biocombustíveis, como o SAF (Sustainable Aviation Fuel).

### Desenvolvimento e Novas Estratégias

Recentemente adquirida pelo grupo colombiano Daabon, a Agropalma prioriza o uso de 75% de frutos de produção própria, garantindo uma prática mais sustentável e integrada. O planejamento para o futuro permanece cauteloso, e Borba optou por não discutir abertamente as intenções de expansão da empresa.

#### A Nova Safra Está Chegando

Aproxima-se o início da fase de colheita, coincidente com os meses em que a produtividade é maximizada. A colheita mais abundante ocorre em outubro, com 12% da produção anual, seguida por novembro, que representa 15%, e dezembro com 10%. Em contrapartida, os menores volumes são registrados em abril, cerca de 4% da colheita.

### Clima e Crescimento: O Papel da Temperatura

A palma de óleo é uma planta que depende fortemente das condições climáticas. A temperatura e a umidade desempenham papéis cruciais em sua produção. Para que a palmeira produza adequadamente, é necessário um mínimo de 150 mm de chuva por mês. A localização da Agropalma na região Norte, próxima à linha do Equador, é estratégica, pois essa área é uma das mais chuvosas do Brasil.

A expectativa, porém, é que o El Niño traga temperaturas ainda mais elevadas, o que poderá influenciar a safra mais do que a própria escassez de chuvas. “Este ano, a temperatura média gira em torno de 29 graus Celsius, dois graus acima do normal. Os picos de calor, que normalmente atingem 32 graus, já estão alcançando 36 graus”, explica Borba.

O fenômeno deverá afetar a lavoura até fevereiro do ano seguinte, adiando o retorno das chuvas intensas, normalmente esperadas para dezembro e prolongando-se até junho.

### Implementação de Práticas Sustentáveis

Para mitigar esses desafios climáticos, a Agropalma tem implementado práticas inovadoras. Uma delas é a utilização da puerária, uma leguminosa que serve como cobertura verde. Essa estratégia reduz a temperatura do solo, permitindo que a temperatura caia de 54 para 23 graus Celsius.

Com um solo mais fresco, a empresa consegue manter a umidade adequada, minimizando os impactos da falta de chuvas e das altas temperaturas. A puerária não só ajuda a estabilizar a temperatura do solo, como também capta o nitrogênio da atmosfera, fixando-o no solo e reduzindo assim a necessidade de adubação. Adicionalmente, essa leguminosa atrai insetos predadores de pragas, diminuindo a utilização de pesticidas químicos.

### Reflexões Finais Sobre o Futuro da Agropalma

A Agropalma enfrenta um cenário desafiador, mas ao mesmo tempo repleto de oportunidades no setor agrícola. À medida que o mundo demanda soluções sustentáveis e inovadoras, a companhia demonstra como a adaptação e a implementação de práticas agrícolas sustentáveis são fundamentais para navegar a dificuldade climática.

O futuro da produção de óleo de palma pode estar em jogo, mas as lições aprendidas e as estratégias adaptativas da Agropalma são exemplos encorajadores de como a agricultura pode se reinventar frente às adversidades. A jornada continua, e as discussões sobre a sustentabilidade no setor precisam ser ampliadas e aprofundadas.

Você, leitor, o que pensa sobre as perspectivas do setor agrícola frente às mudanças climáticas? Quais soluções você acredita que podem ser implementadas para garantir a sustentabilidade da produção de óleo de palma? Compartilhe sua opinião e vamos juntos debater sobre o futuro da agricultura!

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