Analistas projetam juros do Fed e nova alta em dezembro


O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, deve manter a taxa básica de juros inalterada na reunião desta quarta-feira (28), em outubro, diante da avaliação de que a economia ainda precisa absorver o efeito do aumento realizado em setembro. A inflação persistente, porém, mantém no radar uma nova alta em dezembro. Levantamentos e projeções de XP Investimentos, BTG Pactual e Nomad indicam que o mercado espera estabilidade agora, mas considera possível um novo aperto monetário no fim do ano.

Os juros americanos estão atualmente entre 3,75% e 4% ao ano. Segundo levantamento divulgado pela XP na terça-feira (27), a probabilidade atribuída pelo mercado a uma elevação nesta reunião era de cerca de 10%. A manutenção é, portanto, o cenário predominante, mas a decisão não deve encerrar as dúvidas sobre os próximos passos do banco central.

Inflação segue acima da meta

A expectativa de estabilidade se fortaleceu nas últimas semanas, embora a inflação dos Estados Unidos continue acima do objetivo do Fed. Em setembro, o índice de preços ao consumidor, conhecido pela sigla CPI, acumulou alta de 3,7% em 12 meses. A meta de inflação perseguida pela autoridade monetária é de 2%.

Ao mesmo tempo, a atividade econômica tem demonstrado resistência, especialmente no consumo e no mercado de trabalho. Esse quadro permite ao Fed avaliar os efeitos da elevação dos juros feita em setembro antes de decidir se será necessário aumentar novamente a taxa para conter os preços.

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, avalia que as expectativas mudaram ao longo das semanas. Uma nova alta em outubro chegou a ser considerada, mas a manutenção passou a concentrar a maior parte das apostas. Para o economista, o comunicado divulgado após a decisão e eventuais divergências entre os dirigentes do Fed serão importantes para entender a orientação da política monetária nos próximos meses.

Mesmo sem mudança na taxa nesta quarta-feira, a inflação acima da meta mantém a possibilidade de juros mais altos. A decisão de esperar pode dar à autoridade monetária mais tempo para observar os indicadores e os efeitos da alta anterior, mas não significa que o ciclo de aperto tenha terminado.

Dezembro entra no radar

Em relatório divulgado na segunda-feira (26), o BTG Pactual projetou que o Fed manterá os juros no patamar atual nesta reunião, mas deixará aberta a possibilidade de elevar a taxa em dezembro. A instituição espera que os próximos indicadores apontem uma economia ainda aquecida, sustentada pelo consumo e por investimentos relacionados à inteligência artificial.

Juliana Benvenuto, coordenadora de investimentos e conteúdo da Avenue, também avalia que não há urgência para aumentar os juros imediatamente. A persistência da inflação, no entanto, continua exigindo atenção, o que ajuda a explicar por que os analistas acompanham tanto a decisão quanto a comunicação do banco central.

A próxima reunião do Fed está marcada para os dias 8 e 9 de dezembro. De acordo com levantamento publicado na terça-feira (27), as apostas do mercado já apontavam probabilidade superior a 70% de aumento dos juros naquele encontro. A diferença entre as expectativas para outubro e dezembro mostra que os investidores veem a manutenção atual como provável, mas não descartam uma nova alta caso os dados reforcem a preocupação com a inflação e a atividade econômica.

Reflexos para o Brasil

As decisões do Fed também afetam os mercados de outros países, inclusive o brasileiro. Juros mais elevados nos Estados Unidos aumentam a remuneração dos títulos do Tesouro americano, usados como referência global para investimentos considerados de menor risco de crédito. Com isso, ativos americanos podem se tornar mais atraentes em comparação com aplicações em mercados emergentes.

Esse movimento pode reduzir o interesse por ativos de países como o Brasil e produzir reflexos sobre o dólar, os juros e as bolsas de valores. O efeito depende das condições econômicas e não ocorre de forma automática: fatores domésticos também influenciam o comportamento dos investimentos.

Kayo, da Nomad, afirma que uma sinalização de um ciclo de altas mais prolongado pode pressionar as moedas de economias emergentes. Por isso, além da taxa anunciada, investidores acompanham o comunicado do Fed em busca de indicações sobre a duração do aperto monetário. Uma perspectiva de juros americanos mais altos por mais tempo pode alterar a comparação entre aplicações nos Estados Unidos e em outros mercados.

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