O Ibovespa Futuro subia no início dos negócios desta sexta-feira (6), enquanto investidores aguardavam a divulgação de dados de emprego dos Estados Unidos e buscavam segurança diante das perdas em bolsas internacionais e das preocupações com empresas de inteligência artificial (IA). Às 9h06, o índice avançava 0,54%, aos 168.375 pontos. No Brasil, também permaneciam as dúvidas sobre os rumos da política econômica do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Emprego nos EUA concentra atenção
O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgaria às 10h30 seu relatório de emprego. A expectativa era de criação de 65 mil vagas fora do setor agrícola em outubro. Os investidores também acompanhavam a previsão de desaceleração do crescimento anual dos salários para menos de 3%, o que ocorreria pela primeira vez em quase cinco anos e meio.
Uma alta salarial mais moderada reforçaria a avaliação de que o mercado de trabalho não tem sido uma fonte de inflação. Por isso, os números poderiam influenciar a leitura dos investidores sobre a economia americana. Até a divulgação, a busca por ativos considerados mais seguros se refletia na procura por títulos, enquanto bolsas da Ásia e da Europa registravam perdas.
O movimento internacional também estava ligado à venda de ações de tecnologia após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Parte dos investidores temia que o controle democrata do Congresso pudesse resultar em regras mais rígidas para o setor de IA.
Futuros de tecnologia se recuperam
Apesar das perdas em mercados asiáticos e europeus, os contratos futuros do Nasdaq avançavam, apoiados pela recuperação de ações de fabricantes de chips. A movimentação ocorria depois de uma forte queda das empresas de tecnologia ter eliminado quase US$ 3 trilhões em valor de mercado das companhias do S&P 500.
Os índices futuros de Wall Street tinham desempenho misto. Às 9h06, o Dow Jones Futuro caía 0,92%, enquanto o S&P 500 subia 0,32% e o Nasdaq avançava 1,66%. A recuperação dos papéis de chips ajudava a sustentar os contratos ligados à bolsa de tecnologia, mesmo com a cautela sobre possíveis mudanças na regulação da IA.
Política econômica e dólar no Brasil
No cenário doméstico, investidores acompanhavam os debates sobre a agenda econômica do governo Lula. Na véspera, o presidente se reuniu com autoridades e conselheiros para discutir o tema. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, Lula pediu que os ministros reduzissem a lista de medidas em análise e deixassem a validação para depois de sua viagem ao exterior.
O dólar futuro recuava 0,28% na B3, negociado a R$ 5,515. A moeda operava em baixa enquanto os investidores acompanhavam, além das notícias políticas no Brasil, a divulgação prevista dos dados americanos e a movimentação dos mercados internacionais.
Ásia recua e commodities têm sinais distintos
As bolsas da região Ásia-Pacífico fecharam majoritariamente em queda, pressionadas por uma onda de vendas de ações de tecnologia. Na Coreia do Sul, o Kospi chegou a recuar 8,8%, acionando um mecanismo automático de interrupção das negociações. No Japão, o Nikkei 225 caiu 5,96%.
Entre as commodities, os preços do petróleo caíam, com investidores avaliando os riscos de uma nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã após as eleições de meio de mandato. Já o minério de ferro negociado na China encerrou com ligeira alta e registrou o segundo avanço semanal consecutivo. As cotações foram impulsionadas pela expectativa de novos cortes no preço do coque, que poderiam aliviar os custos das siderúrgicas.