Ânima (ANIM3) tem lucro líquido de R$ 88,7 milhões, alta anual de 142,7%


A Ânima Educação teve lucro líquido de R$ 88,7 milhões atribuível aos controladores no terceiro trimestre de 2026, alta de 142,7% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado acompanhou o crescimento da receita e do desempenho operacional, enquanto a companhia registrou melhora na evasão de alunos do Ânima Core e redução da dívida líquida em relação ao trimestre anterior.

Receita e resultado avançam

A receita líquida consolidada somou R$ 1,08 bilhão, crescimento de 7,9% na comparação anual. O EBITDA ajustado, indicador de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, excluindo os efeitos do padrão contábil IFRS 16, aumentou 14,6%, para R$ 347,3 milhões. A margem desse indicador subiu de 30,1% para 32,0%.

O resultado operacional ajustado cresceu 11,3%, para R$ 501 milhões. Já o lucro líquido ajustado atribuível aos controladores — que exclui itens não recorrentes e a amortização de intangíveis relacionados a aquisições — avançou 93,9%, para R$ 97,5 milhões.

Entre janeiro e setembro, a receita líquida chegou a R$ 3,2 bilhões, alta de 6,7%. No mesmo período, o EBITDA ajustado ex-IFRS 16 atingiu R$ 1,03 bilhão, avanço de 9,9%, e o lucro líquido dos controladores somou R$ 224 milhões, crescimento de 58%.

Evasão se estabiliza no Ânima Core

A evasão de alunos no Ânima Core ficou em 12,7% no 3T26, praticamente estável ante os 12,6% registrados um ano antes. A companhia também informou que a atração de alunos na graduação cresceu 4,7% no trimestre.

O diretor financeiro da Ânima, Atila Simões da Cunha, afirmou que a evasão havia sido pressionada no segundo trimestre pela adaptação antecipada dos cursos semipresenciais às regras do novo marco regulatório da educação a distância. Segundo ele, o Ministério da Educação (MEC) exigia a mudança até maio de 2027, mas a empresa a implementou em janeiro de 2026.

“Isso gerou uma insatisfação dos alunos, essa insatisfação gerou uma evasão um pouco maior, especialmente no começo do semestre”, disse Atila. O executivo afirmou que a evasão em junho já havia ficado abaixo da registrada no mesmo mês de 2025, movimento que se confirmou na virada do semestre.

No segmento, a receita líquida subiu 11,7%, para R$ 617,2 milhões. O valor médio mensal pago no ensino acadêmico, chamado de ticket médio, aumentou 14,8%, para R$ 1.033. A empresa atribuiu parte da alta à redução de bolsas comerciais entre alunos veteranos que renovaram a matrícula; sem esse efeito, o crescimento seria de cerca de 10%.

O resultado operacional do Ânima Core avançou 24,9%, para R$ 257,7 milhões. A margem operacional, proporção desse resultado em relação à receita, passou de 37,4% para 41,8%.

Desempenho varia entre os segmentos

O Ensino Digital teve receita líquida de R$ 64,6 milhões, queda de 14,2%. A atração de alunos recuou 15,2%, em meio às restrições do novo marco regulatório e a um critério de matrícula mais rigoroso, que considera apenas estudantes que pagaram o primeiro boleto. De acordo com a Ânima, se fossem considerados apenas os cursos oferecidos nos dois ciclos, a atração teria crescido 16,4%. O resultado operacional caiu 15%, para R$ 36,7 milhões.

A Inspirali, braço de medicina da companhia, registrou receita líquida de R$ 404 milhões, alta de 6,9%, e resultado operacional de R$ 206,6 milhões, avanço de 3%. A margem operacional recuou de 53,1% para 51,1%. A empresa associou a queda a investimentos em convênios e preceptorias, além do aumento da provisão para devedores duvidosos. A base de Educação Médica Continuada cresceu 34,3%, com a aquisição da Caliper Escola de Imagem em agosto.

Caixa, dívida e planos para 2027

A geração de caixa operacional foi de R$ 445,1 milhões, alta de 16,6%. A geração de caixa da empresa, por outro lado, caiu 4%, para R$ 396,3 milhões. Segundo a companhia, o resultado foi pressionado pelo capital de giro: o contas a receber aumentou com o maior volume de financiamento privado e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), e a Ânima não antecipou recebíveis no período. O prazo médio de recebimento subiu nove dias, para 91 dias.

A dívida líquida ajustada recuou 6,3% ante o segundo trimestre, para R$ 2,83 bilhões. A alavancagem — relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado ex-IFRS 16 dos últimos 12 meses — caiu para 2,18 vezes, ante 2,41 vezes no trimestre anterior e 2,40 vezes um ano antes. O caixa e as aplicações financeiras totalizavam R$ 2,07 bilhões no fim de setembro. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 185,3 milhões, piora de 1,5% na comparação anual.

Entre os movimentos para os próximos meses, Atila citou a aquisição da FMU, que reúne 51 mil alunos e ainda aguarda análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O fechamento é esperado nos próximos meses. Também mencionou o acordo de longo prazo entre a Inspirali e o Hospital Israelita Albert Einstein, divulgado em 19 de outubro, para serviços de consultoria em educação médica.

Sobre 2027, o diretor financeiro afirmou que a companhia está adaptada a juros altos e manteve a geração de caixa e a redução da alavancagem mesmo com a Selic a 15%. Ele avaliou que uma eventual mudança na escala de trabalho 6×1 teria impacto direto limitado, mas apontou que regras específicas para o setor, sobretudo na relação com professores, ainda dependem de definição.

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