Startup comandada por mulheres incorpora cultura rural à estratégia de marca


Durante o Mês Nacional do Empreendedorismo, celebrado em novembro nos Estados Unidos, a trajetória das irmãs Stephanie e Hayley Painter mostra como um negócio criado em uma região rural pode ampliar oportunidades para produtores locais. Cofundadoras da Painterland Sisters, elas desenvolveram uma marca de skyr orgânico, um produto lácteo ao estilo islandês, para agregar valor ao leite da propriedade da família e reduzir a dependência das oscilações de preço da matéria-prima.

Um estudo de Li, Entsminger e Stephens publicado na revista Small Business Economics aponta que mulheres de áreas rurais têm maior probabilidade de abrir empresas por necessidade, especialmente quando há poucas oportunidades de emprego na região. Depois de estabelecidos, porém, esses negócios podem ampliar as possibilidades econômicas das comunidades. O artigo também identifica o capital social — as relações e redes de apoio locais — e a proximidade de áreas metropolitanas como fatores que influenciam o empreendedorismo feminino.

Um produto para dar estabilidade à fazenda

As irmãs cresceram em uma propriedade leiteira da Pensilvânia que está na quarta geração da família. A intenção de criar um produto próprio surgiu da necessidade de fortalecer a viabilidade econômica da fazenda e encontrar uma fonte de receita menos vulnerável às variações do mercado de leite vendido como matéria-prima. Elas queriam permanecer na propriedade por várias gerações e, desde crianças, imaginavam criar seus filhos ali.

“Queríamos receber um preço justo e estável por aquilo que produzíamos”, afirmou Hayley. A ideia inicial era abrir uma loja na própria fazenda e vender diretamente aos consumidores. Mas a propriedade tem 400 vacas, e o leite precisa ser utilizado em poucos dias. As irmãs concluíram que um único ponto de venda não teria capacidade para absorver o volume produzido.

Em vez disso, buscaram uma marca que pudesse transformar grandes quantidades de leite em um produto de maior valor e alcançar mercados mais amplos. Após visitar lojas e pesquisar outros mercados durante anos, escolheram o skyr orgânico. A produção é feita por uma empresa terceirizada na Pensilvânia, parceira que, segundo o relato, tinha capacidade para atender às especificações do produto e compartilhava os valores das empreendedoras.

O leite integral orgânico usado na fabricação vem da propriedade da família e de outras fazendas familiares próximas. As colinas da Pensilvânia favorecem o pastejo, prática compatível com a produção orgânica, que exige acesso das vacas às pastagens. Para produtores da região, esse modelo pode permitir o recebimento de um valor adicional por práticas já adotadas ou que exigem uma transição limitada.

Da produção local à distribuição nacional

Desde o lançamento, a Painterland Sisters ampliou a linha de produtos e chegou a mais de 6 mil lojas nos 50 estados americanos. Nesse processo, Stephanie e Hayley precisaram aprender sobre desenvolvimento de produtos, captação de recursos, expansão no varejo e aumento da escala de operação. Também enfrentaram as exigências de um setor de bens de consumo embalados, conhecido pela sigla em inglês CPG, que reúne produtos fabricados em escala e vendidos em embalagens no varejo.

Para Hayley, a distância dos grandes centros e a dimensão reduzida da comunidade impunham limites. “Quando sua comunidade tem apenas 1.200 habitantes, você percebe rapidamente que talvez precise pensar em algo maior do que vender produtos de valor agregado aos vizinhos”, disse. As irmãs também queriam ajudar outras fazendas a encontrar mercados mais favoráveis. Segundo Hayley, a empresa hoje contribui para sustentar mais de 170 propriedades rurais, oferecendo preços mais estáveis para que as famílias tenham renda suficiente para viver.

A empreendedora descreveu o apoio disponível no campo como mais restrito. “É um pouco solitário nas áreas rurais, e o apoio do comércio varejista, dos investidores e das organizações de desenvolvimento empresarial é mais limitado”, afirmou. Ao mesmo tempo, disse que a ligação com a comunidade ajudou as irmãs a manter o foco: “Conseguimos manter nossos pés no chão porque estávamos cercadas pelas pessoas que queríamos apoiar com nosso produto feito com matérias-primas de origem local”.

Conexão com consumidores e desafios de crescimento

Nos primeiros anos, a conexão confiável à internet era limitada. A dificuldade ganhou peso durante a pandemia de Covid-19, quando a comunicação digital e as plataformas de venda on-line se tornaram importantes para empresas de alimentos voltadas ao consumidor. Depois que conseguiram acesso mais confiável, as irmãs puderam conduzir mais atividades remotamente, apesar da distância dos centros urbanos.

A pandemia também coincidiu com um interesse maior dos consumidores por agricultores, áreas rurais e espaços abertos. Para a marca, esse contexto favoreceu a comercialização de um produto associado à cultura rural. Ainda assim, conquistar espaço nas lojas continua sendo um desafio. Hayley disse que chamar a atenção de varejistas e obter retorno de novos parceiros comerciais exige esforço constante. Quando conseguem chegar a essas conversas, as irmãs apresentam tanto o produto quanto sua ligação com a produção local.

A experiência da Painterland Sisters ilustra como uma empresa rural pode conectar uma propriedade familiar a consumidores de diferentes regiões. Ao processar o leite em um produto de maior valor agregado e trabalhar com outras fazendas, o negócio criou uma alternativa à venda da matéria-prima e ampliou sua presença no mercado, embora a expansão continue dependendo do acesso a varejistas e parceiros comerciais.

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