A agricultura está passando por uma transformação inovadora: os agricultores começaram a adotar a prática de cobrir suas lavouras com painéis solares. Essa estratégia não só protege as culturas dos raios solares diretos, como também resulta em um aumento significativo na produtividade e, consequentemente, na renda dos produtores. Essa combinação inteligente de produção de alimentos e geração de energia recebe um nome especial: agrivoltaica.
A agrivoltaica é uma junção da produção agrícola, que utiliza a luz solar para cultivar alimentos, e a tecnologia fotovoltaica, que transforma essa mesma luz em eletricidade. Este conceito está se difundindo rapidamente, especialmente nos Estados Unidos e até no Canadá, onde o clima é mais rigoroso. A pergunta que fica é: quem se beneficia mais com essa prática, canadenses ou americanos?
Canadá e EUA: A Corrida pela Agrivoltaica
No Canadá, as fazendas solares foram pioneiras ao implementar um modelo exclusivo de agrivoltaica, que envolve a criação de ovelhas. As usinas solares proporcionam sombra ao solo, criando um microambiente favorável ao crescimento de pastagens, que se aproveitam desse sombreamento. O resultado? Uma produção de pasto maior sob os painéis solares.
Além disso, as ovelhas ajudam a controlar as ervas daninhas nas instalações solares, reduzindo os custos de manejo para os proprietários. Um estudo analisou a rentabilidade desse modelo e concluiu que os pastores que utilizam a técnica de pastoreio solar estão colhendo lucros bem acima da média. Em contraste, os pastores tradicionais no Canadá recebem em média US$ 58 mil por ano, enquanto os pastores solares podem dobrar ou até triplicar esse valor.
Os Estados Unidos, não querendo ficar para trás, têm investido fortemente em sistemas agrivoltaicos com variadas configurações por todo o país.
Opiniões sobre a Agrivoltaica no Canadá e nos EUA
No cenário atual, os EUA têm mais instalações agrivoltaicas do que o Canadá, mas a comparação não é tão simples. Para entender a aceitação da agrivoltaica, foram realizados estudos em ambos os países. Um levantamento no Canadá revelou que apenas 1% do potencial agrivoltaico seria suficiente para eliminar a dependência de eletricidade gerada por combustíveis fósseis.
É fundamental compreender as percepções das comunidades rurais, pois elas estão no centro da agricultura e da transição energética. Um estudo canadense indicou que 85,8% dos entrevistados apoiam a agrivoltaica, com ênfase em sistemas elevados que obtiveram 92,6% de aprovação. Já os sistemas integrados a estufas e o pastoreio solar também receberam altas taxas de apoio.
No entanto, as preferências variam entre as regiões: Nova Escócia, Manitoba e Colúmbia Britânica mostraram os índices mais altos de aceitação, enquanto o Yukon apresentou os menores números.
Nos EUA, outra pesquisa revelou que 81,8% dos entrevistados estariam mais propensos a apoiar o desenvolvimento solar caso ele envolvesse a produção agrícola em um sistema agrivoltaico. Isso indica uma abordagem que pode aumentar a aceitação local e agilizar a implementação de projetos. Os participantes preferem projetos agrivoltaicos que:
- Ofereçam benefícios econômicos para agricultores e comunidades locais;
- Não estejam localizados em propriedades públicas;
- Não ameacem interesses locais;
- Assegurem a distribuição equitativa dos lucros gerados.
Identificar como o público vê oportunidades e preocupações em relação ao desenvolvimento agrivoltaico pode aprimorar o design e posicionamento dos sistemas nos Estados Unidos.
Quem está à frente: Canadá ou EUA?
Num primeiro olhar, os índices de apoio público entre os dois países podem sugerir que os canadenses são mais fãs da agrivoltaica (86% contra 82%). Entretanto, é importante olhar para as nuances. O estudo canadense abrangeu um espectro mais amplo da população, enquanto o levantamento americano se concentrou em Michigan e Texas, que já têm várias instalações agrivoltaicas.
Embora esses estados sejam relevantes, eles são apenas uma fração do total de instalações nos EUA, com Minnesota se destacando como líder. Se estados como Califórnia e Nova York, que também impulsionam a agrivoltaica, fossem incluídos na pesquisa, será que o apoio americano aumentaria? Isso nos leva a refletir: um novo estudo seria pertinente. Contudo, o consenso é claro: a população norte-americana, de modo geral, apoia a agrivoltaica, sempre que implementada de forma correta. O México também mostra interesse em adotar essa tecnologia.
A agrivoltaica realmente se revela como uma solução vantajosa, permitindo não apenas a preservação da produção de alimentos e dos empregos no setor agrícola, mas também a geração de eletricidade renovável a um custo reduzido.
Desafios para a Agrivoltaica
Embora a agrivoltaica mostre grande potencial, sua adoção enfrenta desafios que variam conforme a região. O Vaticano, por exemplo, já opera 100% com energia agrivoltaica. Minnesota se destaca por sua legislação favorável ao desenvolvimento de projetos solares, simplificando o processo para desenvolvedores.
Por outro lado, em algumas jurisdições, regulamentações e inércias dificultam a expansão. Em Ontário, por exemplo, as regras, embora estejam sendo ajustadas, ainda tornam a prática ilegal em determinadas áreas. Ninguém gostaria de impedir um agricultor de melhorar sua terra para potencializar a produção.
Entretanto, iniciativas como a do Agrivoltaics Canada, que lançou um processo para projetos de grande escala incluindo pastoreio solar, prometem mais empregos para pastores e uma maior presença de ovelhas na região.
Os únicos que podem perder com isso são os países exportadores de ovelhas, como Austrália e Nova Zelândia. Ao final, é possível observar que tanto os EUA quanto o Canadá têm muito a ganhar com essa prática.












