Auxiliares atribuem ausência de Galípolo em reunião com Lula ao silêncio do Copom


O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, não participará da reunião convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir os rumos da política econômica no quarto mandato. O encontro, marcado para esta quinta-feira, reunirá integrantes do governo e economistas; segundo auxiliares de Lula, Galípolo ficará de fora por causa do período de silêncio do Comitê de Política Monetária (Copom).

Restrição coincide com decisão sobre juros

O período de silêncio impede que o presidente e os diretores do BC façam manifestações públicas sobre a conjuntura econômica, a taxa básica de juros, o câmbio e as decisões do colegiado. A restrição começa uma semana antes da reunião do Copom e termina uma semana depois da divulgação da decisão.

A reunião de Lula ocorrerá um dia depois de o comitê interromper o ciclo de redução dos juros e manter a Selic, taxa básica da economia, em 13,75% ao ano. A coincidência entre a decisão e o encontro presidencial explica, segundo auxiliares do petista, a ausência de Galípolo. O presidente do BC não participará da conversa neste momento em que o colegiado está sujeito às regras de comunicação do período de silêncio.

Com a ausência, a discussão sobre a conjuntura econômica ocorrerá sem a presença do chefe da autoridade monetária. O encontro foi convocado por Lula de última hora e reúne representantes do governo, um presidente de banco público, ex-integrantes da equipe econômica e economistas convidados.

Governo reúne equipe e economistas

Foram chamados o ministro da Fazenda, Dario Durigan; o ex-ministro Fernando Haddad; o ministro do Planejamento, Bruno Moretti; o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante; e o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Melo. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega também recebeu convite.

O grupo inclui ainda os economistas Laura Carvalho e Eduardo Moreira, descritos como de viés mais progressista. A composição reúne, portanto, integrantes da administração federal e nomes de fora do governo para uma conversa sobre a situação econômica do país. De acordo com integrantes do governo, esta é a primeira rodada de encontros em que Lula pretende ouvir opiniões sobre o tema.

A reunião também marca uma ampliação do formato das conversas econômicas do presidente. Até agora, Lula vinha tratando desses assuntos em um núcleo restrito. A rodada atual abre espaço para ouvir um conjunto maior de participantes, e a expectativa de integrantes do governo é que ocorram novos encontros com outros economistas e também com empresários.

Sem previsão de anúncio fiscal

Interlocutores de Lula avaliam que não há previsão de anúncio de medidas de ajuste fiscal após a reunião. Segundo esses auxiliares, o presidente está em uma fase de escuta, e o encontro tem como objetivo reunir opiniões sobre a conjuntura, não anunciar mudanças na política econômica.

O formato não significa, segundo os interlocutores citados, que decisões fiscais serão apresentadas ao fim da conversa. A expectativa relatada pelo governo é de continuidade das consultas em outras reuniões, com novos participantes. Não foram informadas datas para os próximos encontros nem quais economistas ou empresários serão chamados.

Apesar do mau humor do mercado financeiro desde a eleição de Lula, o presidente evita sinalizar nomes para a equipe econômica de seu quarto mandato. Aliados avaliam que ele só deverá apontar os auxiliares a partir do fim do mês. Até lá, a reunião desta quinta-feira integra uma etapa de escuta, enquanto a divulgação de nomes para a equipe permanece sem definição.

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