Os preços do café no Vietnã recuaram na quinta-feira em meio ao aumento da oferta durante o início da colheita de 2026/27. Produtores do Planalto Central, principal cinturão cafeeiro do país, ofereceram os grãos por valores inferiores aos da semana anterior. A expectativa de que a safra alcance produção semelhante à do ciclo passado também compõe o cenário observado pelo mercado.
Preços recuam com a colheita
As ofertas no Planalto Central ficaram entre 83.000 e 84.000 dongs vietnamitas por quilo, equivalentes a US$ 3,23 e US$ 3,27, respectivamente. Na semana anterior, os preços variavam de 88.000 a 89.000 dongs por quilo. A diferença de 5.000 dongs entre os limites correspondentes das duas faixas indica a extensão da queda reportada.
O movimento ocorre enquanto a nova safra começa a chegar ao mercado. Segundo comerciantes, a colheita de 2026/27 já teve início em várias áreas do Planalto Central e deve atingir o pico até o fim de novembro. Com mais grãos disponíveis à medida que os trabalhos avançam, a oferta tende a pressionar os preços internos, de acordo com os participantes do mercado consultados.
Um comerciante com sede na região afirmou que a produção esperada deve ser satisfatória e equivalente à do ano passado. A avaliação aponta para uma safra sem redução em relação ao ciclo anterior, mas a notícia não apresenta uma estimativa de volume total para a produção de 2026/27. A chegada dos grãos e o ritmo da colheita seguem, assim, como fatores que os agentes acompanham para avaliar a pressão sobre os preços.
Futuros têm direção diferente
Enquanto as ofertas físicas no Vietnã caíram, os contratos futuros de café robusta para janeiro fecharam em alta na quarta-feira. O contrato avançou 0,6%, para US$ 3.228 por tonelada métrica. Futuros são contratos negociados para entrega ou liquidação em uma data posterior e podem apresentar variação diferente da observada nos preços oferecidos por produtores no mercado local.
Os dois movimentos se referem a mercados e referências distintas: de um lado, os preços em dongs por quilo praticados no Planalto Central; de outro, o contrato de robusta cotado em dólares por tonelada. A alta registrada na bolsa na quarta-feira não altera o recuo das ofertas locais informado para a quinta-feira. Os dados disponíveis não detalham os fatores que levaram o contrato futuro a subir naquele pregão.
Exportações crescem em outubro
As exportações vietnamitas de café somaram 114.000 toneladas em outubro, alta de 60,6% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados estatísticos do governo. O crescimento mensal ocorreu no período em que a colheita de 2026/27 começou em diversas regiões produtoras, embora os números apresentados não informem quanto do volume exportado correspondeu a grãos da nova safra.
No acumulado de janeiro a outubro, os embarques alcançaram 1,57 milhão de toneladas, aumento de 18,8% ante igual intervalo do ano anterior. O resultado reúne os dez primeiros meses do ano e mostra expansão das exportações em comparação anual. A notícia não informa valores em dinheiro nem separa os embarques por tipo de café.
Os dados de preços, safra e comércio exterior mostram situações que coexistem no mercado vietnamita: as ofertas locais diminuíram em meio ao avanço da colheita, os embarques cresceram em outubro e no acumulado do ano, e o contrato futuro de robusta terminou a quarta-feira em alta. Para os produtores, a previsão de maior oferta até o pico da colheita mantém a pressão baixista sobre os preços internos, segundo os comerciantes ouvidos.

