A BB Seguridade (BBSE3) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,432 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 5,1% em relação a igual período de 2025. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o resultado avançou 13%. Segundo a companhia, a retração anual foi pressionada principalmente pelas contribuições menores da BrasilSeg e da BB Corretora.
A diferença em relação ao terceiro trimestre do ano passado foi de R$ 129,8 milhões. A redução nas contribuições das duas empresas foi parcialmente compensada pelo avanço do resultado financeiro líquido da holding BB Seguridade. O resultado financeiro combinado das empresas do grupo somou R$ 655,7 milhões no período, recuo de 8,3% em um ano.
BrasilSeg e BB Corretora reduzem contribuições
A BrasilSeg contribuiu com R$ 101,2 milhões a menos para o resultado. A companhia atribuiu a diminuição ao menor volume de prêmios ganhos, ao aumento do índice combinado e à queda do resultado financeiro líquido. O balanço não detalha, no trecho divulgado, os valores individuais de cada um desses efeitos.
A contribuição da BB Corretora recuou R$ 58,9 milhões. Nesse caso, pesaram a redução das receitas de corretagem nos segmentos de seguros e títulos de capitalização, além da diminuição do resultado financeiro líquido. A melhora do resultado financeiro líquido da holding compensou parte dessas perdas, mas não foi suficiente para evitar a queda do lucro anual.
O resultado financeiro combinado das empresas também foi afetado por mudanças nas aplicações e nos passivos. A BB Seguridade informou que o saldo médio das aplicações financeiras combinadas caiu 4,9% na comparação anual. A companhia citou ainda a menor taxa média da Selic, a taxa básica de juros da economia, e o aumento do custo dos passivos da Brasilprev.
Provisão da Brasilprev afeta resultado financeiro
Na Brasilprev, o custo dos passivos foi influenciado pela menor deflação do IGP-M, índice de inflação, com defasagem de um mês: a variação passou de 2,1% para 1,9%. Também houve a constituição de uma provisão complementar de cobertura (PCC) de R$ 65,6 milhões. No terceiro trimestre de 2025, em vez de uma provisão, a empresa havia registrado uma reversão de R$ 43,6 milhões.
O relatório não informa um valor consolidado de marcação a mercado da carteira de negociação de todas as empresas do grupo no trimestre. Para a Brasilprev, porém, o efeito foi positivo em R$ 75,7 milhões. Um ano antes, havia sido negativo em R$ 45,8 milhões.
A composição dos investimentos também mudou entre setembro de 2025 e setembro de 2026. Os títulos pós-fixados, cuja remuneração acompanha um indicador, passaram de 45,3% para 47,7% da carteira das empresas da BB Seguridade. A parcela em títulos indexados à inflação recuou de 40,5% para 38,4%, enquanto a participação dos prefixados diminuiu de 14,1% para 13,9%.
Resultado operacional também recua
Além do lucro, a BB Seguridade apurou resultado operacional recorrente não decorrente de juros de R$ 2,618 bilhões no terceiro trimestre, queda de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O indicador reúne os resultados operacionais recorrentes das empresas investidas, ponderados pela participação acionária da holding.
Esse indicador não corresponde ao resultado financeiro, que inclui os efeitos relacionados às aplicações e aos passivos. No trimestre, o resultado financeiro combinado caiu 8,3% em um ano, enquanto o resultado operacional recorrente sem juros recuou 3%. Os dados mostram comportamentos distintos entre as duas parcelas que compõem o desempenho das empresas do grupo.