A Bradsaúde (SAUD3) anunciou a distribuição de R$ 1 bilhão em dividendos após registrar lucro líquido de R$ 1,08 bilhão no terceiro trimestre de 2026, alta de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado superou a estimativa do BTG Pactual, que manteve recomendação de compra para a ação e preço-alvo de R$ 18. O banco avalia que o desempenho pode abrir espaço para revisões positivas nas projeções de lucro da companhia.
Pagamento será feito em março de 2027
O valor anunciado equivale a aproximadamente R$ 0,342 por ação, com pagamento previsto para 30 de março de 2027. Terão direito aos dividendos os investidores que mantiverem ações da empresa ao final do pregão de 30 de outubro. A partir de 3 de novembro, os papéis serão negociados sem o direito a essa distribuição.
Considerando a cotação de R$ 15,42 usada pelo BTG em relatório divulgado na quarta-feira (21), o dividendo representa um dividend yield de cerca de 2,2%. O indicador mostra a relação entre o valor pago por ação e o preço do papel.
Com o novo anúncio, a companhia soma R$ 1,48 bilhão em proventos declarados em 2026. Desse total, R$ 480 milhões correspondem a juros sobre capital próprio (JCP), modalidade de remuneração a acionistas informada anteriormente.
Receita ficou em linha com estimativas
A receita da Bradsaúde chegou a R$ 14,3 bilhões no trimestre, em linha com as projeções. O lucro líquido, por sua vez, ficou 8% acima do esperado pelo BTG. O banco atribuiu o resultado melhor ao desempenho dos planos de saúde, ao controle de despesas e à redução da carga tributária efetiva.
Um dos indicadores acompanhados pelos analistas foi a sinistralidade consolidada, que mede a parcela dos recursos destinada a cobrir despesas assistenciais. O índice ficou em 84,5%, abaixo dos 85,4% projetados pelo BTG. Apesar de ter subido 0,5 ponto percentual em um ano, o resultado foi melhor do que a estimativa do banco. Uma sinistralidade menor significa que uma parte menor da receita é consumida pelos custos de atendimento aos beneficiários.
A Bradesco Saúde, principal operação do grupo, teve alta de 9,5% nos prêmios ganhos, que somaram R$ 13,5 bilhões. O lucro líquido da divisão avançou 14% em 12 meses, para R$ 857 milhões. No trimestre, a empresa adicionou 51 mil beneficiários de planos médicos, abaixo dos 83 mil que o BTG esperava.
Na Atlântica Hospitais, o lucro líquido cresceu 191%, para R$ 53 milhões. Ao fim de setembro, a operação contava com 2.278 leitos em funcionamento e 4.449 leitos contratados.
BTG vê possibilidade de revisão das projeções
Para Samuel Alves e Maria Resende, analistas do BTG Pactual, a melhora dos resultados operacionais foi determinante para a surpresa positiva no trimestre. Com o desempenho, o banco passou a considerar que sua estimativa de lucro líquido de R$ 4,6 bilhões para 2026 pode estar conservadora.
Nos 12 meses encerrados em setembro, a Bradsaúde acumulou lucro líquido de R$ 4,3 bilhões, crescimento de 23% na comparação anual. O BTG também avalia que o quarto trimestre terá uma base de comparação mais favorável, o que pode contribuir para reduzir a sinistralidade em relação a 2025.
O banco aponta, por outro lado, que a perspectiva de queda dos juros pode pressionar o resultado financeiro da companhia, que mantém uma posição relevante de caixa e aplicações. Ainda assim, com as ações negociadas a menos de nove vezes o lucro projetado para 2027, o BTG manteve a recomendação de compra e o preço-alvo de R$ 18 para os próximos 12 meses.
Em relação à cotação de R$ 15,42 considerada no relatório, esse preço-alvo indica potencial de valorização de 16,7%. O BTG afirma que os resultados do trimestre podem levar a revisões positivas nas projeções de lucro da empresa.