Cacau Indígena: Como o Xingu Multiplica Seu Valor em Até 47 Vezes!


A Revolução do Cacau na Amazônia: O Legado de Katyana Xipaya

“Queremos mostrar que o indígena produz, empreende e gera renda sem destruir a floresta. Nosso chocolate nasce da terra e da história do nosso povo”, afirma a líder indígena Katyana Xipaya, aos 39 anos, representando a comunidade ribeirinha Jericoá 2. Seu depoimento à Forbes Agro revela uma transformação econômica significativa na reserva indígena Volta Grande do Xingu, localizada na região central-norte do Pará, perto dos municípios de Altamira e Vitória do Xingu.

Uma Mudança Através da Agregação de Valor

A proposta de Katyana passa pela valorização do cacau nativo. Um quilo de amêndoas secas, que pode ser vendido por cerca de R$ 15, tem potencial para se transformar em chocolate artesanal, gerando até R$ 700 em receitas — um crescimento impressionante de 47 vezes. Esse avanço econômico se enquadra em um projeto de bioeconomia que Katyana lidera, unindo tradições indígenas e práticas agrícolas sustentáveis.

Cacau: Um Conhecimento Milenar

Os Xipaya, um povo indígena que habita a bacia dos rios Iriri e Curuá no sudoeste do Pará, sempre tiveram uma relação íntima com o cacau, essencial na dieta da comunidade e agora, em uma nova era, como um produto de valor de mercado. Katyana observa: “Quando vendemos apenas a amêndoa, o retorno é baixo. Produzir chocolate muda essa realidade, mantendo o valor dentro da comunidade.

Reconhecimento Internacional e Sustentabilidade

O chocolate de Katyana, que tem sua própria marca, Sidjä Wahiü, que significa “Mulher Forte” na língua Xipaya, já começa a ter repercussão internacional. Em janeiro, seu trabalho foi destacado pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), colocando o cacau do Médio Xingu entre exemplos globais de bioeconomia. “Esse reconhecimento mostra que o saber do nosso povo tem valor. Ele pode gerar renda para as famílias e manter a floresta em pé”, destaca Katyana.

Uma Nova Era Para o Cacau Brasileiro

Atualmente, a produção de cacau na região tem crescido. Embora o Pará possua uma área de cultivo 2,6 vezes menor que a Bahia, ele se tornou o maior produtor de cacau do Brasil, com uma previsão de colheita de 162,1 mil toneladas, correspondendo a 52,2% da produção nacional. Isso é combinado com uma valorização significativa dos preços, onde o Valor Bruto da Produção (VBP) do cacau saltou de R$ 4,35 bilhões em 2023 para R$ 11,58 bilhões em 2025.

Do Cacau ao Chocolate Artesanal

A produção indígena é processada na fábrica Cacauway, vinculada à Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica (Coopatrans), em Medicilândia (PA). Eles pagam R$ 19 por quilo da amêndoa, 27% a mais do que o preço médio do mercado, e destinam 50% do lucro direto para as comunidades indígenas. “A ideia nunca foi apenas vender o cacau. Queríamos colocar nossa marca e mostrar a força de nossa cultura”, afirma Katyana.

O Futuro da Produção

Katyana sonha em construir uma biofábrica no território da comunidade, onde todo o processo de produção do chocolate, desde a fermentação até a finalização, ocorra localmente. “Atualmente, temos parcerias valiosas, mas queremos que o valor do chocolate fique 100% aqui”, compartilha.

Um Legado de Tradição e Resiliência

A trajetória de Katyana e seu envolvimento com o cacau é profundamente pessoal. Criada por seu avô, Miguel, que cultivava cacau desde a década de 1970, ela revisita suas raízes para encontrar novas oportunidades. “Meu avô fazia chocolate para nós em casa. Era simples, mas abrigava o conhecimento que hoje transformei em trabalho”, recorda.

Após a morte do avô, Katyana enfrentou desafios. “O trabalho com o cacau me tirou do fundo do poço. Quando olhei para o que meu avô ensinou, percebi que poderia transformar essa tradição em uma chance para nosso povo.

Uma Nova Economia Verde

Na reserva Volta Grande do Xingu, o conhecimento passado de geração para geração agora adquire um novo sentido econômico. O cacau lentamente se transforma em uma oportunidade para a comunidade, demonstrando que é possível gerar riqueza enquanto se protege a floresta.

O Impacto Social e Ambições Futuras

Através do conhecimento e da cultura, o projeto de Katyana planta sementes para um futuro mais próspero. Esse trabalho não só garante uma renda para as famílias, mas também capacita a nova geração, como seu filho Saíd Eduardo, que sonha em contribuir para a produção local após finalizar seus estudos em Agronomia.

“Estamos construindo um caminho para nossos filhos ficarem em casa, sem precisar abandonar nossas terras em busca de oportunidades”, conclui Katyana.

Considerações Finais

O exemplo de Katyana Xipaya e sua comunidade está muito além de um simples empreendimento; é uma demonstração de como a sabedoria ancestral pode se conectar às demandas atuais e futuro das economias sustentáveis. O cacau, que uma vez foi parte da alimentação local, agora se revela como um pilar capaz de sustentar e valorizar a cultura indígena.

Invitamos você a refletir sobre as possibilidades que projetos como esse trazem para as comunidades e o meio ambiente. Que outras tradições podem se reinventa para se tornarem um motor de mudança positiva?

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