Café recua no Vietnã antes do pico da colheita, enquanto prêmios sobem na Indonésia


Os preços do café no Vietnã caíram nesta quinta-feira (29), antes do pico da colheita, enquanto as cotações globais recuaram. Na Indonésia, por outro lado, aumentaram os prêmios pedidos pelos vendedores de café robusta, segundo comerciantes.

Preços vietnamitas atingem menor nível desde junho

Nas Terras Altas Centrais, principal região produtora do Vietnã, os cafeicultores venderam os grãos por valores entre 88.000 e 89.000 dongs por quilo, equivalentes a US$ 3,40 a US$ 3,44. Na semana anterior, os preços estavam entre 91.000 e 92.500 dongs por quilo. Os valores atuais são os mais baixos desde meados de junho, segundo dados da LSEG.

A queda ocorre antes do período de maior volume da colheita. Os agricultores já começaram a recolher os grãos, mas a quantidade disponível ainda é limitada. Um corretor da região afirmou que a oferta deve se tornar mais abundante no próximo mês, à medida que a colheita avançar.

O mesmo corretor disse que alguns produtores relataram efeitos das condições climáticas adversas registradas no início do ano. Segundo ele, uma pequena parte da safra apresentou grãos menores e mais escuros. A fonte não informou o tamanho da parcela afetada nem quantificou possíveis impactos sobre a produção ou os preços.

Para entrega em dezembro, o corretor ofereceu 83.000 dongs por quilo. A oferta ficou abaixo da faixa de preços informada para os grãos vendidos pelos produtores, mas se refere a uma entrega futura e não necessariamente às mesmas condições de negociação.

Futuros de robusta também recuam

O movimento de baixa no Vietnã ocorre junto com a queda das cotações internacionais. Na quarta-feira (28), os contratos futuros de café robusta para janeiro fecharam a US$ 3.199 por tonelada métrica, após recuo de US$ 21, ou 1%. Contratos futuros são acordos negociados em bolsa para compra ou venda de uma mercadoria em uma data posterior, com preço definido no mercado.

Os comerciantes também informaram ofertas de robusta vietnamita grau 2, classificação que, neste caso, permite até 5% de grãos pretos e quebrados. Os lotes foram oferecidos com prêmio de US$ 150 a US$ 200 por tonelada em relação ao contrato de janeiro negociado em Londres.

O prêmio é o valor adicional pedido em relação a um contrato de referência. Por isso, a comparação reúne dois componentes: a cotação do futuro e o valor extra atribuído ao lote ofertado. A fonte não detalhou as razões para a faixa de prêmio nem informou se houve negócios fechados nesses níveis.

Prêmios sobem na Indonésia

Na ilha de Sumatra, na Indonésia, os vendedores ofereceram café robusta com prêmio de US$ 220 por tonelada em relação ao contrato de novembro. Na semana anterior, as ofertas estavam entre US$ 165 e US$ 200 acima desse contrato, segundo um corretor.

Outro comerciante informou um prêmio de US$ 300 por tonelada em relação ao contrato de janeiro, acima dos US$ 230 citados na semana passada. As referências a novembro e janeiro correspondem a contratos diferentes, portanto os valores não representam uma comparação direta entre o mesmo vencimento. Ainda assim, os relatos apontam aumento dos prêmios pedidos pelos vendedores indonésios em relação às referências mencionadas na semana anterior.

Os movimentos nas duas origens foram distintos: no Vietnã, os preços pagos aos produtores recuaram e a oferta deve crescer com o avanço da colheita; na Indonésia, os prêmios das ofertas subiram. As informações divulgadas pelos comerciantes não detalham volumes negociados nem permitem medir a disponibilidade total de café em cada país.

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