O Cenário Atual da Celulose: Um Olhar sobre a Recuperação e os Desafios
A celulose, uma matéria-prima essencial na produção de papel e embalagens, mostrou sinais de recuperação no início de setembro. Contudo, desafios persistem, dificultando um crescimento mais robusto e sustentável. A análise feita pela XP Research, com contribuições de Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, oferece uma visão detalhada sobre essa questão.
A Revisão dos Preços
Os preços da celulose de fibra curta, especialmente a BHKP, estabilizaram-se em cerca de US$ 560 por tonelada na China. Essa estabilidade impulsionou novas compras e permitiu que os produtores elevassem seus preços em US$ 20 por tonelada no mês de setembro. Essa movimentação nos preços trouxe um alívio temporário, mas os especialistas alertam que os desafios para uma recuperação mais forte ainda estão presentes.
A recuperação, embora animadora, pode ser passageira. Existe a expectativa de que a tendência positiva persista em outubro, mas a recuperação é considerada tímida e sem muita consistência.
Variações nos Estoques e Demanda
A estabilização dos preços tem sua origem em estoques reduzidos de madeira e um aumento gradual na demanda pelas fábricas de papel. Essa sazonalidade nos mercados também desempenha um papel importante; certos períodos do ano facilitam a compra e o reabastecimento.
Um fator favorável é a limitação da nova oferta de celulose no terceiro trimestre de 2023. Com menos produto disponível no mercado, os preços têm encontrado um suporte, o que é essencial para assegurar a estabilização.
A celulose BHKP, que se origina principalmente do eucalipto, é amplamente utilizada na fabricação de papéis e embalagens. Em setembro, os fornecedores da fibra longa, conhecida como NBSK, anunciaram um aumento de US$ 10 por tonelada. Essa variação nos preços é um fator crucial para os setores que dependem dessa matéria-prima.
Análise do Mercado Chinês
Com a China sendo um dos principais protagonistas na indústria de celulose, é fundamental entender como o cenário por lá afeta todo o mercado. Apesar de uma queda nas importações de celulose para papel, que caiu 10% em julho, a produção interna se mantém relativamente forte. O avanço de empresas que produzem a própria celulose e que, consequentemente, não se veem tão dependentes do mercado externo, é um dos principais fatores que sustentam essa resistência.
Além disso, o crescimento das exportações chinesas de papel e papelão sinaliza que a demanda ainda existe, mesmo que parte da capacidade fabril esteja sendo redirecionada para a produção de embalagens, facilitando assim uma maior diversificação dos produtos.
Os especialistas observam que cerca de 6,8 milhões de toneladas de nova capacidade integrada de celulose devem iniciar operações na China entre o final de 2023 e 2024. Isso poderá afetar a demanda por celulose proveniente de canais comerciais independentes.
Outro aspecto a considerar são os custos de produção. Os produtores chineses que utilizam madeira local têm um custo marginal próximo a US$ 530 por tonelada. Já aqueles que dependem de madeira importada operam com custos em torno de US$ 570, enquanto o preço da celulose se mantém em US$ 560. Caso os preços da madeira continuem a cair, é possível que as empresas que utilizam madeira local encontrem uma margem que lhes permita reduzir os preços da celulose, impactando o mercado global.
Exportações Brasileiras: Desempenho em Queda
Os dados mais recentes retratam um quadro misto na América Latina. As exportações brasileiras de celulose tiveram uma queda de 3% na comparação anual em agosto, além de um recuo significativo de 17% em relação ao mês anterior. No entanto, a celulose solúvel, utilizada principalmente na fabricação de fibras para tecidos, viu um crescimento impressionante de 156% comparado ao mesmo mês do ano anterior.
No contexto chileno, as exportações caíram 13% na comparação com julho, embora ainda estejam 13% acima do que foi registrado no último ano. O Uruguai, por sua vez, apresenta uma estabilização, com uma leve queda de 2%, sem alterações significativas na comparação anual.
Apesar de uma ligeira diminuição nos estoques portuários chineses, que recuaram 1% em julho, ainda permanecem 9% acima dos níveis do mesmo período em 2022. Isso evidencia que, embora tenhamos alguns sinais de alívio, a pressão sobre o mercado de celulose continua.
A Promessa e os Desafios das Empresas Brasileiras
Diante de um cenário repleto de incertezas, as análises mantêm uma recomendação de compra para três gigantes do setor: Suzano, Klabin e Irani.
- Suzano (SUZB3) – Preço de referência de R$ 46,89 com um potencial de valorização de 41%, estabelecendo um preço-alvo de R$ 66.
- Klabin (KLBN11) – Com preço de referência de R$ 19,47, a previsão é de um crescimento de 28%, apontando um preço-alvo de R$ 25.
- Irani (RANI3) – O preço de referência da ação é de R$ 7,66, com uma expectativa de valorização de 31%, estimando um preço-alvo de R$ 10.
Esses valores são meramente indicativos e não refletem as cotações em tempo real. É fundamental que os investidores compreendam que as recomendações não eliminam riscos, que podem variar devido a flutuações do mercado e oscilações nos preços internacionais.
Reflexões Finais
Para os investidores, acompanhar os preços da celulose na China, os níveis de estoque nos portos, os custos da madeira e a entrada de novas fábricas é essencial. Embora a recuperação do setor pareça possível, a crescente oferta chinesa pode limitar a duração e a intensidade desse movimento.
As incertezas permanecem, mas as oportunidades também se fazem presentes. É essencial manter-se informado e atento às dinâmicas do mercado, pois mudanças podem ocorrer rapidamente, impactando o retorno sobre investimentos nesse setor.
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