China Impulsiona Minério e VALE3 Encerra em Alta: Quais Mistérios Por Trás do Desempenho?


Vale (VALE3) Tem Dia de Altas e Baixas em Meio à Reação do Minério de Ferro

A Vale (VALE3) experimentou um dia de altas e baixas na bolsa de valores nesta quarta-feira (30), com os investidores respondendo a novos dados econômicos da China que impactaram o mercado de minério de ferro. As ações da gigante mineradora encerraram o dia com um leve ganho, mas a valorização perdeu força ao longo da sessão.

As ações da empresa subiram 0,43%, fechando a R$ 69,91, após uma abertura a R$ 70,53 e chegando a tocar R$ 70,88, que representou uma valorização de 1,82% em relação ao fechamento anterior. Entretanto, a mínima do dia foi registrada em R$ 69,49.

No acumulado de setembro, as ações da Vale enfrentaram uma queda de 10,20%, e neste ano, até o momento, o recuo é de 0,45%. Apesar disso, no período de 12 meses, as ações ainda apresentam uma valorização considerável de 31,16%.

Dados da China Impulsionam o Minério

O minério de ferro encontrou suporte nas notícias que surgiram da China.

Em setembro, a atividade industrial chinesa voltou a mostrar sinais de crescimento, de acordo com pesquisas recentes. A melhora foi impulsionada pela diminuição das interrupções de atividades devido a problemas climáticos, permitindo que as fábricas voltassem a operar plenamente. Setores relacionados à tecnologia e inteligência artificial também ajudaram a alavancar esse resultado.

Pequim, na terça-feira, anunciou novas iniciativas para oferecer crédito mais acessível a áreas como infraestrutura e tecnologia, além de aumentar o apoio a compradores de imóveis. Essas medidas tentam estimular a economia e, consequentemente, o consumo de commodities, como o minério de ferro.

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodidades de Dalian subiu 0,14%, atingindo 702,5 yuans por tonelada, equivalente a US$ 104,79, conforme informado pela Reuters. É importante lembrar que essa cotação se refere ao contrato futuro, e não deve ser comparada diretamente com preços físicos utilizados por instituições financeiras.

O Cenário das Siderúrgicas e a Pressão sobre Margens

Apesar da recuperação nas atividades econômicas, os dados mais recentes sobre a indústria siderúrgica indicam que há pressão significativa sobre as margens das usinas.

De acordo com o último relatório do Bradesco BBI, o preço do minério de ferro com teor de 61% de Fe caiu para US$ 94 por tonelada, uma redução de US$ 3 na semana. Além disso, as margens nacionais, conforme os cálculos da Platts, estão negativas: US$ 47 por tonelada para HRC (bobina laminada a quente) e US$ 61 por tonelada para vergalhão.

A utilização da capacidade dos altos-fornos das 247 siderúrgicas monitoradas pela Mysteel caiu 0,7 ponto percentual, alcançando 88,5%, com a produção de gusa recuando 0,8% na última semana, totalizando 2,36 milhões de toneladas por dia.

Essa combinação de preços de minério mais baixos, margens negativas no aço e custos elevados de transporte têm colocado pressão adicional sobre a operação de produtores e mineradoras nos últimos dias. Para completar, os estoques de minério nos portos chineses atingiram 152,2 milhões de toneladas, um aumento de 15% em comparação ao ano anterior. As siderúrgicas, por sua vez, agora apresentam estoques que correspondem a 27 dias de consumo, superando a média de cinco anos de 21 dias. Parte desse aumento é atribuída à recomposição dos estoques antes dos feriados na China.

O Desempenho da Vale e Suas Perspectivas

As ações da Vale apresentaram oscilações significativas durante o pregão, começando o dia acima de R$ 70 e alcançando R$ 70,88 pela manhã. Contudo, ao longo do dia, os ganhos diminuíram. O fechamento a R$ 69,91 deixou as ações praticamente na região estipulada pelo Itaú BBA como um suporte crucial.

De acordo com a análise técnica do banco, a VALE3 perdeu o suporte de R$ 69,90, entrando em uma tendência de baixa. As próximas zonas de suporte a serem observadas são R$ 67,60 e R$ 64,20.

Gráfico diário de VALE3

A leve alta na ação, acima de R$ 69,90, não representa, por si só, uma recuperação decisiva dessa marca, que agora se torna um ponto central na análise dos investidores. Para que a Vale possa reverter a atual tendência negativa, o Itaú BBA sugere que será necessário superar a resistência em R$ 76,90.

Importância do Minério para os Resultados de Vale

Uma análise de sensibilidade realizada pelo Itaú BBA em 17 de agosto destaca quão impactantes diferentes preços do minério podem ser nas projeções da Vale.

Essa análise levou em consideração o preço médio do minério de ferro de 61% Fe para 2027, mantendo constantes outras premissas. Com o minério a US$ 90 por tonelada, o Ebitda projetado estava em torno de US$ 15,1 bilhões. Se esse preço atingir US$ 95, a projeção aumentaria para cerca de US$ 16,4 bilhões. A US$ 100, o Ebitda poderia chegar a US$ 17,6 bilhões.

O fluxo de caixa livre variou em cenários de US$ 3,4 bilhões a US$ 5,4 bilhões, antes dos gastos relacionados a questões como Brumadinho e Samarco. Porém, é fundamental destacar que essa simulação é antiga e não reflete as atuais projeções.

Outras variáveis também impactam as estimativas da Vale, como custos, volumes, cobre, investimentos e frete. Nesse último aspecto, a mineradora tem uma exposição significativa protegida, ao contrário de alguns produtores que dependem fortemente do mercado imediato.

Fatores em Observação pelo Mercado

Além dos novos dados da economia chinesa, investidores estão atentos à evolução das margens das siderúrgicas, produção de aço, níveis de estoque de minério e medidas de estímulo econômico anunciadas por Pequim.

A pressão de preços mais baixos no minério afeta não só a Vale, mas também outros produtores com custos mais altos. Para a VALE3, o olhar do mercado continua focado na região de R$ 69,90, que foi perdida recentemente, e nas novas zonas de suporte que foram indicadas, como R$ 67,60 e R$ 64,20.

Neste cenário, a curiosidade dos investidores se intensifica, e o diálogo sobre a recuperação das margens e a atuação da Vale se torna uma conversa relevante entre os participantes do mercado. Como você vê o futuro da Vale e do minério de ferro? Compartilhe suas opiniões e vamos debater sobre essas questões em constante evolução.

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