quinta-feira, fevereiro 5, 2026

Como a Alavancagem Pode Trazer Paz para Gaza


O Desafio da Paz em Gaza: Um Caminho Repleto de Obstáculos

Recentemente, a administração Trump revelou o início da segunda fase do seu plano de paz para Gaza, uma iniciativa que já contou com o respaldo do Conselho de Segurança da ONU em novembro passado. A primeira fase, implementada em outubro, resultou em um primeiro cessar-fogo e na devolução de todos os reféns, além da liberação de cerca de 2.000 prisioneiros palestinos e a retomada da assistência humanitária.

A segunda fase, por sua vez, traz novas demandas: a criação de uma autoridade governamental palestina tecnocrática, o envio de uma força de estabilização internacional, o desarmamento do Hamas, a reconstrução da Gaza destruída e a retirada das Forças de Defesa de Israel (IDF). O sucesso dessa fase, no entanto, está intrinsecamente ligado ao desarme do Hamas. Sem essa medida, tanto a reconstrução quanto a retirada israelense se tornam improváveis. Assim, surge a pergunta crucial: é possível desmantelar as condições que geraram anos de terrorismo e guerra?

Gaza: Duas Realidades a Serem Reconectadas

Atualmente, Gaza é dividida em duas zonas: a chamada Zona Verde, sob controle israelense, que equivale a aproximadamente 53% da área total, principalmente na parte oriental, e a Zona Vermelha, onde o Hamas exerce domínio, correspondendo a 47%, predominantemente na parte ocidental do território.

Em uma declaração emitida em outubro, o Hamas concordou em transferir a administração da Faixa de Gaza para um corpo de tecnocratas palestinos independentes. Contudo, a real disposição do grupo em abrir mão das armas e permitir que os gazenses construam um futuro sem sua influência permanece incerta. Para que isso aconteça, será necessário um esforço conjunto de várias potências, principalmente dos Estados Unidos, que precisam exercer seu poder de influência.

A Influência de Terceiros

O presidente dos EUA, Donald Trump, deve deixar claro para países como Egito, Catar e Turquia que eles têm a responsabilidade de garantir o desarmamento do Hamas, sob pena de afetar suas relações com Washington. Os líderes dessas nações se juntaram ao Conselho de Paz de Trump e apoiaram seu plano para Gaza.

Estes países têm influência significativa sobre as finanças, a legitimidade e a coesão interna do Hamas. Juntos, podem pressionar a organização a iniciar o desarmamento, condenar publicamente qualquer obstáculo à reconstrução e ameaçar restringir a operação de sua liderança em seus territórios.

Se o desarmamento ocorrer, o plano de paz de Trump pode deixar de ser uma mera aspiração e se tornar uma realidade tangível. Pode até parecer distante, mas o sucesso da segunda fase poderá transformar o cenário psicológico e político tanto para israelenses quanto para palestinos.

O Futuro Incerto de Gaza

Caso o Hamas decida não se desarmar e Gaza permaneça dividida, o futuro da região se apresenta sombrio. O território pode continuar a ser uma prisão sob tirania ou ocupação. Até mesmo os esforços no âmbito da ONU, através da Resolução 2803, que confere ao Conselho de Paz autoridade exclusiva sobre a governança de Gaza por dois anos, estão entrelaçados com a questão do desarmamento.

A criação de uma Comissão Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), composta por 15 tecnocratas palestinos, é um passo relevante, mas para que essa administração funcione eficazmente em ambas as zonas, a segurança deve ser garantida. Isso pressupõe que o Hamas coopere com o desarmamento e permita que as forças de segurança, apoiadas por uma força internacional, atuem sem restrições.

A Necessidade de Transparência e Compromisso

O processo de desarmamento deve ser transparente e monitorado. O plano de Trump é claro ao estabelecer que toda a infraestrutura militar, incluindo túneis e instalações de produção de armas, deve ser destruída e não reconstruída. A resistência do Hamas em abandonar suas armas pode levar à ineficácia da NCAG e a uma coexistência inquietante.

Israel não se sentirá seguro em retirar suas tropas antes que o Hamas se desarme. A preocupação é que materiais de construção sejam desviados para a reconstituição de suas capacidades bélicas. Além disso, outros países da região, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, condicionaram seus investimentos na reconstrução ao desarmamento do Hamas.

O Papel Crucial dos Aliados Regionais

Para que o plano de Trump funcione, Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia precisam unir esforços. Cada nação possui interesses bilaterais com os EUA e está interessada em manter boas relações, o que torna seus líderes mais aptos a pressionar o Hamas.

  • Egito: Tem controle sobre a travessia de Rafah, acesso crucial para Gaza.
  • Catar: Abriga líderes do Hamas e possui controle sobre suas finanças.
  • Turquia: Pode criar um ambiente hostil para membros do Hamas caso eles não cooperem.

Com essa pressão, é possível criar um ambiente onde a desmilitarização não seja apenas uma meta, mas um passo inevitável para o futuro da região.

A Contagem Regressiva para a Paz

O tempo é essencial neste cenário. Tanto Israel quanto os aliados do Hamas precisam se lembrar que, se o desarmamento falhar, as repercussões podem ser catastróficas. Está claro que, caso o Hamas não inicie um processo real, Israel pode se sentir justificada a tomar medidas militares, reafirmando sua postura de segurança.

Os próximos meses serão decisivos. A administração Trump precisa, então, aplicar uma pressão contínua nas três nações, assim como em Israel e no próprio Hamas, para assegurar que a situação evolua para uma estabilidade duradoura.

Um Chamado à Reflexão

A luta por paz em Gaza é complexa, mas acompanhar os passos dos envolvidos pode nos ensinar muito sobre as dinâmicas de poder e o papel das alianças regionais. Agora, mais do que nunca, é fundamental que os líderes trabalhem em conjunto para um futuro onde a paz não seja um mero ideal, mas uma realidade compartilhada.

Como cidadãos globais, deve haver em nós um senso de solidariedade com aqueles que vivem sob essas tensões. Que possamos torcer por uma resolução pacífica que beneficie não apenas os envolvidos, mas que também sirva como um exemplo de colaboração para o mundo.

Agora, que tal deixar sua opinião sobre o assunto? O que você acha que deve ser feito para garantir um futuro mais pacífico na região?

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