

Embrapa Revoluciona a Recuperação de Áreas Degradadas no Cerrado

A recuperação de áreas degradadas pela mineração de ouro no Cerrado mineiro avança com uma pesquisa inovadora conduzida pela Embrapa Cerrados, em colaboração com a Kinross Gold Corporation. O foco do projeto é a mina Morro do Ouro, localizada em Paracatu (MG), onde está sendo desenvolvido um protocolo de revegetação aplicável a barragens de rejeitos em outras partes do Brasil.
O Desafio da Recuperação Ambiental
A degradação ambiental causada pela mineração de ouro apresenta sérios desafios. No caso da mina Morro do Ouro, o diagnóstico inicial revelou uma série de problemas nos solos: alta acidez, compactação excessiva, baixa fertilidade, escassez de matéria orgânica e até a presença de metais nocivos. Essa combinação cria um ambiente hostil à vida vegetal. Para enfrentar essa realidade, a escolha das espécies para revegetação se torna fundamental.
Leide Andrade, coordenadora do projeto, enfatiza: “Sem a seleção correta das plantas, o sucesso da revegetação fica comprometido.” Por isso, um protocolo técnico robusto para a recuperação das encostas e estruturas das barragens está sendo elaborado.
Trabalho em Colaboração
A parceria com a Kinross Gold é vista como crucial. Gabriel Mendonça, gerente de Desenvolvimento Sustentável da empresa, expressa que essa colaboração é vital para o planejamento e implementação das ações de recuperação. “Estamos criando um modelo que poderá ser seguido por outras mineradoras”, afirma.
Normas e Desafios Legais
A legislação brasileira exige que as mineradoras mantenham a vegetação cobrindo os solos, mas impõe certas restrições. Por exemplo, é proibido usar plantas com raízes profundas que poderiam comprometer a estabilidade das barragens, assim como aquelas com copas densas que dificultam a fiscalização.
Um Olhar Diferente sobre a Vegetação
Fabiana Aquino, integrante da equipe de pesquisa, ilustra a singularidade do projeto: “Enquanto na agricultura o objetivo é aumentar a produção, aqui queremos justamente o oposto: cobrir o solo com a menor produção possível.” Essa abordagem faz toda a diferença na estratégia de revegetação.
Experimentação em Campo: O que está sendo Feito?
A mina é composta por duas barragens: Santo Antônio e Eustáquio. A de Santo Antônio, com cinco quilômetros de extensão e taludes que podem chegar a cem metros, está focada na experimentação de práticas de revegetação.
A estratégia envolve:
- Combinações de espécies: Testes com diferentes tipos de plantas para encontrar as mais adequadas.
- Adubação: Avaliação de métodos de fertilização para potencializar o crescimento.
- Manejo: Definição de técnicas que facilitem o desenvolvimento da vegetação.
Dentre os achados, foi descoberto que algumas espécies já utilizadas pela mineradora não tinham boa adaptação, resultando em uma cobertura irregular. Para corrigir isso, a equipe decidiu ajustar o conjunto de sementes, excluindo aquelas inadequadas e priorizando plantas nativas do Cerrado, como estilosantes e braquiária humidicola.

Espécies Nativas: A Chave para o Sucesso
A introdução de leguminosas nativas com potencial de adaptação, como a Mimosa somnians e Alysicarpus vaginalis, também é uma importante inovação. Como destaca Leide, “Essas plantas têm um desempenho promissor, mas ainda não estão disponíveis comercialmente.”
Aprendendo com o Passado
Este projeto se baseia em experiências anteriores da Embrapa com a mineradora Anglo American em Goiás, onde foram realizados esforços similares para recuperar áreas degradadas pela extração de níquel. Eduardo Cyrino, pesquisador da Embrapa, menciona que cada tipo de mineração apresenta desafios únicos devido às diferentes composições dos solos.
Experiência e Adaptação: Um Processo Contínuo
No decorrer dos testes em Paracatu, descobriu-se que o milheto, frequentemente usado na agricultura como planta de cobertura, estava interferindo negativamente no desenvolvimento de outras espécies. Seu crescimento acelerado bloqueava a luz necessária para o estabelecimento de plantas mais lentas.
Marina Vilela, pesquisadora do projeto, alerta: “Mesmo uma planta popular na agricultura pode não funcionar em contextos diferentes.” A partir dessas informações, um novo protocolo experimental foi elaborado, focando melhor no controle de variáveis ambientais.
Os Desafios da Restauração de Sementes
Um dos grandes obstáculos para a revegetação adequada é a dificuldade em encontrar sementes de espécies nativas adaptadas ao Cerrado. “É fundamental que a restauração ambiental leve em conta o bioma local. Importar modelos de outros ecossistemas não resolve nosso problema. Precisamos de soluções que nasçam aqui, com nossos solos e nossas espécies”, ressalta Andrade.
Resultados Promissores
Os primeiros resultados indicam que algumas espécies conseguem se estabelecer mesmo em terrenos desgastados. Isso abre um leque de possibilidades para a criação de modelos de recuperação sustentável. Andrade conclui: “Embora a mineração transforme o território, a forma como abordamos a restauração pode ser revolucionária. Queremos desenvolver soluções que respeitem a biodiversidade local.”
A colaboração entre a Embrapa e a Kinross Gold Corporation não apenas promove a recuperação de áreas degradadas, mas também oferece novos paradigmas para a responsabilidade ambiental das mineradoras. Este esforço conjunto pode servir como um modelo de como a ciência e a natureza podem trabalhar em harmonia, assegurando que o futuro da mineração seja também um futuro verde.
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