


A Revolução Verde: Como o Projeto de Carbono da Bayer Está Transformando a Agricultura no Brasil
O agricultor Cassio Kossatz, aos 39 anos, tem uma visão inovadora sobre o que significa ser um produtor rural hoje. Ele acredita que o projeto de carbono representa uma valorização daquilo que muitos agricultores já fazem com excelência. Há cerca de seis anos, Cassio se juntou a um grupo de agricultores convidados pela Bayer para participar dos primeiros projetos de sequestro de carbono no Brasil, não em busca de um novo fluxo de receita, mas para aprofundar práticas que já adotava em sua propriedade. Cassio é o diretor agrícola do K2 Agro, localizado em Ponta Grossa, no Paraná, onde implementa técnicas como plantio direto e rotação de culturas. Mesmo sem obter uma remuneração direta pela venda de créditos de carbono até agora, ele se declara satisfeito com sua escolha inicial.
O Impacto Positivo da Prática Sustentável
A jornada de Cassio trouxe muitos benefícios, que vão além das finanças. Ele observou um aumento na produtividade e na saúde do solo, além do acesso a linhas de crédito com juros mais acessíveis e oportunidades de mercado que valorizam a sustentabilidade na produção agrícola. Recentemente, notou um crescente interesse de grandes tradings de grãos e indústrias alimentícias globais em produtores que podem comprovar a redução de emissões e oferecer rastreabilidade ambiental.
“Já tivemos conversas com a Nestlé, e este ano, com a nossa certificação em mãos, conseguimos fechar um acordo de exportação de soja com a Louis Dreyfus Company,” compartilha Cassio. “A demanda por trigo sustentável também está crescendo. Estamos convencidos de que estamos no caminho certo.”
O Mercado de Carbono e Suas Potencialidades
A trajetória de Cassio ocorre em um momento em que o mercado internacional de carbono começa a se estruturar economicamente. Um estudo recente realizado pela Carbonn Nature e outros institutos estima que o agronegócio brasileiro poderá gerar até 314,3 milhões de créditos de carbono até 2035, representando um mercado potencial de até R$ 3,5 bilhões. Esse potencial não só aumenta a atratividade entre bancos e indústrias, mas também revela uma nova era de oportunidades para os agricultores.
Agora, mais do que apenas criar uma nova fonte de receita, o foco recai sobre a construção de relações sólidas, onde agricultores podem demonstrar capacidade de adotar práticas sustentáveis. Empresas como LDC, Nestlé e Danone estão se aproximando de produtores que oferecem indicadores ambientais confiáveis.
PRO Carbono: Práticas que Transformam e Conectam

O projeto PRO Carbono da Bayer surgiu de uma lógica que reverte os desafios da agricultura moderna. A plataforma é um espaço que reúne produtores interessados em aprimorar práticas agrícolas regenerativas, que incluem plantio direto, rotação de culturas e a implementação de um manejo biológico eficaz. O projeto oferece suporte técnico, monitoramento e ferramentas para gerenciar indicadores ambientais, com certificações fornecidas pela Verra, uma das maiores organizações mundiais para créditos de carbono.
Atualmente, a plataforma abrange mais de 3,1 milhões de hectares e cerca de 3 mil produtores na América Latina, com aproximadamente 1 milhão de hectares localizados no Brasil. Em suas áreas de monitoramento, a Bayer relata um aumento médio de 11% na produtividade e um sequestro médio de 2,1 toneladas de CO₂ equivalente por hectare ao ano.
Uma Nova Abordagem para Sustentabilidade e Rentabilidade
Durante anos, o debate sobre carbono na agricultura girou em torno da remuneração por tonelada de carbono sequestrada. Porém, Marina Menin, diretora do Negócio de Carbono da Bayer para a América Latina, afirma que essa visão precisa ser expandida. “O crédito é apenas uma parte do mercado de carbono como um todo”, diz ela. Limitar a discussão à venda dos créditos ignora outras oportunidades que já estão se concretizando no agronegócio.
Essas oportunidades incluem linhas de financiamento verde, valorização de commodities com menor pegada de carbono e a ligação entre agricultores e empresas que estão buscando reduzir suas emissões indiretas, conhecidas como emissões de Escopo 3. “Nosso objetivo é conectar principalmente os agricultores às indústrias”, resume Marina.
A Agronomia em Primeiro Lugar

Na propriedade da família Kossatz, que abrange quatro mil hectares no Paraná e outros mil hectares em Roraima, a participação no programa da Bayer não foi impulsionada primariamente por interesses financeiros. Muitas das práticas sugeridas já estavam incorporadas à rotina da fazenda. O que realmente fez a diferença foi a qualidade do suporte técnico, a interação com pesquisadores e a chance de experimentar novas abordagens de manejo.
Entre as transformações estão o aumento do uso de culturas de cobertura e a intensificação das rotações, que trouxeram resultados concretos na produtividade. “Embora o projeto atualmente não represente uma grande remuneração imediata, ele demonstrou que a agronomia é essencial. Estamos experimentando uma compensação indireta por meio do aumento na produtividade e na saúde do solo,” ressalta Cassio.
Desafios e Oportunidades no Horizonte
Outra vantagem notável foi o acesso a financiamentos diferenciados por meio de dados ambientais que comprovam indicadores de sustentabilidade. Contudo, Cassio ainda sente uma nervosismo sobre a clareza do mercado de carbono no Brasil: “Assinamos um compromisso de 25 anos, o que causa um certo receio. A regulamentação ainda precisa evoluir para que os produtores vejam uma remuneração estável e previsível.”
Ele acredita que uma remuneração clara, como “R$ 500 por hectare se você adotar essa prática,” poderia atrair muitos outros agricultores para o programa, dada a transparência do incentivo financeiro.

Gustavo Corazza, engenheiro agrônomo e produtor da Fazenda São José em São Jorge do Ivaí (PR), também compartilha uma história inspiradora de transformação. Ele utilizou a plataforma PRO Carbono para aprimorar seu sistema produtivo. Com suporte da Bayer, começou a consorciar milho com braquiária, aumentou o uso de plantas de cobertura e incorporou técnicas de agricultura de precisão.
A mudança mais significativa, segundo Gustavo, está na estrutura do solo, que agora retém melhor a umidade e aumenta a infiltração, reduzindo a vulnerabilidade aos extremos climáticos que afetam a região. “Analisando o ciclo da soja nos últimos anos, a necessidade de água se reduziu em 40%,” explica ele. Mesmo em períodos de seca, a produtividade das plantas tem se mostrado surpreendente.
A Bayer Rumo ao Futuro da Agricultura Sustentável
A estratégia da Bayer, que começou há seis anos, transformou um projeto inicial em uma nova unidade de negócios voltada para soluções de carbono na agricultura. A empresa precisou adaptar metodologias às realidades da agricultura tropical brasileira, o que exigiu uma colaboração intensa com instituições de pesquisa e agricultores em todo o país.
À medida que a plataforma se desenvolve e ganha corpo, a empresa está focada em construir uma base sólida de dados, criando novas oportunidades para os produtores, que podem alcançar melhores condições de financiamento e acesso a novos mercados. Para Cassio Kossatz, esse futuro está começando a se materializar: “Os agricultores querem manter seus solos saudáveis e diversificados. Se receberem uma compensação justa pelo carbono, isso será benéfico, mas a principal mudança já está ocorrendo nas práticas agrícolas.”
A agricultura regenerativa não apenas abre portas para novas relações comerciais, mas também promete transformar a forma como encaramos o negócio agrícola no Brasil, estabelecendo um ciclo de inovação e responsabilidade ambiental que pode perdurar por muitas gerações.


