Donald Trump e a Política Energética dos EUA: O Que Esperar em um Novo Mandato
Com a perspectiva de Donald Trump retornar à Casa Branca, uma reviravolta na política energética dos Estados Unidos é quase certa. A ênfase na produção de petróleo e gás deve ganhar força, enquanto a agenda de combate às mudanças climáticas tenderá a ser deixada de lado. No entanto, apesar dessas mudanças, a vitória dos republicanos nas eleições presidenciais não deverá interromper bruscamente o crescimento das energias renováveis no país.
Isso se deve, em grande parte, à legislação aprovada pelo governo de Joe Biden, que disponibiliza uma década de subsídios consideráveis para novos projetos de energia limpa como solar e eólica. Essa lei é amplamente apoiada, mesmo em estados republicanos, tornando quase impossível sua revogação completa. Além disso, as alternativas que poderiam ser exploradas pelo próximo presidente teriam impactos limitados, apontam especialistas.
O Cenário das Energias Renováveis
“É difícil acreditar que Trump, como presidente, possa atrasar a transição para fontes de energia mais limpas”, afirma Ed Hirs, especialista em energia da Universidade de Houston. “A transição já está bem estabelecida.” De acordo com o Departamento de Energia dos EUA, as energias renováveis, especialmente as solares e eólicas, são os segmentos que mais crescem no setor elétrico, impulsionadas por incentivos fiscais, regulamentações estaduais e inovações tecnológicas que diminuíram os custos.
No ano passado, Biden sancionou a Lei de Redução da Inflação, que promete bilhões de dólares em subsídios para as energias solar e eólica, parte de um esforço para descarbonizar o setor de energia até 2035 e combater as mudanças climáticas. Antes mesmo da eleição, Trump criticou essa legislação, considerando-a excessivamente onerosa, e prometeu rescindir todos os fundos não utilizados. Contudo, para que isso aconteça, seria necessário que os parlamentares, incluindo aqueles de estados beneficiados, votesse a favor dessa revogação.
“Os empregos e os benefícios econômicos gerados têm sido tão significativos nos estados republicanos que é pouco provável que um novo governo decida simplesmente desmantelar essa estrutura”, explica Carl Fleming, do escritório de advocacia McDermott Will & Emery, que auxiliou Biden em suas políticas energéticas.
Além disso, muitos apoiadores de Trump também se beneficiam da Lei de Redução da Inflação, investindo em tecnologias de energia limpa.

Donald Trump pode retornar à Casa Branca em 2025 após uma vitória nas eleições americanas.
Desafios e Oportunidades em um Potencial Novo Mandato
Embora seja difícil imaginar uma desaceleração significativa no setor de energias renováveis, especialistas alertam que Trump pode, sim, dificultar aspectos operacionais que envolvem subsídios e empréstimos federais. Ele pode, por exemplo, limitar os arrendamentos federais para projetos de energia eólica offshore e outras iniciativas de energia limpa.
“Um novo governo pode decidir cortar orçamentos, restringir verbas ou até mesmo limitar a liberdade dos órgãos responsáveis por realizar certos projetos ligados a financiamentos”, observa Fleming. Contudo, segundo ele, essa intervenção teria um impacto relativamente pequeno sobre o vasto mercado de energias renováveis, que já opera com um financiamento robusto.
Ademais, a administração Biden fez um esforço intencional para gastar a maior parte dos recursos sob sua legislação antes da possível transição para um novo governo.
Uma das estratégias que Trump poderia adotar para desacelerar a transição energética é modificar os arrendamentos de terras públicas. Durante a sua primeira administração, explorou a expansão de leilões para energia eólica offshore e projetos de energia solar e eólica em terra. No entanto, com uma nova abordagem, a prioridade poderia ser dada à extração de combustíveis fósseis nas propriedades públicas, como afirma Tony Dutzik, analista sênior do Frontier Group.
Essas mudanças poderiam perturbar seriamente o setor de energia eólica offshore, que realiza boa parte de seus projetos em águas federais, enquanto muitos projetos solares e eólicos em terra ocorrem em propriedades privadas.
Trump já manifestou a intenção de encerrar o setor de energia eólica offshore “no primeiro dia” de seu possível novo governo, alegando que seria caro e prejudicial à vida marinha, uma mudança de postura após o apoio ao desenvolvimento dessa área durante sua administração anterior.
A Bernstein Research prevê que, sob Trump, uma moratória sobre novas vendas de arrendamentos para energia eólica offshore se tornaria uma realidade.
A Produção de Combustíveis Fósseis e o Futuro
No que diz respeito à produção de combustíveis fósseis, especialistas acreditam que os níveis provavelmente permanecerão inalterados sob a administração Trump. Com os EUA já se consolidando como o maior produtor mundial de petróleo e gás, essa situação se deve em grande parte ao aumento da perfuração, especialmente na Bacia Permiana, entre Texas e Novo México.
Trump e a Burocracia Energética
Durante seu primeiro mandato, Trump facilitou normativas, dando espaço para um aumento significativo da produção de combustíveis fósseis. Esse movimento pode ser potencialmente expandido caso consiga reverter as políticas climáticas de Biden.
Por exemplo, ele pode pressionar por perfurações no Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico, uma área cujo acesso foi bloqueado por Biden. No entanto, mesmo que Trump abra essa área aos interesses de perfuração, há incertezas sobre a disposição das empresas em realizar operações ali, de acordo com Jesse Jones, da Energy Aspects.
“Presidentes podem fazer muito barulho sobre suas intenções em relação ao petróleo e gás, mas, no fundo, são as empresas que respondem aos preços globais de commodities que acabam decidindo sobre quando e onde perfurar”, finaliza.
Refletindo sobre o Futuro Energético
A era que se avizinha sob um potencial novo governo Trump promete alterar significativamente o cenário energético dos Estados Unidos. Contudo, os impactos na expansão das energias renováveis podem ser mais sutis do que muitos imaginam, graças às políticas e legislações já consolidadas. Enquanto a produção de combustíveis fósseis poderá ser incentivada, a transição para fontes de energia limpa se mantém firme, em parte devido ao forte suporte federal e ao apelo dos mercados.
Com todas essas mudanças em perspectiva, é essencial que cidadãos e investidores se mantenham informados e ativos nas discussões sobre o futuro energético do país. Quais suas expectativas sobre as políticas energéticas que estão por vir? E como você acredita que isso afetará a paisagem econômica e ambiental dos Estados Unidos?


