Copom interrompe ciclo de cortes e mantém Selic em 13,75%


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4) manter a taxa Selic em 13,75% ao ano e interromper o ciclo de cortes. A decisão foi unânime e ocorreu na primeira reunião do colegiado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o Banco Central, a medida busca assegurar a estabilidade de preços.

Decisão unânime mantém os juros

Com a decisão, a taxa básica de juros permanece no mesmo patamar, sem redução ou aumento nesta reunião. A Selic é o principal instrumento de política monetária do Banco Central. O Copom informou que sua atuação tem como objetivo preservar a estabilidade dos preços e afirmou que a política monetária também “implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.

A manutenção interrompe o ciclo de cortes mencionado na decisão, mas a nota do comitê não detalha quanto tempo a taxa ficará nesse nível nem indica uma data para uma eventual retomada das reduções. O comunicado descreve, em vez disso, um ambiente que exige cautela na condução da política monetária.

O Copom apontou quatro elementos que compõem esse cenário: uma Selic “substancialmente contracionista”, aumento significativo das incertezas em torno do cenário-base, expectativas de inflação mais elevadas e desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica. Para o comitê, a combinação desses fatores torna desafiadora a condução da política monetária.

Projeções de inflação e juros sobem

As expectativas divulgadas pelo boletim Focus na terça-feira (3), um dia antes da decisão, também foram citadas no contexto da reunião. O levantamento, que foi o primeiro divulgado após a vitória petista, mostrou aumento na estimativa para a Selic no fim de 2026: a projeção passou de 13,25% para 13,50% ao ano.

O Focus também elevou a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil. A estimativa para 2026 subiu de 5,19% para 5,22%. Com isso, ficou acima do teto da meta de inflação, de 4,5%, mencionado na notícia.

As projeções do boletim são estimativas para o futuro, enquanto a taxa de 13,75% ao ano é a decisão tomada pelo Copom para a Selic. A diferença é relevante para entender os números: a revisão do Focus não altera automaticamente a taxa básica, mas integra o cenário de expectativas considerado no debate sobre a política monetária.

Comitê pede serenidade e cautela

Na nota, o Copom relacionou a decisão ao conjunto de sinais econômicos e às incertezas em torno do cenário-base. O comitê descreveu a atividade econômica doméstica como em desaceleração mais acentuada e as expectativas de inflação como mais elevadas. Também caracterizou a taxa vigente como substancialmente contracionista, sem detalhar no comunicado, conforme o texto divulgado, uma mudança de orientação para as próximas reuniões.

“O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, afirmou o Copom.

A manifestação do comitê reúne os fatores que justificam a cautela, mas não anuncia uma trajetória futura para os juros. Por enquanto, a decisão mantém a Selic em 13,75% ao ano, enquanto as projeções do Focus apontam inflação de 5,22% e taxa básica de 13,50% no fim de 2026.

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