Cosan, Vamos e Magalu caem forte com disparada dos juros futuros


As ações mais sensíveis aos juros e ao cenário doméstico lideraram as quedas do Ibovespa nesta quarta-feira (28), em uma sessão marcada pela alta das taxas futuras e por ajustes dos investidores após as eleições. O mercado também acompanhou possíveis desdobramentos da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, de manter os juros.

O movimento ocorreu depois de uma sequência de forte oscilação. Na segunda-feira, as taxas de juros futuros dispararam, em meio à reação dos investidores ao resultado eleitoral. Na véspera, houve alívio após intervenções do Tesouro Nacional. Nesta quarta, porém, os juros voltaram a subir, enquanto o mercado revisava as expectativas para a formação do novo governo Lula a partir de 2027, com atenção à política econômica e às contas públicas.

Juros longos voltam a subir

No fim da tarde, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2028 estava em 14,385%, praticamente estável em relação ao ajuste de 14,381% registrado na véspera. Já o DI para janeiro de 2035 avançava para 15,12%, ante 14,907% no pregão anterior.

O DI é uma referência para as expectativas de juros no mercado. As taxas dos contratos podem subir ou cair conforme os investidores ajustam suas projeções para a economia e para a política monetária. A diferença entre os dois vencimentos foi expressiva: enquanto a taxa para 2028 quase não se alterou, a de 2035 subiu 21 pontos-base. Um ponto-base corresponde a 0,01 ponto percentual.

Na segunda-feira, alguns vencimentos chegaram a registrar alta superior a 250 pontos-base. A reação ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro, apontado na notícia como favorito da Faria Lima, expressão usada para se referir ao mercado financeiro de São Paulo. A preocupação mencionada pelos agentes era a possibilidade de maior dificuldade para equilibrar as contas públicas com Lula no Planalto.

A nova elevação dos juros futuros voltou a pressionar papéis mais expostos às condições domésticas e ao custo do dinheiro. No conjunto de ações com queda superior a 5% listado no pregão, a maior baixa foi a da Cosan (CSAN3), que terminou a R$ 2,35, com recuo de 12,31%. Em seguida apareceram Vamos (VAMO3), a R$ 2,58, com queda de 11,34%, e Cogna (COGN3), a R$ 1,71, com perda de 10%.

Lista de ações com queda superior a 5%

Além dessas três empresas, os papéis abaixo também recuaram mais de 5% na quarta-feira. Os preços correspondem ao fechamento informado:

  • AZZA3: R$ 15,00, queda de 9,64%; BEEF3: R$ 2,89, baixa de 9,40%; MGLU3: R$ 5,22, recuo de 9,22%.
  • CSNA3: R$ 4,33, queda de 9,03%; NATU3: R$ 5,01, baixa de 8,91%; CEAB3: R$ 6,82, recuo de 8,33%.
  • TEND3: R$ 21,38, queda de 7,08%; BBDC4: R$ 14,68, baixa de 6,68%; BPAC11: R$ 56,32, recuo de 6,52%.
  • CYRE3: R$ 17,78, queda de 6,47%; KLBN11: R$ 17,48, baixa de 6,37%; BBDC3: R$ 13,38, recuo de 5,97%.
  • VIVA3: R$ 17,67, queda de 5,96%; SANB11: R$ 24,35, baixa de 5,88%; MULT3: R$ 25,95, recuo de 5,77%.
  • RAIL3: R$ 14,48, queda de 5,73%; SMFT3: R$ 16,03, baixa de 5,65%; AXIA3: R$ 48,23, recuo de 5,21%.
  • DIRR3: R$ 8,77, queda de 5,19%; ALOS3: R$ 24,51, baixa de 5,18%; IGTI11: R$ 22,64, recuo de 5,11%.

A decisão do Fed de manter os juros também estava entre os fatores observados pelos investidores. A notícia não informa mudanças na taxa norte-americana nem detalha os possíveis desdobramentos da viagem de Flávio Bolsonaro. No mercado brasileiro, o foco descrito foi a reavaliação das perspectivas para o próximo governo e seus efeitos sobre a condução econômica e fiscal.

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