quinta-feira, fevereiro 5, 2026

Descubra Como a Eco Invest Está Transformando o Agro com R$ 128 Bilhões e Rumo ao 4º Leilão!


Eco Invest Brasil: Impulsionando a Transformação Ecológica e o Capital Estrangeiro

“Precisávamos atrair capital do exterior para financiar a transformação ecológica, e o risco cambial era o principal obstáculo.” Esta reflexão do Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, resume bem a proposta do Eco Invest Brasil, que recentemente concluiu seu terceiro leilão, registrando uma performance sem precedentes.

O Impacto do Terceiro Leilão

Esta última rodada permitiu a mobilização de R$ 52,8 bilhões em investimentos privados em participações societárias, com uma notável presença de capitais estrangeiros. O agronegócio foi um dos maiores beneficiados, destacando-se como recebedor desse influxo de recursos.

“O desempenho do leilão foi realmente surpreendente,” comentou Ceron sobre este leilão focado em equity, que envolve investimentos diretos nas empresas e, consequentemente, maiores riscos. Com esses resultados, cerca de R$ 128 bilhões em capital interno e externo já foram mobilizados para fomentar projetos sustentáveis em todo o Brasil.

Os Próximos Passos do Eco Invest

Em continuidade ao sucesso, o governo já planejou o quarto leilão para este mês de fevereiro, com propostas sendo aceitas até o dia 25. Lançado durante a COP30 em novembro de 2025, este leilão focará em projetos de bioeconomia e turismo sustentável na Amazônia, reforçando ainda mais a função do programa como um elo entre o mercado financeiro global e as cadeias produtivas sustentáveis do país.

Por Que o Eco Invest foi Criado

O Eco Invest foi concebido dentro do Plano de Transformação Ecológica do governo federal, com um objetivo claro: atrair capital privado, especialmente do exterior, para viabilizar a transição ecológica no Brasil. Diferente de programas clássicos que operam com empréstimos, o Eco Invest atua em áreas onde existem barreiras de mercado, aliviando os riscos que afastam investidores internacionais.

Coordenado pelos Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Fazenda, o programa conta com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Unido no Brasil. Ceron destacou que “o grande desafio era o câmbio.” Investidores estrangeiros, que costumam captar recursos em moedas como dólar e euro, hesitam em aplicar em mercados emergentes devido à volatilidade cambial existente. O Eco Invest foi estruturado para mitigar esse risco, permitindo que projetos brasileiros ganhem destaque no cenário global.

O Que Aconteceu no Terceiro Leilão?

O terceiro leilão chamou atenção não apenas pela demanda considerada “muito agressiva”, mas também pelo perfil dos projetos apresentados. Segundo Ceron, “estamos lidando com tecnologias de ponta, como baterias e inteligência artificial para promover a transformação ecológica”.

  • Investimentos em Transição Energética: 64,5% dos fundos arrecadados, totalizando R$ 34 bilhões.
  • Principais áreas de investimento:
    • SAF (Combustível Sustentável de Aviação): R$ 12,2 bilhões;
    • Baterias e Veículos Elétricos: R$ 9,3 bilhões;
    • Biogás e Biomassa: R$ 5,2 bilhões;
    • Systemas de Armazenamento de Energia em Bateria (BESS): R$ 2,8 bilhões.

Esses investimentos têm potencial transformador, especialmente na cadeia produtiva de SAF, que pode adicionar até US$ 36 bilhões ao PIB até 2030, além de gerar 620 mil empregos e reduzir 54 milhões de toneladas de CO2.

O Capital Catalítico e a Mobilização de Recursos

No cerne do Eco Invest está a ideia de capital catalítico, que utiliza recursos públicos de forma estratégica para desbloquear investimentos privados. No contexto do Eco Invest, esse capital é disponibilizado principalmente através de proteção cambial e outros mecanismos financeiros que minimizam riscos.

“O Tesouro entra com o capital catalítico e a proteção. O mercado aporta o dinheiro e a expertize na gestão dos projetos,” explicou Ceron. A taxa de alavancagem foi impressionante: no terceiro leilão, cada real público mobilizou quase quatro reais em capital privado, um excelente indício da confiança do mercado.

Como Funciona o Leilão na Prática

O Eco Invest se organiza através de leilões competitivos. Bancos e gestoras submetem propostas, mostrando a quantidade de capital privado que podem trazer para cada unidade de recurso público solicitada. Quanto maior essa proporção, maiores são as chances de seleção da proposta.

Neste terceiro leilão, o foco foi no modelo equity, uma abordagem que financia projetos através de participação societária, ao invés de dívida. Embora essa modalidade tenha um perfil mais arriscado, também oferece retorno mais elevado e impactos estruturais significativos no longo prazo.

Atraindo Capital Estrangeiro

Um dos pilares do Eco Invest é atrair recursos internacionais. Nos dois primeiros leilões, a maior parte dos investidores era composta por grandes instituições da Europa e Estados Unidos. No entanto, o terceiro leilão trouxe uma diversificação significativa do perfil de investidores, incluindo tanto casas de investimento norte-americanas e europeias quanto um importante aporte do governo japonês.

Outro ponto a se destacar é o crescente interesse de empresas chinesas nas cadeias relacionadas a baterias e veículos elétricos, ressaltando o papel do Brasil no financiamento verde global.

Do Papel à Execução

Os frutos do Eco Invest já começam a ser colhidos. Projetos dos primeiros leilões, focados em áreas como saneamento e energia renovável, estão começando a ser implementados. Para o terceiro leilão, embora os ciclos de maturação sejam mais longos, a estruturação e seleção de empresas indicam um robusto pipeline de projetos nas áreas de agro, bioeconomia e transição energética.

Transparência e os Próximos Passos

Apesar do volume expressivo, os dados do terceiro leilão ainda são preliminares e estão sujeitos a auditorias independente e a uma Second Party Opinion, que verificará a conformidade ambiental dos investimentos. A consolidação deve ser feita até o primeiro semestre de 2028.

A transparência é garantida através do Monitor Eco Invest, uma plataforma que oferece informações sobre projetos, localização, volume de recursos públicos e privados e estágios de execução.

“Queremos que o Eco Invest seja uma referência mundial em financiamento da transição ecológica para países emergentes,” afirmou Ceron.

Com o quarto leilão à vista e uma demanda crescente por capital estrangeiro, o programa promete continuar impulsionando a entrada de investimentos globais no Brasil, colocando o agronegócio no centro desta estratégia vital.

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