Conseguir consistência no day trade é um dos maiores desafios enfrentados por investidores pessoas físicas, especialmente em um cenário repleto de volatilidade, decisões rápidas e pressão emocional constante. No entanto, exemplos recentes têm se destacado, mostrando que é possível atingir resultados fora da curva através de métodos bem definidos, boas práticas de gestão de risco e uma leitura clara do mercado.
Neste contexto, André Moraes e Pako Moore compartilharam suas experiências em uma entrevista ao InfoMoney, onde discutiram os bastidores de suas conquistas e a evolução das salas de negociação ao vivo, além dos princípios que garantem a consistência a longo prazo.
Em Busca da Consistência
O desempenho recente de Pako Moore tem atraído a atenção de traders não apenas pelos resultados obtidos, mas pela impressionante regularidade demonstrada. Desde 27 de fevereiro de 2026, ele acumula 47 pregões consecutivos lucrativos, uma raridade no mundo do day trade, sustentada por um modelo de operação que prioriza o controle de risco e uma análise objetiva do fluxo de negociação.
Adicionalmente, a transparência na divulgação dos resultados se tornou um elemento central em sua metodologia. Para Pako, a própria comunidade valida seu desempenho diariamente, o que fortalece a credibilidade de sua operação e aproxima os alunos da realidade do mercado. “A sala é auditada pelos meus alunos”, afirma.
Vale destacar que essa nível de consistência não surgiu da noite para o dia. Pelo contrário, a trajetória de Pako foi marcada por perdas significativas, que desempenharam um papel crucial na construção de seu modelo atual. “Comecei em 2012 e, como muitos, perdi muito dinheiro – mais de 400 mil reais até me tornar consistente. Mas nunca desisti”, relembra ele.
Conforme ele explica, a transformação aconteceu com a criação de um método próprio que combina a leitura de preços com a análise de fluxo, reduzindo a subjetividade e aumentando a previsibilidade das operações. “Desenvolvi um método chamado LPF, que significa Leitura de Preço e Fluxo”, detalha Pako.
Método e Gestão: Os Pilares do Sucesso
Os fundamentos do modelo operacional de Pako Moore estão alicerçados em três pilares essenciais: gestão de risco, frequência de mercado e liquidez. Esses fatores são fundamentais para a tomada de decisões e para a minimização da carga emocional durante o pregão.
Na prática, essa abordagem implica em minimizar rapidamente os riscos das operações, priorizando ganhos pequenos, mas frequentes, enquanto também permite capturar movimentos maiores quando oportunidades se apresentam. “Busco sempre estopar o mais rápido possível, o mais próximo do zero”, explica ele.
Consequentemente, a relação entre a taxa de acerto e o risco-retorno torna-se um dos pontos centrais de sua estratégia. Em vez de se concentrar apenas em operações com alto retorno, seu modelo busca um equilíbrio estatístico entre a frequência de acertos e o tamanho das perdas. “Consegui equilibrar meu operacional com 70% a 80% de acerto e um risco ganho em torno de 1 para 1, 1 para 1,5”, detalha.
Com essa leitura estatística, é possível comparar diferentes abordagens operacionais sob a mesma lógica de expectativa matemática, independentemente do estilo do trader. O foco deixa de ser apenas o formato da operação e passa a ser o resultado consistente no longo prazo. “É semelhante a quem tenta um 3 para 1 com 37% de acerto”, ressalta.
Pako acredita que essa estrutura proporciona uma maior previsibilidade emocional durante o pregão, um fator frequentemente negligenciado por iniciantes, mas esencial para a longevidade no mercado. “Eu sei que minha próxima operação está muito mais perto de um ganho do que de uma perda”, finaliza.
A Evolução das Salas: De Solitário a Modelo Colaborativo
Essa consistência não apareceu de forma isolada. Ela está inserida em um contexto que foi sendo construído ao longo de anos, quando o trading ainda era uma prática pouco conhecida no Brasil, sem estrutura acessível ou comunidades organizadas.
No início, era um verdadeiro isolamento para os poucos traders que existiam, e a troca de experiências surgiu como uma necessidade natural. “Fazer trading era uma solidão enorme, porque ninguém falava sobre isso”, recorda André Moraes.
Com o tempo, essas interações se transformaram em encontros durante os pregões, reunindo traders em tempo real para compartilhar decisões e leituras de mercado. Esse formato foi a base do que hoje conhecemos como salas de operação ao vivo. “Começamos a nos reunir pelo Skype, durante o pregão, até que éramos cinco, seis, oito pessoas operando juntos”, explica.
À medida que o mercado cresceu, esse modelo evoluiu para uma estrutura profissionalizada, deixando de ser um grupo informal para se tornar uma operação estruturada. “Chegamos a um momento em que percebemos que havia um modelo de negócio ali, e poderíamos Não apenas operar, mas também ensinar a outros”, conta.
Como resultado, a incorporação das salas dentro das corretoras ampliou seu alcance e consolidou esse formato como parte essencial do ecossistema de trading no Brasil. “Aceitei o desafio e montamos a primeira sala ao vivo dentro de uma corretora para ensinar os clientes a operar”, conclui.
Salas de Aula: O Atalho para o Trader
Do ponto de vista educacional, as salas de operação ao vivo exercem um papel estratégico na formação de traders, especialmente ao encurtar a distância entre teoria e prática — um dos principais fatores que dificultam a consistência no mercado.
- Observação em tempo real: Assistir traders experientes é uma maneira de entender as entradas, a gestão emocional e o controle de risco em diversas situações de mercado.
- Ambiente de imersão: O formato ao vivo permite que o trader acompanhe decisões reais, aprendendo como ajustes são feitos durante o pregão, economizando tempo de aprendizado.
Mais do que apenas aprender setups, esse modelo contribui enormemente para o desenvolvimento comportamental, que é fundamental para a sobrevivência no mercado. “É como aprender cirurgia sob a supervisão de um cirurgião experiente”, compara.
Escolhendo um Mentor: Filtros Cruciais
Com a popularização das salas de operação, a escolha de um mentor exige critérios bem definidos, principalmente em um ambiente saturado por promessas vazias e abordagens inconsistentes.
A primeira coisa que o trader deve considerar é a promessa feita. Modelos que garantem ganhos constantes ou resultados exorbitantes tendem a ser pouco sustentáveis a longo prazo, elevando o risco de decepção e perdas. “Promessas de lucros fáceis e garantidos não se sustentam”, alerta.
Outro fator importante é observar se o mentor realmente pratica o que ensina. A consistência entre o que se prega e a ação é fundamental para construir confiança e promover um aprendizado sólido. “É crucial encontrar alguém que execute o que fala”, ressalta.
Por fim, a compatibilidade entre o perfil do mentor e do aluno é decisiva. Estratégias que funcionam para um trader podem não ser eficazes para outro, de acordo com o estilo de operação e a tolerância ao risco.
A escolha necessita de um processo cuidadoso, onde o trader deve discriminar promessas vazias, validar ações práticas e, por último, identificar se o mentor se alinha com seu perfil.
Esses três critérios podem ser vistos como obstáculos a serem superados. Primeiramente, separar o que é realmente fraco dá o primeiro passo. Em seguida, faz-se uma triagem mais minuciosa, averiguando as promessas que realmente se concretizam. Por último, é necessário uma peneira ainda mais fina, que identifique aquele que não apenas cumpre o que promete, mas que também se encaixa no perfil desejado.
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