Descubra Onde Estão os Data Centers no Brasil e Quem São os Seus Controladores


O Crescimento Impressionante dos Data Centers no Brasil

São Paulo, Barueri e Campinas: esses são os grandes protagonistas quando falamos de centros de dados no Brasil. De acordo com um estudo recente da JLL (Jones Lang LaSalle), intitulado Data Center Brasil 2026, essas cidades estão se preparando para um crescimento significativo, atraindo cada vez mais investimentos e novas empresas do setor.

São Paulo: O Hub de Data Centers

O estudo indica que São Paulo não é apenas o centro de dados mais importante do Brasil, mas também se destaca na América Latina, acumulando 38% da capacidade total de megawatts (MWs) do país. Isso sublinha a importância estratégica da cidade, que se consolidou como um verdadeiro hub para o setor de tecnologia e dados.

Com uma história que remonta a 1783, a JLL se tornou uma das maiores empresas globais no segmento de serviços imobiliários, atuando em mais de 80 países e possuindo um valuation de cerca de US$ 17,7 bilhões na bolsa de valores.

“Ao analisarmos os dados, identificamos que as áreas de São Paulo e Barueri devem crescer 82,5% até 2028, enquanto Campinas deverá expandir em 60,9%”, afirma Rafael Picerni, analista de Pesquisa e Estratégia da JLL. Este panorama destaca a relevância desses polos no cenário nacional.

Data Centers no Brasil Crédito: JLL

Um Ano Promissor para Novos Data Centers

A expectativa é de que o ano de 2026 se torne um marco para a entrega de novos centros de dados, com a previsão de que 106 MW já tenham sido incorporados ao mercado nos primeiros seis meses deste ano. Dessas novas entregas, 75 MW vieram de Campinas, enquanto 31 MW são oriundos de São Paulo e Barueri. Um exemplo notável é a nova unidade de colocation da Ascenty, que adicionou 20 MW em Vinhedo, Campinas.

Para os próximos meses de 2026, estima-se que mais 134 MW sejam lançados, resultando em um investimento total que pode alcançar a impressionante cifra de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 41,1 bilhões). Vale destacar que a taxa de vacância dos imóveis de data centers no Brasil é atualmente de apenas 4%. Isso demonstra uma demanda robusta e uma absorção rápida das novas capacidades.

Mercado em Crescimento

Bruno Porto, gerente da área de Industrial, Logística e Data Center da JLL, destaca que “56% do novo estoque em construção já está pré-locado, refletindo o potencial de absorção do mercado”. Isso reforça as projeções de crescimento para o setor, que deverá dobrar até 2030, com a construção de mais 660 MW e investimentos que podem chegar a US$ 17,4 bilhões (R$ 89 bilhões).

Quem Domina o Mercado de Data Centers no Brasil?

O cenário atual revela que três empresas controlam cerca de 70% da capacidade de colocation no Brasil:

  • Ascenty: 30%
  • Odata: 20%
  • Scala: 18%

Outras empresas como Equinix e Elea Digital têm 9% cada uma, enquanto Cirion Technologies, Tec.to, Takoda e NextStream dividem o restante, que corresponde a 5%. As perspectivas para o segundo semestre de 2026 prometem mudanças, pois a Scala planeja inaugurar novas instalações em Barueri, o que pode mudar o cenário competitivo.

Atualmente, a Scala lidera em capacidade, somando cerca de 800 MW (sem contar um projeto adicional de 1,5 GW chamado de Scala AI City), seguida pela Ascenty com 520 MW e Omnia com 500 MW.

Participação de Mercado Crédito: JLL

A Demanda dos Hyperscalers

Os hyperscalers, aquelas grandes empresas que demandam enormes quantidades de capacidade, têm puxado a locação de espaços em colocation. A demanda saltou de aproximadamente 230 MW em 2021 para 780 MW no primeiro semestre de 2026, evidenciando um aumento de 64% em relação ao ano anterior.

Essas empresas, consideradas as principais clientes dos data centers no Brasil, adotam uma estratégia híbrida: alugam capacidade de terceiros e constroem suas próprias instalações. Essa dinâmica acentuada assinala um crescimento robusto para o setor.

O Panorama Atual do Mercado de Data Centers

No primeiro semestre de 2026, o Brasil conseguiu instalar 706 MW de capacidade em data centers, um aumento impressionante, mais de seis vezes o volume registrado em 2012. A taxa de crescimento composta desde então é de 15% ao ano. Desses 706 MW, 563 MW estão alugados para clientes de colocation, enquanto 112 MW são utilizados por operações próprias de hyperscalers.

Esse desempenho coloca o Brasil como responsável por cerca de metade da capacidade instalada em data centers na América Latina, superando outros países da região. Desde 2019, as áreas de Porto Alegre (crescimento de 1.038% partindo de uma base pequena) e Campinas (867%) foram as que mais cresceram.

As taxas de crescimento em estados tradicionais, como São Paulo, Barueri e Rio de Janeiro, foram ligeiramente mais modestas, mas ainda assim registraram dobragens em seus volumes operacionais. Por outro lado, Fortaleza cresceu cerca de 45%.

Vacância nos Submercados

As taxas de vacância variam bastante entre as regiões. Campinas e a área de São Paulo/Barueri, que possuem a maior capacidade, apresentam as menores taxas de vacância – 1% e 6%, respectivamente. No Rio de Janeiro, a taxa chega a 3%. Contudo, em mercados em expansão como Fortaleza, a vacância é maior, atingindo 25%. Brasília apresenta uma taxa de 9%, enquanto Porto Alegre está com impressionantes 40%, revelando que a capacidade entregue supera a demanda contratada nesses locais.

Preços de Locação por Submercado

Os preços de locação, sem incluir energia, são segmentados em três categorias:

  • Contratos de varejo (até 250 kW)
  • Atacado (entre 250 kW e 2 MW)
  • Hyperscale (acima de 2 MW)

Os valores médios dos preços em dólares por kW ao mês são:

  • São Paulo e Barueri:

    • Varejo: US$ 338
    • Atacado: US$ 210
    • Hyperscale: US$ 135
  • Campinas:

    • Varejo: US$ 320
    • Atacado: US$ 198
    • Hyperscale: US$ 145
  • Rio de Janeiro:

    • Varejo: US$ 325
    • Atacado: US$ 250
    • Hyperscale: US$ 165
  • Fortaleza:

    • Varejo: US$ 385
    • Atacado: US$ 255
    • Hyperscale: US$ 208
  • Porto Alegre:

    • Varejo: US$ 333
    • Atacado: US$ 210
    • Hyperscale: US$ 168

Esses valores indicam que Fortaleza é a região com os preços mais altos em todas as categorias. Por outro lado, São Paulo/Barueri e Campinas estão entre os lugares mais acessíveis, resultado da demanda aquecida e das taxas elevadas de pré-locação.

Olhando para o Futuro: Regulamento em Ascensão

O crescimento do setor de data centers no Brasil é sustentado não apenas por investimentos, mas também pela infraestrutura robusta. O relatório revela a rede de cabos submarinos como um componente fundamental. Fortaleza, Rio de Janeiro e Santos se destacam como principais pontos de chegada desses cabos, conectando o Brasil à América do Norte, Europa e África, proporcionando uma conectividade de baixa latência essencial para os serviços digitais.

Outros fatores que favorecem o setor incluem a disponibilidade de terrenos, acesso a energia limpa e a um custo reduzido, além do ambiente regulatório que, segundo a JLL, poderá ser aprimorado com iniciativas como o Redata, um incentivo fiscal aguardando aprovação no Congresso.

À medida que o mundo se digitaliza cada vez mais, o Brasil se posiciona de maneira estratégica no setor de data centers. As oportunidades são imensas e, se você está preso em casa, pensando no futuro, talvez seja hora de considerar o quão importante é o papel que a tecnologia e a conectividade desempenharão em nossas vidas. Afinal, essa é apenas a ponta do iceberg em um setor que promete crescer e se transformar ainda mais nos próximos anos.


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