Desempenho do Ibovespa nas eleições de 2018, 2022 e 2026


O Ibovespa subiu 7,70% no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, avanço superior ao registrado nas disputas de 2018 e 2022. A alta levou o principal índice da Bolsa brasileira a superar os 200 mil pontos pela primeira vez, em meio à revisão das expectativas dos investidores depois que Flávio Bolsonaro terminou a votação à frente de Luiz Inácio Lula da Silva.

O movimento, porém, não indica necessariamente como a Bolsa reagirá após o segundo turno, marcado para domingo (25), segundo o calendário da eleição de 2026. Os resultados das votações anteriores mostram que o comportamento do mercado depois da primeira etapa não se repetiu de forma uniforme após a definição do presidente.

Reações diferentes em 2018 e 2022

Nas três eleições, o primeiro pregão após o primeiro turno terminou em alta. Em 2018, o Ibovespa avançou 4,57%, para 86.083,91 pontos, em 8 de outubro. Na ocasião, o resultado da votação reforçou as expectativas de vitória de Jair Bolsonaro.

A direção mudou depois do segundo turno. No primeiro pregão após a confirmação da vitória de Bolsonaro, em 29 de outubro, o índice caiu 2,24% e fechou aos 83.796,71 pontos.

Em 2022, a Bolsa subiu 5,54% após o primeiro turno, chegando a 116.134,46 pontos. A reação ocorreu depois de uma disputa presidencial mais apertada do que o esperado e da definição da composição do Congresso. No pregão seguinte à vitória de Lula, em 31 de outubro, o Ibovespa avançou mais 1,31%, para 116.037,08 pontos, apesar de quedas expressivas nas ações da Petrobras e do Banco do Brasil.

O contraste entre os dois pleitos mostra que a alta inicial não antecipa, por si só, o desempenho após a votação decisiva. Em 2018, o índice recuou na sessão seguinte ao segundo turno; em 2022, voltou a subir.

Bolsa perdeu parte do avanço de outubro

Em 2026, a valorização após o primeiro turno foi maior do que nas duas eleições anteriores. No dia 5 de outubro, o Ibovespa passou de 192.114,55 pontos, registrados antes da votação, para 206.911,89 pontos, alta de 7,70%. Durante o pregão, o índice chegou a superar os 209 mil pontos.

O resultado do primeiro turno alterou as expectativas do mercado porque Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula, contrariando as projeções de pesquisas eleitorais divulgadas antes da votação. A alta, no entanto, não se manteve sem oscilações nas sessões seguintes.

Na quinta-feira (22), o índice encerrou o pregão aos 204.120 pontos, queda de 1,15% no dia. Ainda assim, permanecia 6,25% acima do fechamento anterior ao primeiro turno. A variação diária e o saldo acumulado desde a votação mostram movimentos diferentes: houve recuo naquela sessão, mas o Ibovespa conservava a maior parte da valorização inicial.

A oscilação também ocorreu em um período influenciado por outros fatores. Entre eles estavam a alta do petróleo, os juros dos Estados Unidos e a temporada de divulgação de balanços corporativos. Esses elementos se somam às expectativas sobre a disputa eleitoral na formação dos preços das ações.

Histórico não aponta direção única

Um levantamento sobre as eleições presidenciais desde 2002, feito por Guilherme Carter, professor de Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV) e diretor da DataBay, identificou queda do Ibovespa no primeiro pregão após o segundo turno em quatro das seis disputas analisadas.

O resultado muda quando se observa um prazo um pouco maior. Cinco pregões depois da votação decisiva, o índice estava acima do fechamento anterior à eleição em todas as seis ocasiões, com valorização média de 3,22%.

A diferença evidencia que a reação imediata e o desempenho ao longo dos dias seguintes podem não coincidir. Parte da movimentação depende das expectativas que os investidores já incorporaram aos preços antes da votação; a divulgação do resultado pode levar a uma revisão dessas projeções.

Para o segundo turno de 2026, o histórico não permite concluir que a forte alta após a primeira votação será seguida por nova valorização ou por uma queda. Além do resultado presidencial, os investidores acompanham sinais sobre a política econômica, as contas públicas e a trajetória dos juros. A definição das urnas será um fator relevante para o mercado, mas não o único a influenciar as cotações.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Importações indianas de soja batem recorde de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26

As importações de soja da Índia chegaram a um recorde de 1,1 milhão de toneladas métricas no ano comercial...

Quem leu, também se interessou