A Voz das Crianças em Tempos de Conflito: Uma Chamada à Ação
Em um mundo em constante conflito, onde a paz parece um sonho distante, a representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para Crianças e Conflitos Armados, Virgínia Gamba, traz uma mensagem clara: escolhemos compaixão em vez de indiferença; escolhemos a paz em vez da guerra. Em 2025, ela nos convoca a reescrever as histórias de nossas crianças, transformando medo e perda em cura e esperança.
Um Marco Importante: Os 35 Anos da Convenção sobre os Direitos da Criança
O ano de 2024 é um marco significativo, celebrando 35 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança, um documento fundamental que busca proteger aqueles que mais precisam: nossas crianças. Contudo, este deveria ser um momento de celebração, mas se transforma em uma dura realidade. Gamba destaca que, enquanto celebramos, as crianças continuam a suportar o peso da incapacidade global de resolver pacificamente os conflitos.
Infelizmente, Moçambique se junta à lista de nações em que a recruta de menores para conflitos armados não só persiste, mas aumenta. Esse cenário é um reflexo da tensão que vive o mundo; enquanto algumas esperanças se renovam, a dor e o sofrimento das crianças permanecem.
Recrutamento Forçado: Uma Realidade Perturbadora
Os dados são alarmantes. Em diversas partes do mundo, como:
- Colômbia
- República Democrática do Congo
- Bacia do Lago Chade
- Sahel
- Sudão
- Somália
- Síria
- Haiti
Crianças estão sendo sequestradas e recrutadas à força, privando-as de suas infâncias e direitos básicos. Essa realidade é especialmente cruel, pois as meninas, em particular, enfrentam não apenas o recrutamento, mas também a violência sexual e a exploração. Vale aqui destacar:
- Estupro
- Tráfico humano
- Violência sexual sistemática
Gamba chama a atenção para uma prática desumana, onde esses pequenos seres são tratados como mercadorias descartáveis.
As Forças Armadas: Um Papel Controverso
O uso de força militar por governos em conflitos armados traz à tona uma questão crítica: como a militarização afeta o futuro das crianças? Gamba observa que as Forças Armadas, muitas vezes, não ficam atrás das facções armadas em termos de violação dos direitos infantis. Em vez de protegê-las, essas forças frequentemente se tornam parte do problema, contribuindo para um ambiente de violência e medo.
As Consequências dos Conflitos Armados
Falando sobre as violações enfrentadas pelas crianças durante os conflitos armados, Gamba menciona:
- Morte
- Mutilação
- Ataques a instituições educativas e de saúde
Essas questões tornam-se mais evidentes em regiões como Israel, Territórios Palestinos, Sudão, Líbano, Mianmar e Ucrânia, onde os conflitos têm se intensificado e as crianças são as principais vítimas.
Desafios e Riscos Adicionais
Outro aspecto preocupante levantado por Gamba é o aumento do uso de minas antipessoais e as ameaças representadas por munições explosivas. Estes artefatos têm causado mortes e mutilações em alarmingemurs:
- 30% das crianças afetadas em áreas de conflito são vítimas desses dispositivos.
Além disso, a manipulação da definição de “menoridade” em contextos como o Afeganistão exacerba ainda mais a situação. Essa mudança não apenas aprofunda o casamento forçado, mas também impede que meninas acessem educação e aumenta o recrutamento de meninos para as Forças Armadas.
A Necessidade de Educação
A situação não é isolada. A ONU relata que milhões de crianças continuam sem acesso à educação, um direito fundamental que deveria estar garantido a todas, independentemente das circunstâncias. Os espaços seguros para aprendizagem estão escassos, e a violência continua no centro da vida de muitas crianças.
Virgínia Gamba enfatiza que, em 2024, as crianças tornaram-se a “imagem mais trágica” da guerra, sendo privadas de acesso humanitário e dos cuidados essenciais que precisam, principalmente em regiões devastadas como Gaza e Sudão.
O Chamado por Mudança
É imprescindível que todos nós, cidadãos globais, façamos ecoar o apelo de Gamba. Devemos reivindicar mudanças reais e duradouras, levando a sério a promessa de um futuro melhor para nossas crianças. Ao escolhermos compaixão e, em última análise, paz, estamos não apenas reconhecendo o sofrimento de milhões, mas também nos comprometendo a trabalhar juntos por um mundo onde cada criança possa sonhar em vez de temer.
O que Podemos Fazer?
Aqui estão algumas ações que podemos realizar para fazer a diferença:
- Educação e Conscientização: Compartilhar informações sobre os direitos das crianças e as consequências dos conflitos armados.
- Engajamento Com Organizações: Apoiar ou se voluntariar para instituições que trabalham na proteção dos direitos da criança.
- Pressão Governamental: Fazer pressão sobre líderes mundiais e instituições a implementar políticas que realmente protejam as crianças em situações vulneráveis.
- Doações: Contribuir com organizações que atuam diretamente em áreas de conflito, fornecendo assistência a crianças em necessidade.
Estamos em um ponto crucial da história, onde cada um de nós pode escolher fazer a diferença. Pense sobre isso: como a sua contribuição pode mudar a vida de uma criança? Uma escolha de compaixão pode criar ondas de transformação, tocando vidas de maneiras inimagináveis. Que possamos todos agir, inspirados pela esperança de um amanhã mais pacífico e justo para as futuras gerações.




