O Agronegócio Brasileiro: Desafios e Oportunidades para 2026
O agronegócio brasileiro se destaca como uma das atividades econômicas mais competitivas do mundo, mas o atual panorama de negócios tem se tornado cada vez mais desafiador. Fatores como mudanças climáticas, tensões geopolíticas, dificuldades de crédito, avanços tecnológicos e novas regulamentações estão moldando as decisões de investimento, produção e expansão ao longo de toda a cadeia produtiva.
Um Olhar Profundo Sobre os Riscos e Oportunidades
O estudo Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro 2026, elaborado pela EY, traz à tona essa complexidade. Publicado no dia 8 de junho, o relatório se baseou nas percepções de 52 líderes do setor, incluindo fornecedores de insumos, produtores, agroindústrias e compradores de commodities agrícolas.
Uma das inovações nesta edição é a metodologia utilizada. Ao contrário do levantamento de 2022, a pesquisa agora avalia não apenas a gravidade dos riscos, mas também a prontidão das empresas para enfrentá-los. O resultado é um ranking que reflete a diferença entre o impacto potencial de cada risco e a preparação das organizações.

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Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY, explica: “Nós ranqueamos as empresas com base na diferença entre o impacto do risco e a prontidão da organização; quanto maior essa diferença, maior o risco envolvido.”
As Dez Principais Questões que Moldarão o Futuro do Setor
Abaixo, apresentamos os temas que se destacam para o futuro imediato do agronegócio brasileiro:
1. Mudanças Climáticas
As mudanças climáticas lideram a lista de preocupações, sendo consideradas de alto impacto pela maioria dos entrevistados. Secas, enchentes e eventos climáticos extremos têm efeitos diretos na produtividade e nas operações de mercado.
Essas mudanças afetam não só a produção, mas também as decisões de crédito e de investimento. “Se uma região apresenta riscos climáticos, pode ser mais prudente não plantar ali”, afirma Lopes. Porém, isso também abre novas oportunidades, como a agricultura regenerativa e a geração de créditos de carbono.
2. Gestão de Pessoas
A gestão de talentos, que ocupava a oitava posição em 2022, agora está em segundo lugar. Isso reflete a crescente necessidade de profissionais aptos a operar em um ambiente tecnológico e baseado em dados. O papel de especialistas em agricultura de precisão e gestores para processos de sucessão familiar está em alta.
3. Geopolítica e Comércio Internacional
Um tema novo neste levantamento é a geopolítica, que, devido a conflitos internacionais e restrições logísticas, tem impactado diretamente a competitividade do setor. Episódios relacionados a insumos essenciais, como fertilizantes, demonstram que eventos globais podem elevar custos e reduzir margens de lucro. A diversificação de mercados é uma oportunidade emergente.
4. Políticas e Regulamentações Governamentais
Questões regulatórias são também cruciais, com a reforma tributária e os programas sustentáveis exigindo adaptação das empresas. “O avanço das discussões sobre sustentabilidade e novas exigências ambientais exigem maior capacidade adaptativa das empresas”, explica Lopes.
5. Transformação Digital
A transformação digital surge como uma necessidade urgente. A implementação de tecnologias como inteligência artificial e drones está revolucionando a maneira como se produz e gerencia o agronegócio. Contudo, muitas empresas ainda não são plenamente maduras para tirar proveito dessas inovações.
6. Gestão de Riscos Financeiros
A volatilidade dos preços agrícolas e as variações cambiais continuam a ser uma preocupação. O ambiente financeiro está mais rigoroso, exigindo governança e planejamento estratégico aprimorados. Os produtores precisam estar preparados para lidar com as oscilações no mercado.
7. Produtividade e Controle de Custos
O aumento nos custos de produção, especialmente com fertilizantes e energia, torna essencial o controle rigoroso sobre os recursos. “As estratégias de gestão de estoques precisam ser mais robustas para enfrentar os choques globais”, observa Lopes.
8. Logística e Infraestrutura
Os desafios logísticos continuam a ser um entrave para o setor, tornando investimentos em infraestrutura uma prioridade. O déficit de capacidade de armazenamento e os altos custos de transporte ainda prejudicam a competitividade.
9. Ética e Compliance
Práticas de governança, incluindo questões de rastreabilidade e combate ao desmatamento, passaram a ser fator central nas decisões de negócios. “Em 2026, a agenda ESG se mostra cada vez mais importante para a sustentabilidade das operações”, afirma Lopes.
10. Estratégia de Crescimento e Acesso a Capital
Fechando nossa lista, temos a necessidade de estabelecer estratégias sólidas para acessar capital. O crédito se tornou mais seletivo e dependente de critérios mais rigorosos. As empresas devem se equipar para acessar diferentes fontes de financiamento.
Chamados à Ação: Adaptabilidade e Resiliência
À medida que o agronegócio enfrenta esses desafios, a capacidade de adaptar-se rapidamente se torna um diferencial competitivo. Lopes destaca que a velocidade de reação às adversidades é o que define o sucesso. “O tempo de resposta a um choque pode determinar o lucro ou o prejuízo”, explica.
O estudo de 2026 não apenas destaca os riscos, mas modifica a forma como o setor percebe e responde a eles. Em um ambiente onde as crises se intercalam, entender a preparação das empresas para esses desafios é essencial.
Tendências para 2027 e Além
Ainda que o estudo de 2026 tenha sido recentemente divulgado, já se vislumbra um futuro promissor. O mercado de carbono deve conquistar destaque, com o agronegócio brasileiro se posicionando como líder na criação de créditos e biocombustíveis.
Além disso, a segurança das cadeias globais de suprimentos, impulsionada por tendências de consumo sustentável, terá papel central.
A Visão da EY para o Futuro do Agronegócio
A EY está se comprometendo a transformar o Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro em um estudo anual, espelhando a evolução constante do setor. Otavio Lopes destaca que o Centro de Excelência para o Agronegócio (CEA) da firma visa um faturamento superior a US$ 100 milhões em um futuro próximo, refletindo a crescente importância do agronegócio na economia.
“A nossa abordagem está mudando, e queremos estar presentes onde o setor realmente acontece. As interações diretas com cooperativas e entidades do agro têm sido fundamentais para o nosso crescimento”, conclui Lopes.
Reflexão Final
Ao longo das próximas transformações, o agronegócio brasileiro não será apenas impulsionado pela quantidade de produção, mas pela capacidade de interpretar riscos e se antecipar às mudanças do mercado. O futuro pertence àqueles que estão dispostos a inovar e a transformar incertezas em oportunidades.
Que essa jornada nos leve a um agronegócio mais resiliente, sustentável e próspero!


