Dexco tem prejuízo líquido de R$ 142 mi no 3º tri com desmobilização de fábricas


A Dexco, dona das marcas Deca, Hidra, Portinari e Ceusa, registrou prejuízo líquido de R$ 142 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 14,2 milhões obtido um ano antes. O resultado foi pressionado por despesas não recorrentes, provisões para perdas de crédito e juros mais altos sobre a dívida, apesar do avanço da receita líquida e da margem operacional. No acumulado de janeiro a setembro, a empresa também passou de lucro a prejuízo.

Itens não recorrentes pesaram no balanço

Entre julho e setembro, os itens não recorrentes somaram R$ 136,7 milhões e não tiveram efeito direto no caixa. Desse total, R$ 118,4 milhões estavam relacionados à reestruturação e ao fechamento de operações. Outros R$ 11,8 milhões vieram da marcação a valor justo de investimentos da DX Ventures.

A companhia vem reduzindo operações em meio à demanda mais fraca por materiais de construção. Entre as medidas recentes estão a venda da fábrica de revestimentos cerâmicos de Urussanga (SC) e o fechamento da unidade de louças sanitárias de Cabo de Santo Agostinho (PE). As decisões levaram à baixa contábil de máquinas, equipamentos e estoques.

Sem o efeito dos itens não recorrentes, o prejuízo líquido recorrente foi de R$ 5,5 milhões, 87,1% menor do que no terceiro trimestre de 2025. Nos nove primeiros meses do ano, a empresa teve lucro recorrente de R$ 100,2 milhões, alta de 41,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No resultado contábil acumulado, porém, houve prejuízo de R$ 55,4 milhões, ante lucro de R$ 111,3 milhões em 2025.

O presidente da Dexco, Raul Guaragna, classificou o trimestre como “forte”. Ele afirmou que, apesar do impacto dos itens não recorrentes, houve avanço no faturamento, na margem de lucro operacional e no fluxo de caixa, além de redução da dívida. “Foi um trimestre forte, com números relevantes que apontam para uma boa tendência”, disse. Guaragna também afirmou que a empresa tem mantido coerência no plano de transformação, que completou um ano, com reorganização dos negócios e redução da alavancagem.

Receita cresce com desempenho de Madeira

A receita líquida aumentou 9,8% na comparação anual e chegou a R$ 2,33 bilhões. O avanço foi impulsionado pela Divisão Madeira, que teve reajustes nos preços de painéis, vendeu um mix de produtos de maior valor agregado e recebeu recursos com a venda de bases florestais.

A receita da divisão cresceu 16,2%. Em Metais e Louças, houve recuo de 2,1%, enquanto Revestimentos Cerâmicos registrou queda de 5,2%. A joint venture LD Celulose, cujo resultado é contabilizado por equivalência patrimonial, gerou ganho de R$ 2,2 milhões no trimestre, alta de 57,6% em um ano. Segundo a empresa, o resultado foi favorecido pela melhora dos preços internacionais da celulose.

O Ebitda, sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, caiu 11,4% em relação ao terceiro trimestre de 2025, para R$ 420,7 milhões. No cálculo ajustado e recorrente, o indicador subiu 31,6%, para R$ 585,4 milhões. A margem do Ebitda ajustado avançou 4,2 pontos percentuais e atingiu 25,1%.

Caixa ajuda a reduzir a dívida

Os custos operacionais totalizaram R$ 1,38 bilhão, alta de 0,2% na comparação anual. A Dexco atribuiu a variação a ganhos de produtividade, menor pressão dos custos de insumos e redução das expedições. As despesas com vendas cresceram 19,3%, para R$ 338,7 milhões, incluindo uma provisão de R$ 20,5 milhões para perdas em crédito concedido à Bartira, empresa de móveis da Casas Bahia em recuperação judicial. O crédito decorre da venda parcelada de painéis de madeira pela Dexco.

As despesas gerais e administrativas somaram R$ 74,8 milhões, aumento de 5,1%. Já o resultado financeiro foi negativo em R$ 219,5 milhões, com despesa líquida 3,1% maior do que a registrada um ano antes.

A dívida líquida fechou o trimestre em R$ 4,78 bilhões, 6,9% abaixo do nível do segundo trimestre. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, ficou em 2,36 vezes, ante 2,72 vezes no terceiro trimestre de 2025. A empresa atribuiu a redução da dívida à geração de caixa operacional e aos recursos recebidos pela venda da fábrica de Urussanga.

O fluxo de caixa livre totalizou R$ 636 milhões, ante R$ 121 milhões no segundo trimestre. A melhora refletiu a redução de estoques nas três divisões de negócios, a diminuição dos investimentos em novos projetos e o recebimento de R$ 153 milhões pela venda da unidade catarinense.

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