A DHL Supply Chain prevê movimentar 27% mais mercadorias na temporada de maior demanda do comércio eletrônico em 2026, período que vai de outubro a dezembro e inclui a Black Friday. No acumulado do ano, o volume da operação deve crescer 14% em relação a 2025, apesar dos juros elevados e das dificuldades enfrentadas por parte do varejo, segundo Solon Barrios, vice-presidente de Retail e E-commerce da empresa no Brasil.
Barrios afirmou que 2026 tem sido um ano acima das expectativas em comparação com o anterior. A receita da operação também deve aumentar na comparação anual, mas o executivo não informou a taxa. A companhia espera movimentar mais de 37 milhões de itens em novembro, o equivalente a um volume 19% superior ao de um mês convencional.
Promoções se espalham por novembro
Na avaliação de Barrios, a principal mudança recente na Black Friday está na distribuição das promoções ao longo do mês, e não necessariamente no tamanho da data. “A Black continua sendo uma data tradicional, mas está mais diluída”, disse. Ele citou a criação de períodos como Black Week, Cyber Week e Black Monday, que distribuem os picos de demanda em momentos diferentes.
Com isso, novembro passou a concentrar o principal esforço operacional das empresas de logística, em vez de a demanda ficar concentrada em um único dia. Para atender ao movimento, a DHL prevê contratar cerca de 2.600 trabalhadores temporários durante a alta temporada. O contingente representa um aumento de 38% em relação ao número de trabalhadores de um mês convencional.
A expectativa de maior atividade ao longo do mês também aparece em uma pesquisa da Confi, feita por meio da plataforma Neotrust em parceria com o E-Commerce Brasil. O levantamento projetou crescimento das vendas de e-commerce na Black Friday de 2026 em comparação com o ano anterior, associado a compras mais frequentes, de menor valor e distribuídas por novembro.
Beleza e saúde sustentam o avanço
O crescimento da operação reflete, segundo Barrios, diferenças de desempenho entre as categorias atendidas pela DHL. Segmentos mais expostos aos juros altos e à restrição de crédito convivem com áreas em expansão, como beleza, suplementos e health & nutrition, expressão que abrange produtos de saúde e nutrição.
“Alguns setores acabam compensando a perda de outros setores”, afirmou o executivo. De acordo com ele, produtos ligados à saúde, à nutrição e à beleza vêm ganhando participação na operação de comércio eletrônico da empresa e ajudam a manter o avanço agregado dos volumes.
Questionado sobre possíveis efeitos das recuperações judiciais e extrajudiciais de grandes redes varejistas, Barrios disse que a DHL não percebeu impactos relevantes na demanda por seus serviços ou nas operações. “Nossos volumes continuaram funcionando normalmente. A gente não sentiu nenhum tipo de impacto nas nossas operações nem na nossa relação com os nossos clientes”, afirmou.
Automação acompanha expansão da estrutura
A DHL tem ampliado o uso de tecnologia nos centros de distribuição, incluindo robôs que auxiliam na separação de pedidos, leitura automática de etiquetas por OCR — reconhecimento óptico de caracteres, tecnologia que identifica informações em imagens — e ferramentas de inteligência artificial para planejamento operacional.
Os robôs usados para movimentar mercadorias horizontalmente dentro dos galpões já geram ganhos de aproximadamente 14% na produtividade, segundo Barrios. “É impossível fazer isso sem tecnologia”, disse. “Preciso da tecnologia para que seja possível escalar a operação. E sigo investindo em tecnologia e contratando pessoas.”
A divisão de supply chain da DHL tem cerca de 24 mil funcionários no Brasil, ante aproximadamente 18 mil no ano anterior. Barrios afirmou que o aumento do quadro mostra que a automação tem acompanhado a expansão das operações, e não substituído trabalhadores.
A empresa também ampliou sua estrutura de fulfillment, etapa que reúne atividades como armazenagem e preparação de pedidos para envio. A DHL Fulfillment Network (DFN) conta com cinco centros de distribuição em Jandira e Cajamar, em São Paulo, Serra, no Espírito Santo, Brasília e Extrema, em Minas Gerais. Juntas, as unidades somam mais de 35 mil metros quadrados de armazenagem. A companhia opera ainda 17 unidades dedicadas ao last mile, a etapa final da entrega ao consumidor.
A estratégia, segundo Barrios, é aproximar os estoques dos consumidores para reduzir prazos e elevar a eficiência logística. Como parte desse plano, a DHL prevê abrir novas operações em Fortaleza e Porto Alegre ao longo de 2027.

