Divina Cana: Descubra Como Este Alambique Transformou Três Pontas na Capital da Cachaça Artesanal


Descubra o Alambique Ouro Verde: A Arte da Cachaça no Sul de Minas

Localizado às margens de Três Pontas, uma cidade famosa por seu café de qualidade, o Alambique Ouro Verde se destaca na produção de cachaça, mesmo não sendo tão tradicional quanto a vizinha Salinas, que tem séculos de história na aguardente de cana. O responsável por essa jornada é Paulo Sérgio Souza Rodrigues, um empresário de 54 anos. Após décadas atuando no setor de curtumes, ele decidiu, junto com sua esposa Regina Helena, embarcar em uma nova aventura: a produção de cachaça artesanal.

O Início de um Projeto Passionante

A marca Divina Cana surgiu em 2016, alimentada pela paixão de Paulo e Regina pela cachaça de alambique. O que começou como um hobby cresceu, dando origem a um projeto de produção anual de 17 mil litros, dos quais apenas 4 mil são comercializados. O restante é cuidadosamente envelhecido. “A nossa intenção foi sempre buscar um sabor único”, explica Paulo, que só lançou a marca em 2022, seis anos após o início da produção.

O Tempo como Aliado

A filosofia do Alambique Ouro Verde é bem clara: a paciência é uma virtude. Nenhuma cachaça deixa seu espaço até completar pelo menos dois anos de descanso. As cachaças brancas, armazenadas em inox, ficam por dois anos, enquanto as amadurecidas em madeira continuam por no mínimo três. O lote mais antigo em seu estoque é de 2018, e Paulo destaca: “Aqui temos cachaça com seis anos”.

A Cachaça no Brasil: Um Patrimônio Cultural

Atualmente, a cachaça é a segunda bebida mais consumida no Brasil, ficando atrás apenas da cerveja. Com raízes que remontam ao período colonial, a cachaça carrega consigo um peso cultural, mesmo enfrentando preconceitos dados pela sua popularidade.

  • O setor gera mais de 600 mil empregos, diretos e indiretos.
  • Em 2024, o Brasil contava com 1.266 alambiques, marcando um crescimento de 35,4% desde 2021.
  • A produção anual chegou a 292,4 milhões de litros, um incremento de 29,6% em relação ao ano anterior.

A Ciência por Trás da Cachaça

A formação química de Paulo traz um diferencial para o seu alambique. Ao fermentar, o mosto fica em um grau Brix de 16, considerado ideal para evitar o estresse nas leveduras e, consequentemente, garantir uma bebida de qualidade superior. “A gente prefere manter esse padrão por questões de qualidade”, afirma Paulo.

As leveduras utilizadas foram desenvolvidas especificamente para o alambique, proporcionando um perfil aromático distinto. A fermentação ocorre em caixas especialmente mantidas em temperaturas controladas, entre 24°C e 31°C.

O Processo de Destilação

O cuidado na destilação também é um ponto forte da Divina Cana. Com 500 litros de mosto em alambique de cobre, a destilação é feita com bagaço da cana. Os cinco primeiros litros (a “cabeça”), ricos em metanol, são descartados, garantindo uma cachaça limpa e de qualidade.

Além disso, a acidez da bebida é rigorosamente monitorada. Enquanto a legislação permite até 150 miligramas de ácido acético por 100 mililitros, as cachaças da Divina Cana saem entre 12 a 15 miligramas – uma verdadeira busca pela suavidade na bebida.

O Coração do Alambique: Os Barris

Na sala dos barris, o Alambique Ouro Verde abriga uma variedade de madeiras: carvalho francês, americano, jequitibá, bálsamo e amburana, cada uma delas conferindo características singulares à cachaça.

  • Carvalho Americano: Traz notas de baunilha e caramelo.
  • Jequitibá: Suaviza a cachaça sem adicionar muitos sabores.
  • Amburana: Introduz especiarias como canela.

Antes de criar qualquer blend, Paulo é meticuloso: ele cheira cada barril e decide quais compõem a mistura final. Destacam-se os blends que ganharam medalhas, como o Febo e o Júpiter, ambos reconhecidos em competições renomadas.

A Inovação no Envelhecimento

Uma das inovações mais ambiciosas do Alambique Ouro Verde é a cachaça produzida pelo método solera, uma técnica clássica de envelhecimento onde barris são esvaziados parcialmente e repostos com novas cachaças. Isso garante que a bebida esteja sempre em evolução, ganhando complexidade ao longo do tempo.

Paulo tem uma visão clara sobre o envelhecimento. “As cachaças de até três anos têm um envelhecimento intenso. Depois disso, a evolução é mais lenta, quase imperceptível.”

A Cachaça do Futuro

Após seis anos de produção, com uma capacidade de 17 mil litros anuais, Paulo já se prepara para o futuro, com a estratégia de guardar mais do que vende. Isso garante, no longo prazo, a criação de uma cachaça verdadeiramente especial, construída pelo tempo.

O Alambique Ouro Verde não é apenas um lugar de produção; é um espaço onde paixão, ciência e tradição se encontram, resultando em uma cachaça que reflete o bom gosto de seus criadores e a tradição da bebida nacional.

Um Convite à Reflexão

Ao descobrir o universo da cachaça produzida no Alambique Ouro Verde, somos convidados a valorizar ainda mais esse patrimônio cultural brasileiro. Que tal compartilhar suas experiências com a cachaça e explorar novos sabores? A paixão por esse destilado vai além do copo; é um convite à descoberta e ao prazer de discutir os sabores que fazem parte da nossa cultura.

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