Com o dólar perto de R$ 5 e o Ibovespa acima dos 200 mil pontos, XP Investimentos, BTG Pactual e BB Investimentos avaliam que a exposição a ativos internacionais continua relevante para investidores brasileiros. As análises, divulgadas em outubro, apontam que a decisão deve considerar a diversificação da carteira, e não apenas a cotação da moeda americana.
Na terça-feira (20), o principal índice da Bolsa brasileira fechou aos 208.296 pontos, com alta de 1,57%, enquanto o dólar caiu 0,58%, para R$ 5,02. Na quarta-feira (21), o Ibovespa recuou para 206.495 pontos, e a moeda americana subiu para R$ 5,03.
As oscilações refletem a sensibilidade do mercado ao cenário eleitoral, às perspectivas para os juros e ao fluxo de investidores estrangeiros. Vitor Kayo, economista da Nomad, atribui parte da valorização do real à entrada de capital externo na Bolsa. A queda dos rendimentos dos títulos americanos também reduz a pressão sobre o câmbio, segundo ele.
Diversificação além da cotação do dólar
A XP Investimentos trata a exposição à moeda americana como uma forma de diversificar investimentos, e não apenas como uma aposta em sua valorização. Em relatório de alocação internacional para outubro, a instituição afirma que investir fora do Brasil pode reduzir a concentração no risco local e dar acesso a setores e empresas pouco representados no mercado brasileiro.
Na renda fixa internacional — investimentos em títulos de dívida —, a XP tem priorizado papéis com rendimentos indicativos entre 4,5% e 5,5% ao ano em dólares. O retorno pode incluir também o efeito da variação cambial, mas está sujeito a riscos de mercado, de crédito e de oscilação da moeda.
O BB Investimentos também defende a diversificação entre países. Vicente Lo Duca, estrategista-chefe de investimentos do banco, avalia que distribuir recursos por diferentes mercados reduz a dependência de uma única economia e de seu ciclo econômico, ou seja, das fases de expansão e desaceleração.
O banco, porém, recomenda seletividade diante dos juros elevados nos Estados Unidos. A cautela é especialmente relevante para ações de tecnologia, que, segundo a análise, já incorporam expectativas de crescimento associadas à inteligência artificial.
Espaço para ações brasileiras e americanas
A alta recente do Ibovespa não significa, por si só, que as ações brasileiras tenham esgotado seu potencial. Em relatório publicado na quarta-feira (21), o BTG Pactual informou que a Bolsa representa 8,9% do patrimônio sob gestão de investidores locais. Nas carteiras globais de investidores estrangeiros, as ações brasileiras correspondem a 0,37%.
Para o BTG, esses percentuais indicam espaço para novos fluxos de capital, sobretudo em direção às grandes empresas que compõem o Ibovespa. Ao mesmo tempo, na estratégia global de outubro, o banco manteve uma avaliação favorável para ações americanas e preservou a preferência por empresas ligadas à infraestrutura de inteligência artificial.
As recomendações, portanto, não se resumem a escolher entre investir no Brasil ou no exterior. Elas apontam para a distribuição do patrimônio entre mercados sujeitos a diferentes fatores de risco e fontes de retorno.
Acesso ao exterior pela B3
É possível investir em ativos estrangeiros sem abrir uma conta internacional. Uma opção são os fundos de índice, conhecidos pela sigla ETF, negociados na B3. O IVVB11, por exemplo, acompanha o S&P 500, índice composto por grandes empresas americanas.
Outra alternativa são os recibos de ações estrangeiras, chamados BDRs. Eles permitem investir indiretamente em companhias de outros países; a Microsoft, por exemplo, é negociada no Brasil por meio do código MSFT34. A diferença é que um ETF pode reunir centenas de empresas, enquanto um BDR de ação está ligado ao desempenho de uma companhia específica.
O câmbio também afeta o resultado. Em produtos sem proteção cambial, a queda do dólar pode reduzir ou até anular, quando o retorno é convertido para reais, os ganhos obtidos com a valorização dos ativos internacionais. Por isso, as análises recomendam definir qual parcela da carteira manter fora do país levando em conta o prazo, os objetivos financeiros e a tolerância ao risco, em vez de tentar acertar a menor cotação da moeda.

