Emissões da agropecuária somam 626 milhões de toneladas de CO₂ em 2025, diz Imaflora


O Brasil emitiu 626,3 milhões de toneladas de gases de efeito estufa (GEE) pela agropecuária em 2025, quase o mesmo volume de 2024, segundo levantamento do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), apresentado nesta quarta-feira (21). A queda de 0,07%, a menor variação anual desde 1970, refletiu a redução das emissões da pecuária e o avanço das emissões agrícolas, associado ao aumento da produção e da área cultivada.

A pecuária respondeu por 494,1 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), medida usada no levantamento para contabilizar as emissões de diferentes gases. A agricultura somou 132,1 milhões de toneladas. No primeiro segmento, as emissões recuaram 1,68%; no segundo, cresceram 6,45%.

“Ao final, parte da redução das emissões de gases de efeito estufa da atividade pecuária foi compensada pelo aumento das emissões da agricultura, decorrente da alta na produção agrícola”, afirmou Gabriel Quintana, coordenador de Ciência do Clima no Imaflora. Segundo ele, tecnologias e práticas de manejo podem permitir que o setor aumente a produção e reduza as emissões.

Pecuária reduz emissões com queda do rebanho

O gado de corte foi a principal fonte de emissões da agropecuária brasileira, com 410,7 milhões de toneladas de CO₂e, ou 65,6% do total do setor. A bovinocultura leiteira ficou em segundo lugar, com 48,6 milhões de toneladas. Juntas, as duas atividades representaram 73,3% das emissões, embora tenham registrado quedas de 1,7% e 2,9%, respectivamente, ante 2024.

O principal fator para a redução na pecuária foi a queda das emissões da fermentação entérica, processo digestivo dos ruminantes que libera metano, principalmente pela eructação. Essa fonte totalizou 396,8 milhões de toneladas de CO₂e em 2025, 1,8% menos que no ano anterior. O volume de metano emitido também está relacionado ao tamanho do rebanho, à alimentação e às características produtivas dos animais.

O país abateu 42,94 milhões de bovinos em 2025, alta de 8,2% em relação a 2024. A produção de carcaças aumentou 7,2%, para 11,1 milhões de toneladas. Foi o segundo ano seguido de crescimento do abate, enquanto o rebanho nacional caiu 1,7%, para 234,2 milhões de cabeças.

Na produção de leite, o número de vacas ordenhadas diminuiu 2,7%, para 14,7 milhões, enquanto a produção cresceu 2,7% e atingiu o recorde de 36,7 bilhões de litros, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento da produção por vaca ordenhada ocorreu no mesmo período em que as emissões da atividade recuaram 2,9%.

Expansão das lavouras eleva emissões agrícolas

Na agricultura, as emissões acompanharam o crescimento da produção. A colheita de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou a 345,4 milhões de toneladas, aumento de 18,2% sobre 2024. A área cultivada avançou 4,1 milhões de hectares, para 101,3 milhões. O Imaflora relaciona a expansão ao maior uso de insumos e à ampliação das operações de manejo dos solos.

As emissões associadas aos solos manejados somaram 188,6 milhões de toneladas de CO₂e, alta de 3% em relação às 183,2 milhões de toneladas do ano anterior e o maior volume da série histórica dessa categoria. O cálculo inclui fertilizantes nitrogenados, calcário, dejetos animais e resíduos de culturas. Como reúne fontes ligadas tanto à agricultura quanto à pecuária, esse total não deve ser somado diretamente às emissões atribuídas à atividade agrícola.

Os fertilizantes sintéticos nitrogenados emitiram 33 milhões de toneladas de CO₂e, e o uso de calcário, 29,2 milhões. Juntas, as duas fontes responderam por 9,9% das emissões do setor e cresceram no período. O uso de fertilizantes está associado à liberação de óxido nitroso nos solos; a aplicação de calcário libera dióxido de carbono durante as reações químicas no solo.

O manejo de dejetos animais gerou 29,4 milhões de toneladas, alta de 0,7%. Já as emissões do cultivo de arroz irrigado subiram 13%, para 11,2 milhões de toneladas. A água sobre o solo favorece processos de decomposição de matéria orgânica que liberam metano. Em sentido contrário, as emissões da queima de resíduos agrícolas da cana-de-açúcar caíram 30,3%, para 0,3 milhão de toneladas.

Produtividade aparece como caminho para reduzir emissões

Os dados mostram desempenhos diferentes entre os segmentos: a pecuária reduziu emissões em um ano de maior abate e menor rebanho, enquanto a expansão da produção e da área agrícola veio acompanhada de aumento nas emissões das lavouras. Para Quintana, práticas de manejo e tecnologias podem ajudar a conciliar os dois objetivos. “O setor agropecuário tem margem para continuar ampliando a produção com redução de emissões”, afirmou.

O coordenador também disse que a produtividade pode contribuir para esse avanço na produção animal e agrícola. Os indicadores dos próximos ciclos, segundo o levantamento, dependerão de fatores como tamanho do rebanho, ritmo de abate, expansão das áreas cultivadas e manejo dos animais e dos solos.

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