Empresas já testam agentes de IA para realizar tarefas no trabalho


Empresas como Tecban, Pronto Housing, Johnson & Johnson e Moody’s estão usando agentes de inteligência artificial (IA) para executar tarefas operacionais e apoiar atividades de análise e pesquisa. Os casos, registrados em 2026 e em relatos de executivos, mostram a tecnologia atuando desde o atendimento a incidentes de informática até etapas da descoberta de medicamentos. A adoção busca automatizar processos definidos, sem eliminar a participação de funcionários em decisões e revisões.

Ao contrário de assistentes digitais que aguardam perguntas ou comandos, agentes de IA recebem uma tarefa e percorrem as etapas necessárias para realizá-la, respeitando os acessos e limites estabelecidos pela empresa. Na prática, podem reunir informações, consultar documentos ou dividir um trabalho complexo em partes. O grau de autonomia varia conforme a atividade e as regras internas.

Agentes apoiam operações na Tecban

A Tecban, responsável pela rede Banco24Horas, contabilizava cerca de 80 agentes de IA e 98 casos de uso registrados em maio de 2026. Os sistemas estavam distribuídos por diferentes áreas da empresa, segundo dados divulgados pela Microsoft naquele mês.

Um dos agentes atua no gerenciamento de incidentes de tecnologia. Ele reúne informações para ajudar as equipes a identificar a origem de falhas. Outros podem consultar documentos internos e realizar tarefas que antes dependiam de buscas e etapas manuais.

De acordo com a Microsoft, as soluções haviam acumulado mais de 12,6 mil horas de assistência aos funcionários da Tecban. A empresa pretende ampliar o uso da tecnologia. Marcio Mazza, diretor de Tecnologia e Digital da companhia, afirmou à Microsoft que o plano é ter “pelo menos um agente por equipe, ampliando o acesso à inteligência artificial de forma estruturada e segura”.

O exemplo mostra uma aplicação voltada à rotina interna: os agentes ajudam a localizar informações e a organizar o atendimento de problemas técnicos. A quantidade de horas informada pela Microsoft corresponde ao suporte prestado aos funcionários, sem detalhar como esse tempo foi distribuído entre os casos de uso.

Assistente virtual assume tarefas na Pronto Housing

Na Pronto Housing, empresa americana de tecnologia para o setor habitacional, um agente chamado Alice participa de tarefas como marcar reuniões, acompanhar pendências, redigir contratos e escrever código. A ferramenta não é funcionária da companhia, mas foi incorporada à rotina da equipe.

Christine Wendell, CEO da Pronto Housing, relatou a experiência à revista Wired. Segundo a descrição, a empresa não usa os agentes apenas para atender a pedidos isolados. Eles trabalham ao lado da equipe e assumem parte de atividades operacionais recorrentes.

A atuação, porém, tem limites. Os agentes recebem trabalhos previamente definidos, enquanto decisões e revisões permanecem sob responsabilidade dos funcionários. A divisão estabelece uma fronteira entre tarefas que podem ser automatizadas e etapas que ainda dependem de avaliação humana.

Johnson & Johnson testa IA na pesquisa de medicamentos

Na Johnson & Johnson, os testes envolvem uma atividade mais especializada: a descoberta de novos medicamentos. Um dos sistemas analisa variáveis relacionadas à síntese química para identificar o momento adequado de trocar solventes. Essa etapa costuma exigir análises sucessivas de pesquisadores até que sejam encontradas condições apropriadas.

Jim Swanson, diretor de informação da farmacêutica, detalhou a experiência ao The Wall Street Journal. A empresa testou agentes em diferentes frentes, mas passou a selecionar com mais cuidado as atividades em que a autonomia da tecnologia pode trazer ganhos ao trabalho.

A companhia também buscava, em setembro de 2026, profissionais para desenvolver fluxos de trabalho com IA agêntica na pesquisa de medicamentos. As vagas mencionavam o processamento de dados experimentais e análises que conectem resultados de laboratório aos modelos usados pelos cientistas. A iniciativa indica que a aplicação ainda envolve desenvolvimento de processos para integrar dados e ferramentas de pesquisa.

Moody’s divide análise financeira entre agentes

A Moody’s usa uma equipe virtual de 35 agentes especializados para repartir etapas de uma análise financeira. O sistema, chamado Project Guardian, atribui funções diferentes aos agentes: alguns pesquisam empresas e setores, enquanto outros examinam documentos e informações financeiras.

Depois, os resultados são reunidos para apoiar o trabalho dos analistas humanos. Nick Reed, diretor de produtos da Moody’s, explicou ao The Wall Street Journal como a empresa está coordenando os agentes nas análises. A companhia também desenvolve ferramentas próprias de IA para pesquisa e avaliação do mercado financeiro.

Os casos apontam usos distintos da mesma abordagem: automatizar tarefas administrativas, organizar informações técnicas ou dividir uma análise em etapas. Em todos eles, a aplicação depende de definir o que cada agente pode fazer e como seus resultados serão usados por pessoas. Na pesquisa farmacêutica e na análise financeira, por exemplo, os sistemas apoiam atividades de especialistas, mas os relatos não indicam que tenham substituído a revisão humana.

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