Estratégias para proteger a carteira de investimentos após as eleições


Com a definição do próximo presidente da República, investidores se preparam para possíveis oscilações na Bolsa, no dólar e nos juros a partir da abertura do mercado nesta segunda-feira (26). Especialistas ouvidos durante uma transmissão sobre a apuração do segundo turno recomendaram manter uma carteira diversificada e adequada aos objetivos e ao perfil de risco, sem depender de um resultado eleitoral específico.

A disputa foi entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Para João Arthur Almeida, diretor de Investimentos e Relacionamento com o Cliente da Suno Consultoria, o investidor deve evitar mudanças precipitadas motivadas pela incerteza. “O que a gente sempre fala na consultoria é que a sua carteira não pode depender de um resultado específico. Afinal, isso é um resultado imprevisível”, afirmou.

Diversificação internacional e exposição ao dólar

Uma das estratégias discutidas foi investir também em ativos ligados a mercados internacionais. Essa diversificação pode reduzir a concentração do patrimônio no Brasil e, segundo Almeida, ativos vinculados ao dólar podem oferecer proteção parcial contra a desvalorização do real e os efeitos da inflação doméstica.

Como referência inicial, o diretor mencionou uma exposição de aproximadamente 15% a 20% do patrimônio em ativos dolarizados. O percentual, porém, não é uma regra para todos os investidores. A parcela adequada depende dos objetivos, do prazo em que o dinheiro será investido e da capacidade de suportar perdas temporárias.

Uma pessoa que planeja custear os estudos dos filhos no exterior, por exemplo, pode precisar de uma exposição maior à moeda americana. Entre as alternativas citadas estão ações internacionais e outros ativos vinculados ao dólar. Esses investimentos também têm riscos: seus valores podem oscilar conforme o câmbio e o desempenho dos mercados externos.

Liquidez para aproveitar oportunidades

Outra recomendação foi manter uma parte da carteira em aplicações de alta liquidez, que permitem resgatar os recursos com facilidade. Essa parcela pode servir como uma reserva de oportunidades: o investidor mantém dinheiro disponível para comprar ativos quando encontrar preços que considere atrativos, sem precisar vender outros investimentos em um momento desfavorável.

Almeida citou o CDI, taxa de referência usada em grande parte das aplicações de renda fixa no Brasil, como uma alternativa para remunerar esses recursos. O retorno efetivo, contudo, depende da inflação e da tributação. Essa reserva de oportunidades não deve ser confundida com a reserva de emergência, destinada a despesas inesperadas e que precisa priorizar segurança e liquidez.

A escolha entre ativos conservadores e investimentos sujeitos a maiores oscilações deve considerar o horizonte de investimento e a tolerância a perdas. Pessoas com menor disposição para lidar com variações podem precisar de uma parcela maior em aplicações conservadoras. Já investidores com prazos mais longos e maior capacidade de suportar perdas podem avaliar uma exposição maior à renda variável.

Organizar o orçamento antes de investir

Para quem está começando, Almeida afirmou que o primeiro passo não é escolher ações nem tentar prever os movimentos do mercado, mas organizar as finanças e criar o hábito de poupar. “Você pode ser o melhor investidor do mundo, se você não conseguir poupar, você não vai chegar a lugar nenhum”, disse.

A regularidade dos aportes ao longo do tempo pode ser mais importante do que tentar acertar o momento ideal para comprar ou vender ativos. Depois de estabelecer essa disciplina, o investidor pode definir seus objetivos, entender o próprio perfil de risco e montar uma carteira diversificada.

O planejamento, segundo a orientação apresentada, ajuda a evitar que momentos de estresse levem a mudanças impulsivas na estratégia. A composição dos investimentos deve refletir a capacidade de cada pessoa de suportar perdas temporárias, além do prazo e da finalidade de cada aplicação.

Reações iniciais podem levar a decisões precipitadas

A volatilidade esperada para a abertura do mercado na segunda-feira (26) também foi abordada por João Daronco, head de ações da Suno Research. Ele recomendou cautela tanto diante de eventuais quedas quanto de altas expressivas dos papéis. “Se cair, não é o melhor momento pra vocês venderem. […] Se subir, também não é o melhor momento pra vocês comprarem”, afirmou.

Daronco defendeu que os investidores deem tempo para o mercado absorver o resultado eleitoral antes de tomar decisões com base apenas nas primeiras reações dos preços. A análise, segundo ele, deve considerar os fundamentos das empresas, suas perspectivas de longo prazo e quanto das expectativas já está incorporado às cotações.

A recomendação dos especialistas é evitar tentativas de antecipar tanto o resultado político quanto a reação imediata da Bolsa. A diversificação, a disciplina financeira e o alinhamento entre investimentos, objetivos e perfil de risco foram apontados como formas de atravessar diferentes cenários sem alterar a estratégia por medo ou euforia.

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