Seca reduz produção de milho na França à metade e força importações recordes


A produção de milho da França deve cair pela metade neste ano, para 7 milhões de toneladas, segundo estimativa divulgada na terça-feira pela AGPM, associação francesa de produtores do cereal. A redução das áreas plantadas e o calor e a seca excepcionais danificaram as lavouras; se confirmada, a colheita será a menor desde 1976.

Calor e falta de água prejudicaram as lavouras

A previsão contrasta com as 13,7 milhões de toneladas colhidas no ano passado. De acordo com a AGPM, a queda reflete tanto a diminuição da área plantada quanto as condições climáticas registradas durante o ciclo das lavouras.

A França enfrentou um dos períodos de calor e seca mais severos já registrados no país. Entre maio e agosto, temperaturas recordes foram observadas na maior parte do território, afetando as plantações, as pastagens e o abastecimento de água.

O presidente da AGPM, Franck Laborde, atribuiu parte das perdas às ondas de calor associadas às mudanças climáticas. Ele também apontou as restrições francesas ao armazenamento de água. Segundo Laborde, essas limitações impediram agricultores de utilizar água que poderia ter sido guardada após um inverno excepcionalmente chuvoso.

“O pior já aconteceu”, afirmou Laborde a jornalistas. A declaração se refere aos danos já provocados nas lavouras, que reduziram a expectativa de produção para a safra deste ano.

Safra deve pressionar agricultores e vilas

As culturas sem irrigação foram as mais atingidas pela falta de chuva. Elas costumam responder por cerca de um terço da produção francesa de milho, segundo Aude Cerrera, do instituto agrícola Arvalis. Com os danos causados pelo clima seco, grande parte da colheita deverá ser destinada à produção de milho para ração animal, disse ela.

A retração da safra também deve reduzir em 2,5 bilhões de euros as vendas do setor. Laborde afirmou que o efeito será sentido nas vilas onde a agricultura é a principal fonte de renda, além de atingir os produtores diretamente.

O governo francês anunciou um pacote de ajuda de 1,3 bilhão de euros e se comprometeu a ampliar a capacidade de armazenamento de água para a agricultura. Para Laborde, porém, o apoio anunciado não basta: agricultores precisam de recursos para manter as operações e preparar o próximo plantio.

“Sem fluxo de caixa imediato, não haverá próxima safra”, disse o presidente da associação. A afirmação relaciona a falta de dinheiro disponível às condições dos produtores para comprar insumos e iniciar o cultivo de grãos antes da próxima temporada.

França deve recorrer a importações

A queda da oferta levará a França a importar volumes significativos de milho nesta safra, pela primeira vez na história, segundo a notícia. Brasil e Ucrânia devem ser as principais origens do cereal comprado pelo país.

As compras francesas ocorrem em um contexto de perdas agrícolas mais amplas na Europa. No mês passado, a FEFAC, grupo europeu de fabricantes de rações, estimou que a seca no continente obrigaria a União Europeia a importar 7 milhões de toneladas adicionais de milho na safra de 2026/27.

A estimativa da FEFAC se refere ao conjunto da União Europeia e à próxima safra, enquanto a projeção da AGPM trata da produção francesa neste ano. Em ambos os casos, a redução da oferta aparece associada à seca. Para os agricultores franceses, a combinação de menor colheita, queda nas vendas e necessidade de financiamento para o próximo plantio amplia a pressão sobre o setor.

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