Jovens da Geração Z Buscam Alívio do Vício em Celulares
Os jovens da Geração Z estão cada vez mais em busca de maneiras de combater o vício em celulares, utilizando produtos que tornam mais difícil a tentação de rolar incessantemente o feed. No entanto, essa estratégia não implica abrir mão do telefone por completo; ao contrário, é uma forma de redescobrir o equilíbrio digital.
O Fenômeno do Detox Digital
Em meio a uma avalanche de vídeos sobre saúde, corrida e bem-estar, surgem os conceitos de “detox digital”. Essa tendência se espalha pelas redes sociais e envolve passar um tempo longe dos aplicativos que mais viciam, visando melhorar não apenas o sono, mas também a concentração e a produtividade.
Recentemente, diversos produtos foram desenvolvidos para ajudar as pessoas a resistir ao impulso automático de acessar redes sociais durante pequenos intervalos do dia.
Produtos Inovadores para Reduzir o Uso do Celular
Uma das empresas que se destacou nesse cenário é a Bloom. Criada por dois estudantes universitários, a Bloom lançou um dispositivo com valor estimado em US$ 39, uma alternativa que busca auxiliar na contenção do uso excessivo de aplicativos.
O cartão Bloom, confeccionado em aço inoxidável, funciona em conjunto com um aplicativo que permite ao usuário decidir quais aplicativos bloquear e por quanto tempo. O funcionamento é simples: basta encostar o cartão no celular e o acesso aos aplicativos escolhidos fica temporariamente restrito. É possível também programar pausas de cinco minutos, em que os apps podem ser utilizados.
Giancarlo Novelli, cofundador da Bloom, compartilhou como o dispositivo o ajudou a diminuir o uso do celular e a melhorar sua atenção. Ele enfatiza que a questão do vício em smartphones é alarmante, comparando-a a um antigo hábito social, como o fumo, que só foi reconhecido como prejudicial após estudos rigorosos.
Impactos das Redes Sociais na Saúde Mental
Aplicativos populares como Instagram e TikTok são, segundo Novelli, os mais bloqueados, pois sua natureza viciante se assemelha a “máquinas caça-níqueis” no bolso. Essas plataformas, liberando hormônios de bem-estar, têm seu impacto na saúde mental ainda em estudo.
Um levantamento da Universidade de Alberta, realizado em 2025, sugere que o uso de redes sociais pode estar atrelado a casos de depressão e ansiedade, dependendo do padrão de uso individual.
Kristian del Rosario, influenciadora e advogada de 28 anos, mencionou à Fortune que sua produtividade aumentou desde que começou a usar um dispositivo concorrente da Bloom, chamado Brick. A Brick também atua como um bloqueador de aplicativos e a atraí por criar uma barreira física que dificulta o acesso automático.
O Papel da Intencionalidade
TJ Driver, fundador da Brick, acredita que a separação entre o usuário e o dispositivo é crucial para transformar o “doomscrolling” em uma ação mais consciente. Ao exigir um pequeno esforço para desbloquear um aplicativo, o usuário é levado a refletir sobre a real intenção por trás de seu ato, configurando um espaço para decidir se vale a pena ou não perder tempo naquela atividade.
Del Rosario acrescentou que aprecia o fato de poder manter as mensagens ativas para se comunicar com clientes, além de poder desativar o bloqueio durante momentos de pausa.
A Nostalgia do Mundo Analógico
A popularidade de dispositivos como o Bloom e o Brick indica uma crescente preferência entre os jovens pelo essencial ao mundo analógico. Parte da Geração Z busca alternativas que resgatem a nostalgia, trocando um pouco das interações digitais por experiências tangíveis, como discos de vinil e cartões escritos à mão.
Essa tendência ocorre em meio a discussões sobre o vício em redes sociais. Recentemente, Adam Mosseri, chefe do Instagram, defendeu sua plataforma em um tribunal, alegando que existe uma diferença entre dependência clínica e uso problemático.
Uma Realidade a Ser Enfrentada
Independentemente de serem verdadeiramente viciantes ou não, é inegável que muitos na Geração Z estão lutando para restringir o tempo que passam em frente às telas, mesmo com o desejo de fazê-lo. “Na maioria das vezes, usamos os celulares para obter informações sobre o mundo ao nosso redor”, disse Del Rosario, refletindo sobre essa dinâmica.
O Futuro da Bloom
Giancarlo Novelli deseja expandir sua startup Bloom, que já vendeu mais de 60 mil unidades, buscando novas funcionalidades, até mesmo para laptops. Ele ressalta que, mesmo sem rolar feeds, é fácil se perder em conteúdos intermináveis do YouTube ou na maratona de séries na Netflix.
Por mais que a procura por dispositivos que ajudem a controlar o uso de redes sociais esteja crescendo, algumas dúvidas permanecem. Afinal, muitos dos compradores conhecem essas soluções pela internet e discutem suas experiências nas redes sociais, gerando questionamentos sobre a autenticidade de influenciadores que promovem produtos desse tipo.
A Questão Central
Alex Kirshner, colunista da Slate, levantou uma crítica em um de seus podcasts, apontando que a promoção de dispositivos como Bloom e Brick por influenciadores pode parecer contraditória quando eles postam sobre suas experiências enquanto tentam desconectar-se do celular.
Para Novelli, o problema não reside nas redes sociais em si, mas na automática compulsão de pegar o telefone e rolar o feed. Ele acredita que essas plataformas podem servir como uma ótima ferramenta de comunicação, se utilizadas de maneira equilibrada.
“Não há problema em usar redes sociais, contanto que haja um equilíbrio. A questão principal é: como você pode regular isso na sua vida?” finaliza.
O que você acha dessa crescente busca por desintoxicação digital e a luta pela auto-regulação nas redes sociais? Sinta-se à vontade para compartilhar sua opinião nos comentários!




