Google limita uso do Gemini 4 Carbon para defensores cibernéticos verificados


O Google anunciou na quarta-feira (28) o Gemini 4 Carbon, modelo de inteligência artificial voltado à segurança cibernética, e liberou o acesso inicial a um grupo restrito de profissionais da área. A empresa afirma que a ferramenta identifica vulnerabilidades, cria métodos de exploração e corrige códigos com mais eficiência que o Gemini 4 Argon, lançado cerca de duas semanas antes, mas não informou quando o Carbon poderá ser usado pelo público em geral.

A decisão de restringir o modelo reflete o risco associado a uma tecnologia capaz de encontrar falhas e desenvolver exploits — códigos ou técnicas que aproveitam essas vulnerabilidades. Para empresas e equipes de segurança, os critérios de acesso definidos pelo Google também podem influenciar as condições de uso de ferramentas avançadas de inteligência artificial no setor.

Quem pode acessar o Carbon

A distribuição inicial ocorre pelo Fairwind, programa do Google que, segundo a companhia, reúne mais de 650 parceiros. Governos, operadores de infraestrutura crítica e plataformas de tecnologia consideradas essenciais têm prioridade. Laboratórios acadêmicos que realizam avaliações comparativas de segurança também podem se candidatar.

As organizações interessadas precisam preencher um formulário. Depois, o Google verifica o histórico de segurança dos candidatos. Os parceiros devem adotar autenticação multifatorial resistente a ataques de phishing, restringir o modelo às equipes internas de segurança, resposta a incidentes e testes de invasão, além de acompanhar quais funcionários o utilizam.

Entre as atividades permitidas estão simulações de ameaças, engenharia reversa e análise de malware. A criação de software malicioso é proibida. O Google não divulgou os nomes dos parceiros no texto sobre o programa, embora a lista de organizações seja maior, no papel, que a anunciada pela Anthropic para uma iniciativa semelhante.

Desempenho, duração e preço

O Carbon foi desenvolvido para executar tarefas prolongadas. O Google diz que o modelo trabalhou durante dias em atividades realizadas por suas próprias equipes, como localizar a causa de um erro em uma grande base de código e, em seguida, corrigi-lo.

Nos testes divulgados pela empresa, o modelo teve 88,2% de acerto no SEC-bench Pro, usado para avaliar a detecção de vulnerabilidades. No ExploitGym, voltado à exploração de falhas, alcançou 54,8%; no CWE-bench, que mede a aplicação de correções, marcou 71%. O Google também afirma que o Carbon mais que dobra a taxa de sucesso do Argon na geração de código seguro.

A companhia informou que os testes externos de cibersegurança foram feitos sem salvaguardas, ou seja, com as recusas do modelo desativadas. A maior parte das alegações de desempenho vem de avaliações próprias do Google, que não citou reproduções independentes dos resultados. A empresa diz que ainda coleta comentários e aprimora as proteções antes de uma eventual oferta mais ampla.

Durante o período introdutório, o preço do Carbon será igual ao do Argon: US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída. Tokens são unidades de texto processadas pelo modelo. Depois da fase inicial, os valores sobem para US$ 4 e US$ 20, respectivamente.

Comparação com o programa da Anthropic

Em abril, a Anthropic adotou uma estratégia semelhante com o Glasswing, que oferece a 12 parceiros — entre eles AWS, Apple, Microsoft e Nvidia — acesso antecipado ao Claude Mythos. Mais de 40 organizações que mantêm softwares críticos também participam. A empresa afirma ter comprometido até US$ 100 milhões em créditos de uso e US$ 4 milhões em doações para grupos de segurança de código aberto. Também diz que não planeja lançar o Mythos Preview ao público em geral.

As duas empresas apresentam as restrições como medidas defensivas e concedem acesso a organizações verificadas. A Anthropic, porém, identificou os parceiros de lançamento e informou sobre o financiamento a mantenedores de projetos de código aberto; depois, acrescentou um programa de verificação em níveis. O Google exibe logotipos de parceiros do Fairwind, mas não os identifica no texto.

Os preços e os resultados divulgados não permitem uma comparação direta entre os modelos. Após a prévia de pesquisa, o Mythos Preview custa US$ 25 por milhão de tokens de entrada. Já os testes de desempenho usam benchmarks diferentes, o que limita conclusões sobre a capacidade relativa das ferramentas.

Limites da verificação e da operação

Uma análise da WorkOS sobre a implementação do Argon aponta questões que também podem se aplicar ao Carbon. A verificação dos parceiros ocorre inicialmente em um único momento, e o Google não explicou o que levaria a uma nova análise após uma violação de segurança ou a aquisição de uma organização participante. Além disso, embora o acesso seja concedido à organização, o risco de uso indevido envolve funcionários individualmente. Como a lista de participantes é privada, os parceiros também não sabem quais outras organizações compartilham o mesmo nível de confiança.

Há ainda um desafio operacional: se o Carbon identificar muitas falhas em pouco tempo, as equipes precisarão confirmar cada problema e implementar as correções. A saída do CodeMender, ferramenta citada na reportagem de origem, ainda requer aprovação de um engenheiro. O ganho na detecção, portanto, pode deslocar o gargalo para a triagem e a revisão.

Para empresas fora das categorias prioritárias, a possibilidade de candidatura e os critérios de seleção serão determinantes. Também será necessário verificar como o uso é registrado e com que rapidez o acesso é revogado quando alguém deixa a equipe de segurança. A WorkOS descreve a implementação do Argon como uma liberação inicial para defensores confiáveis, seguida por clientes da API paga. Caso o Google siga essa sequência com o Carbon, a disponibilidade poderá avançar por etapas.

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