Transformando a Amazônia: A Iniciativa Visionária de Fabio Ongaro e sua Equipe
Uma conversa entre amigos, surgida em uma sacada tranquila no norte da Itália, impulsionou um projeto ambicioso: a aquisição de 3 mil hectares de floresta nativa na Amazônia. Fabio Ongaro, um economista italiano de 59 anos e CEO da Energy Group Brasil, vive no país há quase 20 anos e também é vice-presidente de finanças da Câmara de Comércio Italiana em São Paulo (Italcam).
Mas esse sonho não é um esforço solitário. Ongaro se juntou ao engenheiro elétrico Rosário Zaccaria, de 57 anos, e ao engenheiro de produção Jhonathan Santos, de 36, formando um trio destemido em busca de soluções sustentáveis. O projeto deles combina tecnologias avançadas de mensuração ambiental com uma estrutura financeira sólida, visando transformar a preservação da floresta em um ativo econômico. Destaca-se que o potencial de faturamento é impressionante: até US$ 1,5 milhão por ano, ou cerca de R$ 7,5 milhões.
Do Telefone à Preservação: Como Tudo Começou
O grande impulso inicial aconteceu durante uma ligação entre amigos em janeiro de 2022. Ongaro, curtindo suas férias em uma sacada com vista para a neve, recebeu uma chamada de Zaccaria, que estava em Lisboa, contemplando as águas do Rio Tejo. O que parecia ser um bate-papo casual rapidamente se transformou em uma ideia inovadora: como ajudar a preservar a Floresta Amazônica?
“Que tal comprarmos um pouco de terra e deixá-la intacta? Isso já ajudaria na preservação”, sugeriu Ongaro. A proposta era simples, mas de grande impacto, abrindo caminho para uma abordagem que fosse financeiramente viável e acessível.
Amazônia: Um Tesouro em Perigo
A Floresta Amazônica, a maior do planeta, abrange 700 milhões de hectares e se estende por nove países da América do Sul, com 60% de sua área localizada no Brasil. No entanto, a realidade é alarmante: entre 1985 e 2024, cerca de 52 milhões de hectares de vegetação nativa foram perdidos, segundo dados do MapBiomas. Recentemente, o desmatamento na Amazônia atingiu 5,8 mil km², uma redução de 11,08% em comparação ao período anterior, mas ainda longe do ideal.
Amazon Tree: A Iniciativa em Ação
Assim surgiu a Amazon Tree, onde Ongaro, Zaccaria e Santos decidiram usar seus próprios recursos para adquirir terras no município de Rio Preto da Eva, no Amazonas. Com um investimento inicial de cerca de R$ 5 milhões, o plano inclui a aquisição de duas propriedades que juntos totalizam 3 mil hectares. O diferencial desse projeto é que, em vez de vender a terra, eles comercializam o serviço de preservação ambiental através de contratos anuais.
“Preservar custa. Se não houver um modelo econômico sólido por trás, a conservação não se sustenta a longo prazo”, afirma Ongaro, enfatizando a necessidade de viabilidade econômica para a preservação.
Monetização e Tecnologia: Uma Nova Abordagem
A monetização do projeto se dá através do mercado voluntário de carbono. Eles criaram uma plataforma que divide a floresta em pequenos lotes de 256 metros quadrados. Cada hectare de floresta equivale a aproximadamente 39 lotes, cada um dos quais gera um NFT (Token Não Fungível). Este token serve como um certificado digital de autenticidade, garantindo a singularidade da propriedade dentro da rede blockchain, o que já era uma das principais barreiras no comércio de créditos de carbono.
A estrutura da Amazon Tree garante que não haja duplicação de créditos e que cada área seja comercializada de forma transparente e ética. O cálculo do potencial de sequestro de carbono utiliza tecnologia de satélite para avaliar a biomassa florestal, o que é um grande avanço em termos de monitoramento e certificação ambiental.
O Mercado do Carbono: Potencial e Desafios
A precificação dos lotes atualmente gira em torno de US$ 25 (aproximadamente R$ 137,92). Se toda a área monitorada for comercializada dentro de um ano, o faturamento do projeto pode alcançar a previsão inicial de US$ 1,5 milhão. Embora Ongaro evite fazer previsões rígidas, ele reconhece que o potencial econômico cresce à medida que surgem contratos maiores e de longo prazo, especialmente com empresas que enfrentam rígidas exigências ambientais.
Iniciativas de Sustentabilidade em Movimento
Ainda que o projeto tenha começado em menor escala, já se concretizaram negociações com grupos internacionais, como uma associação suíça do setor de transporte aéreo, que poderia absorver toda a área atualmente inserida na plataforma. Além disso, a primeira operação já foi realizada com a empresa paulista Action Cargo, que atua em logística no transporte aéreo, marítimo e rodoviário.
“O mercado atual não carece de discursos ambientais, mas de confiança. Quando ofertamos método e transparência, a decisão de investimento deixa de ser ideológica e passa a ser econômica”, analisa Ongaro.
Os Desafios e o Futuro da Iniciativa
O risco inicial do projeto foi totalmente assumido pelos fundadores, sem apoio financeiro externo. “Ou o modelo é financeiramente sustentável, ou não deveria existir”, observa Ongaro, que é firme em sua visão de que deve haver equilíbrio entre lucro e impacto ambiental.
Atualmente, a Amazon Tree opera com uma estrutura enxuta, focada em tecnologia e gestão eficiente, enquanto continua testando a escalabilidade do projeto. Ongaro mantém uma visão crítica sobre o mercado de créditos de carbono, considerando-o uma ferramenta transitória até que se encontre soluções mais permanentes para a redução de emissões.
Próximos Passos: Expansão e Inclusão
No horizonte, novas perspectivas estão sendo avaliadas. Uma das opções é duplicar a área preservada, com a aquisição de mais 3 mil hectares. Outra possibilidade é abrir a plataforma a outros proprietários de terras, permitindo que áreas privadas preservadas também possam monetizar seus serviços ambientais, utilizando a tecnologia e a certificação desenvolvidas pelo projeto.
“Não estamos criando um projeto filantrópico, nem um fundo especulativo. Estamos mostrando que é possível valorizar a floresta com ela em pé, em vez de derrubada, e tudo indica que essa visão está se concretizando”, conclui Ongaro.
Essa iniciativa não só promove a conservação da Amazônia, mas também serve como um modelo inovador que pode inspirar outros ao redor do mundo. E, afinal, preservar a natureza não é apenas uma questão de responsabilidade ambiental, mas uma oportunidade de transformar o futuro econômico do nosso planeta. O que você acha dessa abordagem? Como imagina que outras iniciativas similares podem impactar nosso meio ambiente?


