Grupo Pluma: O Investimento de US$ 50 Milhões que Revoluciona a Avicultura no Paraguai!


O Paraguai está em um momento decisivo para sua indústria avícola, com a intenção de se tornar um dos principais centros de produção de aves da América Latina. Para alcançar esse objetivo ambicioso, o país está direcionando investimentos estratégicos para aprimorar diferentes etapas da cadeia produtiva. Um exemplo disso é o projeto do Grupo Pluma, que está investindo US$ 50 milhões (cerca de R$ 252,6 milhões) para estabelecer operações em Yhú, Caaguazú. Esse projeto tem como foco a produção local de ovos férteis e pintinhos, insumos essenciais para abastecer o setor de granjas no Paraguai e impulsionar seu crescimento.

Com uma capacidade projetada para produzir até seis milhões de ovos férteis mensalmente, a iniciativa também deverá gerar 180 novos postos de trabalho diretos. Segundo Javier Viveros, vice-ministro da Indústria, esse empreendimento representa uma oportunidade valiosa para expandir a capacidade produtiva do país e garantir que os benefícios se espalhem além das grandes cidades. O Grupo Pluma, que tem sua sede em Dois Vizinhos, Paraná, é liderado pelos sócios Lauri, Adroaldo e Adriano Paludo, juntamente com Mauri Mazurek.

“Este investimento é um marco estratégico para o fortalecimento da cadeia avícola no Paraguai. Incorporar essa etapa fundamental da produção dentro do nosso território traz maior segurança para o abastecimento das granjas e garante que mais valor adicionado fique no país”, destacou Viveros.

ArqForbes ParaguaiJavier Viveros, vice-ministro da indústria paraguaia

O impacto desse projeto não se limitará apenas aos avicultores; ele irá beneficiar também agricultores, transportadores e prestadores de serviços. A possibilidade de utilizar insumos nacionais deve acompanhar a expansão das granjas, o que, por sua vez, pode subsidiar maior demanda por matérias-primas locais, como milho e soja, utilizadas na fabricação de ração.

Menos Dependência e Maior Capacidade

Um dos maiores obstáculos enfrentados pela indústria avícola paraguaia é a alta dependência de fornimentos externos, especialmente no que tange a ovos férteis e pintinhos. Com o complexo da Pluma em operação, estima-se que o Paraguai possa atender até 90% de suas necessidades de abastecimento local, uma meta que depende da implementação e utilização plena da capacidade instalada.

Esse movimento se alinha com um cenário de crescimento nas exportações avícolas. Dados do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa) indicam que, em agosto de 2026, as exportações superaram 10.600 toneladas, gerando quase US$ 13 milhões (R$ 65,68 milhões). Esses números refletem aumentos anuais de 57% em volume e 69% em receita cambial, além da abertura de novos mercados, como o de Taiwan.

“Isso significa que nossos produtores terão um fornecimento local muito mais previsível, além de reduzir o risco de interrupções no abastecimento externo. O nosso objetivo é transformar nossa produção agrícola em proteína animal e criar mais empregos em nosso país”, frisou Viveros. Esse fornecimento mais confiável de insumos permitirá aos produtores expandirem suas operações com maior segurança.

O projeto integra vários atores do setor: a Pluma ficará responsável pela produção de ovos férteis e pintinhos, enquanto as granjas cuidarão da engorda. Empresas como JBS e Pollpar são vitais no processamento e comercialização desse produto, o que é essencial para satisfazer a crescente demanda mundial e garantir que a oferta acompanhe o crescimento do setor.

A JBS, importante player do mercado, fez seu retorno oficial ao Paraguai em outubro de 2025, voltando ao país após um hiato de sete anos, durante o qual vendeu seus ativos de carne bovina para a Minerva. O retorno se consolidou por meio de pesados investimentos na avicultura, iniciando pela aquisição da marca Pollos Amanecer. Como parte de sua estratégia de expansão, a JBS anunciou que sua unidade terá capacidade para processar 100 mil aves por dia após ser ampliada. A oferta de matéria-prima avícola produzida localmente será crucial para sustentar esse crescimento, embora o impacto sobre as exportações dependa também da capacidade de abate, da expansão das granjas e da regulação sanitária dos novos mercados.

Para se tornar uma referência avícola nas Américas, o Paraguai precisa ir além do aumento da produção, segundo Viveros. O país deve consolidar sua cadeia produtiva, garantindo que suas vantagens agrícolas se transformem em proteína animal, empregos e receitas. Isso implica também em investimentos que fortaleçam cada elo dessa cadeia, tornando-a competitiva de forma sustentada nos mercados internacionais.

O avanço do Paraguai na indústria avícola é um convite para reflexão sobre como o país pode revolucionar suas produções e aproveitar suas riquezas naturais. A transformação em um polo avícola regional pode, de fato, mudar a dinâmica econômica do país e oferecer aos seus cidadãos novas oportunidades de desenvolvimento.

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