Os mercados globais operam com sinais mistos nesta quarta-feira, 28 de outubro, com investidores divididos entre o entusiasmo com empresas de inteligência artificial e a avaliação de balanços do setor financeiro. No Brasil, o foco está na temporada de resultados, enquanto o mercado aguarda a decisão de juros do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, e acompanha a alta do petróleo.
Fed concentra a atenção dos investidores
Os contratos futuros dos principais índices de Nova York apontavam movimentos diferentes antes da decisão do Fed: o Dow Jones recuava 0,24%, enquanto o S&P 500 subia 0,14% e o Nasdaq avançava 0,46%. Segundo a ferramenta FedWatch, da CME, o mercado atribuía cerca de 92% de probabilidade à manutenção dos juros americanos nesta quarta-feira.
Parte dos investidores espera sinais do presidente do Fed, Kevin Warsh, sobre possíveis aumentos futuros. A decisão ocorre após o início de uma reunião de política monetária de dois dias. Os balanços da Alphabet, controladora do Google, e da Microsoft também estão no radar, com divulgação prevista após o fechamento das bolsas.
Na véspera, os índices de Nova York encerraram em alta, puxados por ações de tecnologia e inteligência artificial. O Nasdaq avançou 1,18%, para 26.477,81 pontos; o S&P 500 subiu 0,60%, a 7.722,67 pontos; e o Dow Jones ganhou 0,04%, a 52.381,98 pontos.
Na Europa, as bolsas recuavam na véspera da decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE). O índice STOXX 600 caía 0,23%, enquanto o DAX, da Alemanha, perdia 0,02%; o FTSE 100, do Reino Unido, recuava 0,24%; e o CAC 40, da França, baixava 0,12%. Os investidores avaliavam resultados de bancos da região. O UBS divulgou números considerados em linha com as expectativas, enquanto Deutsche Bank, BNP Paribas e Santander superaram projeções de receita.
Ibovespa recua e dólar fecha em baixa
O Ibovespa terminou a terça-feira em queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos, com volume negociado de R$ 71,20 bilhões. Durante o pregão, o índice oscilou entre 175.130,23 e 178.526,08 pontos. Em outubro, acumula baixa de 5,70%, embora ainda registre alta de 9,05% em 2026.
O dólar comercial caiu 0,97% ante o real, a R$ 5,35 tanto na compra quanto na venda. A moeda variou entre R$ 5,308 e R$ 5,412. O movimento ocorreu na direção contrária à do dólar em relação a outras moedas de países desenvolvidos: o índice DXY, que acompanha a divisa americana frente a uma cesta de moedas, subiu 0,34%, para 102,31 pontos.
Após a eleição, investidores estrangeiros fizeram uma compra recorde de US$ 6,84 bilhões em dólar na B3. O valor superou o recorde anterior, registrado em abril de 2025, quando a moeda americana subiu 3,72% em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China.
Balanços e indicadores no Brasil
O Santander Brasil reportou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,89 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 28% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita somou R$ 20,375 bilhões, recuo de 1,9% na comparação anual. O resultado brasileiro veio em um trimestre em que o lucro líquido do grupo espanhol cresceu, apoiado pelo desempenho na Espanha e por receitas maiores.
Outro indicador doméstico mostrou perda de confiança na indústria. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), calculado pelo FGV IBRE, caiu 0,3 ponto em outubro, para 91 pontos. Na média móvel trimestral, a redução foi de 2,1 pontos, levando o indicador a 92 pontos.
Entre as notícias corporativas, a Motiva anunciou um contrato de autoprodução de energia por 15 anos. A usina Novo Oriente VI, localizada em São Paulo, tem capacidade instalada de 33,7 megawatts (MW). Na Alemanha, o Deutsche Bank informou crescimento de 4% na receita do terceiro trimestre, para 8,3 bilhões de euros, acima da projeção de 8,21 bilhões de euros.
Petróleo sobe após ataque a refinaria
Os preços do petróleo avançavam após um ataque a uma refinaria na Arábia Saudita reacender preocupações com o abastecimento. O país é o maior exportador mundial de petróleo bruto. O barril do WTI subia 1,62%, a US$ 101,52, e o Brent avançava 1,04%, a US$ 115,07.
O minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, na China, também fechou em alta, de 1,05%, a 672 iuanes, equivalentes a US$ 100,77. A retomada da produção nas usinas compensou as expectativas de maior pressão sobre a oferta com o aumento das chegadas do minério aos portos.